Maria de Lourdes dos Anjos
Afinal houve outra feira do livro que deu cor e vida à avenida Cinza Vieira, na nossa cidade.
Afinal, as editoras que se habituaram a receber muitos subsídios para fazer uns marcadores de caca que oferecem aos clientes, não fizeram falta nenhuma cá no norte.
Afinal, o que elas querem é mesmo folclore lisboeta e depois muitos e diferentes e caros, muito caros, livros escolares, porque isso é que dá dinheiro pra caraças.
Afinal o nosso Rio nem meteu água quando recusou um biberon de leitinho condensado aos misters que acharam que a torre dos Clérigos ia cair se as editoras deixassem o Porto sem feira do livro.
Afinal houve outra feira!
Pois saibam que houve Letras na Avenida feita com uns pequenos tostões e com grande gente tripeira.
Pois fiquem a saber que houve livreiros, alfarrabistas, pequenas editoras, leitores, compradores, escritores, cantores, povo, alegria e festa e Feira do Livro.
Pois é verdade, senhores imperadores do mundo livreiro, por cá tá -se bem sem vossas excelências.
Enquanto durar esse roubo imenso, qual outro BPN, onde o livro escolar é arma que abate muitas famílias no mês de setembro, uma arma que controlam à distância e que vos enche os cofres, podem olhar-nos do cimo desse pedestal merdoso…
Pois, assim será talvez até ao dia em que o livro fique nas escolas e sirva para muitos alunos, durante alguns anos sem obrigar as crianças a trazer mais de 10 quilos de enciclopédias às costas, algumas cheias de erros de toda a espécie.
Entretanto, fiquem a saber que o Eduardo VII é todo vosso e por cá o norte tem dono.
No último dia das Palavras na Avenida, no recinto dedicado aos eventos, tivemos uma multidão que se deliciou com cultura nossa, como se fosse um lauto tacho de tripas à moda do Porto.
Começamos com os bombos dos Mareantes do Douro acompanhando o belíssimo poema Zé de Gaia de Fernando Peixoto. Depois foi a vez do grupo coral Madrigal com boa música de Zeca Afonso e outros autores.
Como ponto alto seguiu-se Duas de Letra com o Dr. Joel Cleto, mo Dr. César Santos Silva e Lourdes dos Anjos que falaram da nossa história, deste povo nobre, leal, solidário e amante da liberdade e dos nomes que as ruas da cidade eternizaram.
Seguiu-se a representação dos jograis do bota abaixo que contam os deslizes conjugais de reis e políticos que povoam velhos e novos tempos.
Finalmente, ouviu-se poesia de autores do Porto por gente que sabe muito bem com quantas letras se enche a alma de quem ama a cultura.
Afinal, meus senhores editores, guardem os vossos tesouros e segurem os monopólios que vos enchem os bolsos que, nós por cá, vemos, ouvimos e lemos… não podemos ignorar o que vocês são e que interesses representam .Pró ano haverá outra…mas à nossa moda!
E O PORTO É ASSIM!
Uma manhã de neblina
Uma gaivota na Praça
Uma vendedeira num portal
Um palavrão tripeiro
Um pregão brejeiro
Um sorriso rasgado
Uma viela escura
Uma porta escancarada
Um gato na janela adormecido
Um Porto sublime e sentido
Um grito de vida dentro de mim
e O Porto é assim
in, Nobre povo,




Só uma pessoa do Porto, tripeira, pode escrever assim, sobre a cidade em termos de poesia. Em prosa, relata uma bofetada de luva branca aos lobbies livreiros. Eles mereciam mais “bofetadas” dessas. Para já o Porto, com em muitas coisas foi o xemplo.
BRAVO!