Lúcio Garcia
O governo de direita que nos governa, está no poder porque mentiu aos portugueses. Mentiu descaradamente na campanha eleitoral, mas já mentia muito antes disso. Eis alguns exemplos.
Na política portuguesa há um marco. O antes e depois da Casa Pia. Antes, os políticos em geral respeitavam-se e tinham um discurso de ideias. Depois acabou o respeito e as ideias. O discurso tornou-se violento e hostil. Veio o tempo da infâmia, da mentira, da insidia e da baixa politica.
1 – Do Caso Casa Pia, os culpados foram finalmente julgados e condenados. Este caso, no entanto, parece ter sido criado ou aproveitado com outro fim. Um fim político. A decapitação da direção do PS, e seus dirigentes, nomeadamente do seu secretário – geral Ferro Rodrigues. Quem não se lembra da famosa entrevista de Manuela Moura Guedes a Marinho Pinto? Este caso surgiu pelas mãos da secretária de Estado da Família, Teresa Costa Macedo, do Governo AD, que entregou uma lista com nomes à jornalista Felícia Cabrita. O professor Américo da Casa Pia, desde 1970 que denunciava crimes de pedófila. Nunca nada foi feito e investigado. Teresa C. Macedo que tutelava a Casa Pia nunca tomou uma medida para inverter este processo. A investigação deste caso foi cheia de percalços. Afinal, de uma rede de pedofilia com ramificações e repleta de gente importante como se dizia, acabamos com meia dúzia de pedófilos.
2 – Ano de 2002. Governo de Durão Barroso. Nas lajes, o então PM apoia a teoria da cimeira Inglaterra/ USA /P. Ibérica, já que estiveram presentes, Bush, Tony Blair, Aznar e Durão. A teoria de que o Iraque estava recheado de bombas nucleares, contribuindo assim para Guerra do Iraque. Durão Barroso, era já um sinal de como a direita se move de forma sinuosa. De maoista a liberal. De PM a Presidente da Comissão Europeia, sem sequer ter acabado o seu mandato. A sua “promoção” soa a prémio. Mas dos quatro, foi afinal o único que ganhou.
3 – Sucede-lhe Santana Lopes. Ninguém esquecerá a trapalhada da sua tomada de posse, que ficou e ficará para sempre nos anais da história. A sua primeira baixa no governo foi a do ministro do Desporto, Juventude e Reabilitação, Henrique Chaves. O mesmo renunciou ao cargo, alegando falta de “lealdade e verdade”.
Foi o tempo dos submarinos, que nos vão custar hoje 1048 mil milhões de euros. Da compra dos carros de assalto Pandur por mais de 344 milhões de euros, assinados por Portas numa altura em que o Presidente da Republica já tinha anunciado a dissolução do Parlamento e consequente queda do executivo. Os dois governos foram recheados de trapalhadas. Uma vergonha, que o PR teve que expurgar convocando eleições.
4 – Santana vai para eleições tendo como adversário José Sócrates. Vem ao cimo o Caso Freeport.
Este caso, convém lembrar, vem a público através de uma carta anónima. Carta essa, que de anónima não tem nada, sabe-se hoje que teve como autor Augusto Boal eleito nas listas do CDS e na altura membro do Governo de Santana. Mas como nasce esta carta? Como esclareceu Marinho Pinto, essa carta fora escrita e enviada à Polícia por sugestão da coordenadora superior de Investigação Criminal de Setúbal da PJ, Maria Alice Fernandes, e do inspetor António Elias Torrão. E continua,” A situação, já de si insólita, adquire contornos algo preocupantes, porquanto a ideia da carta ‘anónima’ parece ter surgido num contexto de encontros e reuniões entre inspetores da PJ, jornalistas e figuras políticas ligadas ao PSD e ao CDS”, concluiu. Este caso, atravessou o tempo sempre que era preciso denegrir Sócrates.
No final do processo o tribunal declarou: “Com base em perícias urbanísticas e ambientais, o Ministério Público concluiu que não houve quaisquer irregularidades no licenciamento ambiental do empreendimento Freeport. E conclui: “não havia razão para acusar quem quer que fosse, incluindo responsáveis políticos do Ministério do Ambiente, pelos tão falados crimes de corrupção, tráfico de influências ou financiamento ilegal de partidos políticos”.
5 – José Sócrates foi sempre alvo de inúmeras tentativas para denegrir o seu carater e atingi-lo pessoalmente. Esta é uma das formas de mais baixa politica, não se trata aqui de apurar factos mas de criar factos.
6 – O caso da sua licenciatura foi mais um. Recentemente tentaram encontrar paralelo com a falsa licenciatura de Relvas.
Nem com todo o poder disponível puderam contestar a aldrabice da licenciatura de Relvas. Mas por outro lado, não conseguiram provar que a de Sócrates era ilegítima. Diferença de fundo terá que haver. A verdade é que uma é legítima a outra não.
7 – Depois veio a história da “Bancarrota“. Ao longo das minhas crónicas já abordei este assunto diversas vezes e só de má-fé se pode dizer que isto é verdade, incluindo o caso das PPP.
O primeiro governo de Sócrates parte de um défice de mais de 7 por cento deixado por Barroso e Santana e desce para os 2.8 pontos percentuais em dois anos e meio, sem despedimentos, sem roubo nas reformas, com crescimento da economia.
O segundo governo minoritário, e face à crise que assolou o Mundo, teve que tomar medidas que lhe foram impostas por Bruxelas. A principal, o aumento do investimento público para aguentar a economia e o emprego.
Esta medida teve aliás paralelo em toda a Europa. Convém relembrar que na altura estes investimentos e segundo as regras europeias não contavam para o défice.
As PPP, resultaram do investimento para fazer face à crise e ao desemprego. Acusado várias vezes por desbaratar dinheiro, Sócrates é só responsável por menos de um terço das PPP. O antigo secretario de Tesouro, Costa Pina afirmou na comissão de inquérito o seguinte: “Apesar de algum alarido feito em torno das PPP, de que foram muito concentradas no tempo, Portugal é um dos países que menos investimento público fez nos últimos anos”, acrescentou. O antigo governante considerou que não faz sentido “diabolizar as PPP”, porque são “um dos instrumentos mais úteis para a realização de investimento público”. Só o desconhecimento da matéria serve a causa da baixa política. Acresce dizer, que o relatório elaborado sobre as PPP, ignora o custo das PPP da Madeira e que só por si representam mais de 2.7 mil milhões de euros. Quase o mesmo que todas as PPP de Sócrates.
8 – É também nesta altura que corre uma noticia que atravessa todas as redes sociais e alguns pasquins, que atribuem a Sócrates o valor total da divida externa, metendo no mesmo saco, a divida pública, privada, das empresa e dos bancos. Só por maldade e baixa politica.
9 – Quem esquece a armadilha ao governo de Sócrates montada através do Gabinete do próprio Presidente Cavaco sobre as escutas. Uma infâmia que ficou sem consequências.
10 – Os computadores Magalhães. Foram tema de escarnio e maldizer. A chacota que fizeram. Afinal o Magalhães é um projeto premiado internacionalmente. Cada vez mais países adotam o Magalhães e agora até Portas se exibe a vender o mesmo. Uma prova mais da baixa política.
11 – E que dizer do discurso vingativo de Cavaco na sua tomada de posse. O que disse contra o anterior governo e o que diz hoje. Afinal, quando as politicas são tão mais gravosas. Se o Presidente tivesse contribuído nessa altura para um entendimento com a oposição, talvez hoje não estivéssemos na situação que estamos. Mas aqui sim, a febre do Poder cantou mais alto.
Tendo em conta todos estes fatores, como posso ficar surpreendido com a política de hoje? As cobras são as mesmas.
As Demissões
Sempre afirmei, desde que esta política tomou lugar, que ela seria um desastre e um fracasso para Portugal. Gaspar, quando finalmente viu que a sua solução não tinha hipóteses, tratou de dar o fora, confessando a sua incompetência e dando a mão à palmatória. Aproveitou no entanto para acusar Passos de falta de solidariedade e de incompetência.
No dia seguinte, o maior chico esperto do País, Paulo Portas apresenta um pedido de demissão irrevogável em conflito direto com Passos e com a secretária /ministra das Finanças. Maria Luís Albuquerque. A mesma ministra que mentiu no Parlamento sobre os SWAP. Ontem, dia 23 de Julho foi mais uma vez desmentida na comissão de inquérito. Afinal toda a informação sobre os SWAP lhe foi prestada pelo governo anterior. A sua incúria, resulta menos dos contractos que assinou e mais e dois anos de paragem sobre um assunto que urgia ser resolvido e não foi. Deste facto decorreram prejuízos para o estado de cerca de 1.4 mil milhões de euros.
Se ao prejuízo desta incúria acrescentarmos só as verbas dos submarinos e dos Pandur, temos um valor aproximado ao das PPP que rondam pouco mais de 3 mil milhões de euros. Com uma diferença, as PPP deram muito emprego e estão lá, ligam o interior do País ao litoral e acrescentam riqueza.
O Governo remodelado
Entrou Rui Machete, antigo presidente do Conselho Superior da SLN/VALOR, empresa que detinha o BPN. Este Conselho tinha poderes fiscalizadores sobre o BPN no tempo em que foram cometidas as maiores fraudes. É curioso notar, que no curriculum de Machete no Governo não consta a sua ligação ao BPN. É aliás a segunda vez que tal acontece. Com Franquelim Alves aconteceu o mesmo. Os homens que regressam ao comando do País são os inocentes do BPN. Nunca tiveram nada a ver com responsabilidades no BPN, só lá ganhavam o ordenado. Parece que nem se conheciam uns aos outros apesar de, se sentarem todos ao redor da mesma mesa, na sede do PSD. E o que diz Machete: Falar-se disto é uma podridão dos hábitos políticos. Desfaçatez não lhes falta.
Saiu o ministro Álvaro e o seu assessor João Gonçalves, vem a correr, dizer que o seu afastamento se deveu a “interesses e negociatas”.
Vejam bem o nível destes políticos.
Tudo isto denota uma irrevogável sede de poder. O poder pelo poder, onde tudo vale. No governo ainda não os vimos defender o interesse do País. Seguem certinho e até duplicam a receita dos funcionários da Troika. Os ministros recebem-nos com reverência, quando deveriam enviar funcionários para falar com eles. Os Ministros de Portugal não têm que falar com funcionários. Os Ministros de Portugal falam no Conselho Europeu, de igual para igual. Ministros que se referem ao País como um protetorado? É gente sem dignidade. Que se verga aos interesses que podem ser de alguns, mas não são com certeza os de Portugal e dos Portugueses.
Infelizmente, o caminho vai ser o de continuar a empobrecer, de destruição da economia, de roubo das reformas, do aumento do desemprego, do esbulho dos salários, de menos saúde e menos escolas….e o pior de tudo, sem democracia, pois agora querem que pensemos todos por igual, senão… vem aí o PAPÃO e come-nos a todos.
É esta gente que aparece na televisão a fazer discursos patrióticos. Falsos, vendilhões da Pátria, mentirosos, gente pérfida. Haja bom senso.
A “moção de confiança” pode passar no Parlamento. Acredito que alguns deputados vão engolir sapos vivos, mas não chorem amanhã, porque a vossa consciência não perdoará a vossa cobardia.
O Povo em geral não está convosco e não vos dará a sua confiança.





