Lúcio Garcia
Segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Sabem que data é esta? Pois é o dia em que Passos Coelho e Vítor Gaspar asseguraram ao País que Portugal ia regressar aos mercados.
Então, não é, que depois de terem destruído a economia, de terem levado Portugal a um nível de desemprego jamais imaginado. Depois de terem roubado reformas que são equiparadas a propriedade privada. Depois de terem diminuído os salários em percentagens nunca vistas e de terem feito os portugueses passar por sacrifícios nunca esperados, o que temos?
Nada! As taxas de juro estão acima dos 7por cento, (a tal que no tempo do Sócrates nos diziam ser impossível de manter), a dívida está acima dos 130 por cento. A iminência de outro resgate está à vista.
Este governo, falhou em toda a linha. Não tem um único indicador que se aproveite, exceção feita ao desequilíbrio da balança comercial, que se deve apenas à forte contração do poder de compra dos portugueses.
E tudo isto porquê?
Os partidos que suportam este governo, e não só – o PCP e Bloco têm muitas culpas no cartório porque a eles se juntaram numa santa aliança para derrubar o último governo constitucional com o beneplácito do Presidente da Republica -, enganaram durante meses e meses os portugueses com a campanha mais vil de que há memória contra um primeiro-ministro e um governo constitucional.
As razões da crise que Portugal atravessou nesse tempo não se deram por razões internas, mas principalmente externas. Estes partidos, na altura aliaram-se com um único fim, aproveitarem-se da crise e tomarem o poder a qualquer preço. Fizeram-no e conseguiram. O problema é que alcançaram o poder baseando-se em mentiras.
São essas mesmas mentiras pelas quais estão hoje a pagar o preço. Na realidade, muito do que se passa hoje em Portugal, não tem muito a ver com esta governação, tal como no tempo de Sócrates. A diferença foi apenas que não o reconheceram na altura. Mentiram! A verdadeira razão tem muito mais a ver com falta de rumo da Europa e da força politica que a sustenta. A direita europeia. A cedência ao grande capital e a interesses obscuros e sem rosto.
Lembremo-nos que a primeira reação europeia que o governo português foi também, obrigado a seguir: a expansão económica, que, de um dia para o outro, sofre um revés tornando-se numa política de austeridade sem nexo. Foi este momento de expansão económica forçado que aumentou o défice de Portugal.
O pior é que a social-democracia (não confundir a social democracia com o PSD, que não tem nada de social democrata nem sequer pertence à sua família europeia) e os socialistas democráticos estão de certa forma reféns desta maldita politica. Veja-se o que está a acontecer na Holanda e na França.
O grande problema em Portugal, é que temos dois partidos no Governo, que estão de acordo com essas políticas, pior, são mais papistas que o Papa no que a elas (politicas) concerne.
Este governo está a aproveitar tudo isto, para marcar uma agenda ideológica desde há muito ansiada.
O que eles pretendem e estão rapidamente a conseguir é a destruição do estado social, contra tudo e contra todos.
Sócrates fartou-se de avisar que isto iria acontecer. Ninguém acreditou. Pois, foi o único que falou verdade.
A teimosia deste governo na austeridade, que o próprio FMI já diz há muito ser uma bestialidade, tem levado ao desastre. Como esta política não funciona, culpam tudo e todos, menos a sua estupidez. O alvo preferencial, tem sido o Tribunal Constitucional e os seus Juízes. Este é um governo que não sabe gerir o País cumprindo a Lei e é um permanente fora da lei. Se tivéssemos um Presidente da Republica capaz, isto apesar de ser grave, já teria sido resolvido, pois há muito que teria sido demitido com justa causa. Mas, temos o que temos.
Estes governantes têm ainda uma particularidade fantástica. São apanhados frequentemente a mentir, ao parlamento, ao presidente da república para já nem dizer ao povo. Coisa que faz todos os dias de forma aberta ou sub-reptícia.
Mentiu Passos, na campanha eleitoral, mentiu Relvas com todos os dentes, mentiu Gaspar, frequentemente, nos seus objetivos, mentiu Maria Luís Albuquerque nos “swaps” – caso por si criado mas em que o tiro lhe saiu pela culatra-, mentiu Rui Machete ao dizer que nunca tinha sido acionista da SLN/BPN…e por aí fora.
Sabem o que disse uma vez Passos? “No meu governo quem mentir sai!” Está-se mesmo a ver, não está? Teria que ser ele o primeiro a sair, pois até ao presidente da república mentiu e enxovalhou. O que seria, se isto se passasse com Sócrates? Nem posso imaginar o que os jornais, as tevês, os comentadores, os analistas, diriam.
Os mesmos que antes ajudaram a destruir o governo de Sócrates e até elevaram o tom ao nível do ataque pessoal, são os mesmos que ainda hoje defendem este governo e esta política. Bem, nem todos, alguns já começam a abandonar o barco como ratos que são. Há muito que já tinha dito que isto iria acontecer.
Esta política infernal, vai-nos conduzir a um país do terceiro mundo se não for travada a tempo. Tudo isto está muito perto de ser concretizado, se forem avante os cortes indiscriminados dos mais de quatro mil milhões de euros que o governo se prepara para fazer no próximo Orçamento de Estado.
23/set/13


