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Álvaro Barciela: o poeta-alfaiate

Álvaro Barciela, nasceu a três de maio de 1926 na freguesia do Bonfim, na cidade do Porto, e faleceu a 16 de outubro de 2002.

Depois de concluir a instrução primária,  foi aprender a arte de alfaiate  e tornou-se um excelente profissional.

A sua obra poética foi carinhosamente recolhida por sua neta Sandra Barciela e, só por isso, foi possível ter chegado até nós.

 

PORTUGAL - INCENDIO EM ARGANIL

AOS BOMBEIROS

Ouvem-se sirenes dentro da noite escura

Lá vão, além…Vê-se mal o metal reluzir

É negra a noite, vermelha a viatura

Ó bravo bombeiro a quem vais acudir?

 

Longe, no monte, todo ele vermelho

Louco braseiro, horroroso, infernal

A noite negra transformou-se em espelho

Gritos de fogo. Incêndio no matagal !

 

E valente, altivo, o soldado da paz

Enfrentando o perigo, não volta atrás

Pondo a sua própria vida em jogo!

 

Combate as chamas vindas do criminoso

E , destemido, sai delas vitorioso,

Mas quantos heróis morrem nas garras do fogo!

 

       agosto de 1987

 

bodas prata - 01out13

NAS BODAS DE PRATA DO MEU CASAMENTO

Uma velhinha respeitável e muito reta

Pequena no corpo e grande no pensamento

Falou um dia nestes termos à sua neta :

Aurora, já que pensas no teu casamento

 

Não te iludas e põe esse rapaz de parte

O teu futuro para mim é coisa séria

Faz-me a vontade. Não queiras um alfaiate

Que viver de pontos é viver na miséria

 

Porém, em janeiro, numa bela manhã

Ao dobrar os sinos da igreja de Campanhã

O alfaiate e a costureirinha deram o nó

 

E assim, vinte e cinco anos já lá vão

Sem nunca faltar nem carinho nem pão

A dar paz eterna á alma da nossa avó

 

exaustao - 01out13

EXAUSTÃO

Cada dia que passa mais odeio a vida

Pela desconcertante conduta humana

Tudo é lixo podre dentro da cabana

Emoldurada de limpidez nutrida

 

Já a honestidade em tempos vivida

Não teve a essência pura que emana

Que importa quem este mundo profana

Não sendo a ignorância detida?

 

Farrapos na valeta, eis o que todos são

Todos aqueles convertidos na virtude

Na conquista dum sol aberto de abril

 

Assim o pensamento livre fosse vulcão

E cada lava fizesse um ataúde

No crânio  da hipocrisia triste e vil

 

 

 

Coordenação: Maria de Lourdes dos Anjos

Fotos: Arquivo “Etc e Tal Jornal” e Pesquisa Google

 

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