Porto, 29 de setembro de 2013. Na cidade Invicta, como em todo o país, S. Pedro não se abstém. O santo briga os eleitores a recorrerem ao guarda-chuva. Outros nem sequer saem de casa, não com medo do “guarda”, mas de apanharem alguma “pneumonia política”. Assim, abstiveram-se, foram receosos, acautelaram-se, mas deixaram a Democracia à mercê de tempestades.
É sempre assim: se está a chover, é o “ai!” porque “me vou molhar!”; se está calor, é o “vou para a praia” porque, com tanta quentura, não há paciência para aturar bichas!” (leia-se filas de gente…! Bem. Há sempre uma desculpa esfarrapada para não se ir votar. Mas, a verdade, é que essa atitude é comummente aceite pela sociedade em dia de escrutínio!
Depois. Sim, “depois” do dia das eleições, a coisa já é diferente… significativamente diferente! Nesse dia… todos foram votar! Todos descarregam baterias – em supermercados, tascas, cafés, mercearias, elevadores, metros, carros elétricos e sapatarias – para, de imediato, condenarem quem venceu, ou elogiar quem perdeu as eleições, às quais nem sequer puseram os pés. Mas criticam, porque essa posição é comummente aceite pela sociedade em dia(s) de recessão.
Antes, porém, – e fala-se, agora, de corajosos -, há quem ainda chegue perto de uma urna (mesa de voto) e, quarenta ou trinta anos depois de exercerem, livre e “periodicamente” o seu direito cívico – se assuste com o facto de ter de cruzar riscos votando em três… três boletins de voto. “Ena! São tantos?”
“É verdade: são três. Para as “Autárquicas, sempre foram!” , explica-se! E depois (mais uma pergunta): “onde estão as fotografias dos homens?!”
“Senhor(a), esta votação é em partidos ou em movimentos independentes!”, explica-se.
Mas, a cabeça do eleitor baralha-se, porque políticos houve, que, nos cartazes de propaganda, tiveram “vergonha”(?!) de relevar os símbolos dos seus partidos ou coligações, deixando, de propósito (?!) as pessoas estupidamente surpreendidas perante a urna – mesa de voto.
A seguir vem outro cabo dos trabalhos. “O(a) Senhor(a) não pode aqui votar! E “não”, porque não está aqui registado! O seu nome não está nos nossos cadernos! O seu Cartão de Cidadão é novo? Se é, o seu número de eleitor terá mudado e, desse modo, terá de votar em outra secção!”, explica-se.
Reação: “Vou mas é embora, porra para isto!”
Uma reação entre muitas, ainda que as pessoas fossem, de imediato, informadas a dirigirem-se a um gabinete de apoio, o qual lhes poderia fornecer o novo número de eleitor e as encaminhar para a respetiva secção de voto.
“Olhe! Sempre votei aqui, e agora vou votar a cascos de rolha. Vou mas é para casa, que se lixe isto!”
Falta de atempada informação?
Pois, houve muita abstenção a 29 de setembro de 2013! Assim, só tinha de haver! E isto, não só por causa do S. Pedro, mas também por culpa de políticos que não souberam transmitir as suas mensagens; de quem tinha por responsabilidades a organização das eleições e foi negligente; e, mais ainda: por quem agregou e desagregou freguesias a régua e a esquadro e, ainda por cima, às “três pancadas”.
Para maio do ano que vem teremos mais. Mais eleições: as “Europeias!”. S. Pedro costuma abster-se de escrutínios que se realizem nessa altura do ano, pior é se ele confunde maio com abril. O tal Abril, de águas mil!”.
Oh que caraças! Lá teremos que recorrer, outra vez, ao guarda-chuva. Vá lá que, em maio, já se terá perdido os três… boletins de voto, e só restará um. Só votarão num boletim!
Mas, “onde é que está a “cara do homem? Onde?” Perguntarão. E depois: “Então, eu já não voto aqui. Sempre votei aqui. Vou votar a cascos de rolha?! Não. Vou mas é para casa”, dirão.
Portanto, quanto a questões relacionadas com abstenção ou futuras abstenções estamos (quase) falados! Até maio… maduro maio!
Texto: JG
Fotos: Pesquisa “Google
COMENTÁRIOS
GANHOS e as PERDAS…
As eleições autárquicas realizaram-se no passado dia 29 com todo o civismo por parte do Povo Português. A sua participação, não é muito diferente do que se passa em outros países europeus e nalguns casos até com mais significado.
Mas, analisemos estas eleições.
Em primeiro lugar, o primeiro vencedor foi o povo. O que votou, que participou. O povo que apesar da chuva e da insidiosa campanha contra o voto, foi às urnas e expressou de forma livre a sua vontade.
Há quem se esforce muito por realçar o caráter local das mesmas, o que é verdade, mas também é verdade, que todos e em todas eleições similares tiraram e tiram ilações nacionais. Dizer o contrário é ludibriar a questão.
Vamos aos resultados.
O PS conquista 150 Câmaras Municipais. Conquista também a maioria das Freguesias, conquista assim, a Associação Nacional de Municípios e a Associação Nacional de Freguesias.
O PS consegue um facto novo ao tornar-se o Partido que mais Câmaras conquistou no País numas eleições autárquicas, coisa de somenos importância para alguns, dirão eles, pois perdeu Évora e a Guarda por exemplo. Esquecem-se que, e também por exemplo, conquistou Gaia e Vila Real, mas isso parece não importar muito.
Uma coisa é certa, quem ganhou as eleições quer queiram quer não, foi o PS.
Depois temos um outro vencedor, o PCP. Com a sua CDU alarga para 34 o número de Câmaras. Desta forma, o PCP, ao contrário do costume, tem boas razões para festejar. Desta vez não precisa de estórias mal contadas. Das que justificam que nunca, desde o 25 de Abril, tenha admitido que perdeu umas eleições. Enfim, coisas do PCP.
A nível individual, as maiores vitórias, vão para António José Seguro, como líder do Partido que ganha as eleições. António Costa ganha Lisboa de forma esmagadora. Jerónimo de Sousa como líder do PCP, que recupera as posições que o seu partido tinha há dezasseis anos. Paulo Portas, porque com o seu feitio irrevogável em permanente ziguezague e com um pé no governo e outro fora, acaba sem saber como, de passar de uma para cinco Câmaras.
Está também de parabéns Rui Moreira, que conquista a emblemática Câmara do Porto. Embora não tenha votado nele, é agora o Presidente da Câmara do Porto. Nascido e criado nesta fantástica Cidade desejo-lhe as maiores felicidades, esperando que neste mandato, finalmente a Câmara venha a olhar mais para a parte oriental desta cidade que tanto tem para dar e há tanto tempo está abandonada e desprezada.
Os grandes perdedores são: Passos Coelho, que perde em toda a linha, que deixa o seu partido em frangalhos. É ainda assim um mau perdedor, porque com a sua impertinente arrogância, acha que não tem que tirar ilações do que se passou e que promete na hora que perde, mais e mais sacrifícios para os portugueses. O que quer mais de nós? A pele?
Os grandes derrotados foram os candidatos do regime e que se queriam tornar Presidentes de Camara profissionais, Fernando Seara e Filipe Menezes, este ultimo candidato favorito à Câmara da Invicta, acabou relegado para terceiro plano. Vamos ver agora quem os vai ajudar a pagar as fabulosas e despesistas campanhas. Mas também, não é caso para preocupar-nos. Na Madeira encontramos um outro grande perdedor, Alberto João Jardim. O seu partido perdeu a maioria das câmaras da Madeira e principalmente a Câmara do Funchal.
O outro perdedor que falta é o Bloco de Esquerda, o partido perdeu a única Câmara que tinha. Os seus líderes, nem sequer conseguiram ser eleitos. Estará talvez na altura do Bloco repensar a sua estratégia e deixar de ser um partido que se alimenta da contestação.
Há um aspeto relevante nestas eleições, que não posso deixar de referenciar. a abstenção. Não concordo com o valor atribuído à abstenção porque ela não pode ser e não é verdadeira!
Senão vejamos:
Portugal, segundo o Ministério da Administração Interna e relativo ao último censo, tem 10.627 250 habitantes. Os jovens com menos de 15 anos representam 15,2 %. Como o voto só se exerce a partir dos 18 anos, significa que teremos que tirar ao total da população pouco mais de 2 milhões de cidadãos. Como nos últimos anos, a emigração ronda os 300.000 cidadãos, por alto diremos que a população com direito a voto deveria andar na ordem dos 8.227.250. Ora, nas contas do recenseamento eleitoral os indivíduos com direito a voto são 9.377.343. Assim sendo, onde estão os 1.150.093 em falta? Este erro monumental, é da responsabilidade do Ministério da Administração Interna que não atualizou devidamente os cadernos eleitorais, assim como não prepararam estas eleições como deve ser.
A incompetência lavra em todas as áreas do Governo. Não se entende que tenham sido necessárias quase 48 horas a mais para se saber os resultados definitivos destas eleições. No final do dia 1 de Outubro, não existe ainda uma forma fácil de verificação do número de Freguesias e Câmaras ganhas pelos diferentes partidos, só existem, incluindo jornais on-line, revistas etc., valores de percentagens e não dos cargos atribuídos.
É necessário descodificar essas percentagens para saber por exemplo quantas freguesias ganhou o PS, o PCP, ou o PSD, ou seja eles quem forem. Parece ter havido um conluio para esconder a realidade. Se todos estes erros estivessem corrigidos, a abstenção contabilizada, seria incrivelmente menor.
Sei que muita gente fez propaganda pela abstenção, pelo voto nulo e pelo voto em branco. Mesmo assim, os votos nulos e brancos têm um crescimento residual e não afetam de forma alguma os resultados eleitorais consistindo assim numa tremenda derrota para os seus adeptos.
Agora uma palavra para os Independentes.
Não desmerecendo nas vitórias alcançadas, a leitura que alguns parecem querer fazer da apologia da vantagem dos Independentes contra os Partidos não tem consistência. Na maioria, os independentes que ganharam não têm nada de espirito independente. Por trás, alguns até têm as máquinas partidárias como no Porto por exemplo onde o CDS apoiou nitidamente o candidato Rui Moreira, assim como uma boa parte da máquina de Rui Rio o apoiou de forma inequívoca e contra Menezes. Só é cego quem não quer ver. Querer tornar Rui Moreira como o expoente máximo da Independência está enganado. Ninguém é verdadeiramente Independente pois dessa forma não poderia governar. É sempre necessário e a toda a hora negociar e tomar partido, quem o não fizer é um ditador e nada mais. Os independentes além disso, têm tendência para se tornarem quer queiram quer não “Os Chefes”.
Depois há os outros casos, onde os Independentes são gerados pelos próprios partidos resultando de vinganças e más escolhas. Como exemplo temos o caso de Matosinhos onde a Concelhia do Partido impôs um candidato que ninguém conhece em detrimento de um homem com provas dadas e que tem o carinho dos Matosinhenses. Estavam à espera de quê? O PS também tem incompetentes, pois claro. Pagaram-no caro.
Afinal qual foi a vitória dos independentes?
Tendo em conta que praticamente em todos os municípios e numa boa parte das freguesias concorreram independentes, bem se poderia dizer que a sua derrota foi devastadora. Afinal o Povo não foi muito pelos ditos, e votou nos partidos, nas pessoas que conhece, e que sabe quem está por trás delas, e quem as acompanha.
Para terminar, um olhar sobre os comentaristas de serviço.
Tomemos como exemplo António José Teixeira, diretor da “SIC Informação”, pessoa de juízo bastante equilibrado. Em comentário no dia seguinte no “Jornal das Sete” dizia: Cada eleição em cada município e freguesia é diferente em cada caso. “Não estamos a votar para passarmos um cartão amarelo ou vermelho ao Governo. O PS pensar que destas eleições se podem retirar ilações também a nível nacional é abusivo”. No entanto mais à frente diz: “A Madeira contribuiu para o declínio do PSD por razões locais e de autonomia madeirense, estamos definitivamente no fim de um ciclo. É um exemplo da governação de Alberto João Jardim que não lhe é muito simpático. Para ele e o seu trabalho”. Vejam a duplicidade de critério.
No continente, as câmaras e as freguesias são cada caso um caso, na Madeira parece que não. No continente, não podemos atribuir abusivamente culpas ao governo ou ao seu chefe Coelho, mas na Madeira já podemos. Vá-se lá entender isto. E estamos a falar de uma opinião moderada, imaginem o que dizem os propagandistas do Governo que enxameiam as televisões.
Parece que a estes que nos roubam e mal governam todos os dias temos que desculpar tudo, O que seria se o Governo fosse outro, do PS, por exemplo. Partido ao centro, já teria sido chacinado pela opinião publica, não bastaria a direita, mas teríamos o PCP, com o dobro das ações que faz hoje contra o governo, tal como o fez na contribuição que deu, aliado ao Bloco para a queda do ultimo governo precipitando a vinda da Troika que hoje diz ser uma força de ocupação, esquecendo-se que foi ele, PCP associado ao Bloco, que lhes escancaram a porta.
Dizer o contrário é fugir a uma realidade histórica de que o PCP e Bloco jamais escaparão.
Agora, venham as próximas eleições. As eleições para o Parlamento Europeu. Eleições muito importantes, até porque, é cada vez mais na Europa que se joga o nosso futuro. É necessário que esta direita fundamentalista, seja rapidamente afastada do poder, e dê lugar a um novo pensamento político, com base na solidariedade e no crescimento económico.
Texto: Lúcio Garcia
Fotos: Pesquisa “Google”
02out13
OVAR EM CONTRACICLO POLÍTICO
Não sendo a primeira vez que tal acontece, já que Armando França nos anos 90 chegou a protagonizar uma grande vitória do PS com este partido no governo a protagonizar politicas muito contestadas, que tiveram duras consequências nos resultados eleitorais autárquicos a nível nacional. Desta feita tal cenário em contraciclo político, teve como vencedor o PSD, de Salvador Malheiro, que ao contrário da derrota da direita no governo da austeridade, acabou por derrotar o PS que, por sua vez, forças internas também ajudaram a destronar o vice-presidente de Manuel Oliveira, o seu delfim caído em desgraça, Vítor Ferreira.
Uma luta intestina no seio do PS, que resultou em muitos embaraços, como o abandono de Manuel Malicia, então presidente da Assembleia Municipal ou a mais surpreendente devolução do cartão socialista do vereador José Américo e o seu público apoio ao candidato do PSD, entre vários outros episódios rocambolescos que muito ajudaram a derrotar por dentro o candidato Vítor Ferreira.
Com uma maioria absoluta na Câmara Municipal de Ovar (PSD, 4 e PS, 3), na Assembleia Municipal, a “oposição” (PS,PCP e BE) tem maioria (PSD 10 – “Oposição” 11), implicando disputa para a presidência deste órgão autárquico.
Também na União de Freguesias de Arada, Ovar. S. João e S. Vicente Pereira Jusã, a vitória do PS (Bruno Oliveira) com 9 eleitos, contra os 7 do PSD, está dependente do PCP, BE e CDS, que têm um eleito cada. Um resultado que não deixa de estar muito influenciado pela polémica agregação das freguesias que criou esta mega Freguesia, acabando por derrotar o autarca Joaquim Barbosa, do PSD, que nos últimos dois mandatos foi o presidente da Junta de Freguesia de Ovar. A esta vitória do PS junta-se também Válega em que o mesmo presidente Jaime, reforçou a sua maioria, depois de no mandato anterior ter sido obrigado a dividir o executivo com forças da oposição.
Surpreendente foram os resultados na Freguesia de Esmoriz relativamente às ainda recentes eleições intercalares, em que o BE pela primeira vez tinha tido um eleito e acabou desta feita por ficar de novo fora da Assembleia da Freguesia. A freguesia mais a norte do concelho, que voltou a eleger António Bebiano, do PSD (7 eleitos) e em que os independentes do GIPE (4) voltaram a dificultar o PS (2).
Na esquerda a CDU/PCP ainda que só tenha tido eleitos na Assembleia Municipal (1) e na União de Freguesias (1), acabou por recuperar eleitorado e suplantar o BE relativamente a 2009 em que tinha tido eleitos em três freguesias e dois eleitos na Assembleia Municipal. Sendo o Bloco uma das forças em queda nestas eleições no concelho de Ovar, não deixa de ser significativa a derrota do CDS, cujo deputado Raúl Almeida Camelo não conseguiu assegurar um lugar deste partido do governo na Assembleia Municipal de Ovar.
Texto: José Lopes (Ovar)
Foto: Pesquisa Google
02out13







Senhor “JG” que, presumo ser o senhor José Gonçalves, distinto diretor deste jornal que leio há há alguns anos; as estórias que contou, são histórias reais. Parabéns pelo trabalho, pela “crítica”, pela oportunidade. Há que alertar certa gente para a gente que muita gente não é, mas quer parecer ser, porque tem medo!