O independente Rui Moreira será o presidente da Câmara Municipal do Porto durante os próximos quatros anos, depois de ter conquistado, nas eleições autárquicas realizadas a 29-set-13, 39,25 por cento dos votos (seis mandatos) contra os 22,68 pontos percentuais (3 mandatos) do socialista, Manuel Pizarro, e os, surpreendentes (pela negativa), 21,06% de votos destinados à candidatura de Luís Filipe Menezes (PSD-PPM-MPT), que, tal como os socialistas, conquistou três vereadores . A CDU, com 07,38%, elegeu o seu candidato, Pedro Carvalho, para a vereação.
Rui Moreira – apoiado pelo CDS e por destacadas personalidades social-democratas muito ligadas ao ex-presidente Rui Rio – não conseguiu, porém, maioria absoluta na edilidade tripeira, precisando, para isso, de chegar a um acordo com outras forças partidárias, sendo possível que o primeiro passo negocial seja dado junto do PS.
Mas a vitória de Rui Moreira não se fica por aqui. Além da sua lista, liderada por Daniel Bessa, ter vencido as eleições para a Assembleia Municipal – ainda que com maioria relativa -, conquistou também cinco das sete freguesias do Porto, sobrando só a de Campanhã, para o PS (o já “tradicional” bastião socialista na cidade do Porto) e de Paranhos, para o PSD-PPM-MPT.
PS na “rota do aceno”
Rui Moreira, de 57 anos – licenciado em Negócios ou Estudos Comerciais; velejador internacional; membro do Conselho Consultivo do FC Porto; comentador desportivo; presidente do Conselho de Administração da “Porto Vivo – SRU” e, desde 2001, líder da Associação Comercial do Porto – conquistou uma vitória retumbante, não só em termos locais, mas também nacionais, ao derrotar a concorrência, com principal destaque para a candidatura do social-democrata Luís Filipe Menezes (PSD-PPM-MPT), que se quedou pela terceira posição, quando, há meses, as sondagens lhe davam maioria absoluta para a presidência da Câmara Municipal do Porto.
As listas de Moreira, mesmo assim, não conquistaram maiorias absolutas – como se previa! – isto, tanto na Câmara, como na assembleia municipal e na das freguesias, tendo, agora, que chegar a acordos com outros partidos, sendo que o PS será, por certo, o primeiro a ser contactado para tais relações, politicamente, empáticas. Os cordiais parabéns entre ambas as candidaturas, em noite de resultados eleitorais são “sintomáticos” quanto a essa (mais que provável) possibilidade.
O “carrasco” Moreira
Apoiado pelo CDS e, indiretamente, pelo (agora) ex-presidente da CM Porto, Rui Rio, Moreira é, hoje, a bandeira nacional das candidaturas independentes, que, ao conquistarem 11 câmaras municipais, transformaram-se na quarta força política do país. E mais: ele foi, e ainda é, o “carrasco” político de Luís Filipe Menezes que, além de uma humilhante derrota no Porto, viu os seus “correligionários” de Gaia – da ala “Passos Coelho” no PSD – a levaram as mãos à cabeça na noite de 29 de setembro de 2013, com tanta derrota e tão maus resultados.
Rui Rio está, por certo, mais que satisfeito com tal desfecho,ao saber que tem uma porta, para já, entreaberta para o levar a uma potencial candidatura à liderança do partido laranja.
Menezes (politicamente) em “coma induzido”
Com estes resultados, Menezes encontra-se, politicamente, em coma induzido, e, assim, prestes a fazer uma caminhada (paliativa) no deserto que não se sabe ainda quando e onde terminará. O regresso a Ovar e à sua condição de médico é pouco provável, pelo que todos os cenários poderão passar por uma “fuga” a responsabilidades pós-derrota (assumir a vereação!), já que como o mesmo disse: “Não estou habituado a perder!”
Menezes foi, assim, politicamente, aniquilado pelo míseros 21,06 por cento do eleitorado que nele confiou a “cruz”(24.366 votos contra os 45.411 de Moreira) -, e por outras cinco forças: Rui Moreira, Rui Rio, CDS-PP, uma ala do PSD e pelos portuenses que não se deixaram enganar, nem com promessas megalómanas, nem, tão pouco, com sandes de porco assado.
Pizarro: O fiel da balança!
Não passaria – até há poucos dias – pela cabeça de muitos, que o socialista Manuel Pizarro conseguisse o que conseguiu: levar o seu partido a segunda força mais votada para a presidência da Câmara Municipal do Porto. Mas, deram legitimidade… conseguiu!
Ele reuniu 26.237 votos. Elegeu três vereadores. Deu, por assim dizer, o corpo ao manifesto, a uma candidatura, teoricamente, perdida. Ou seja: a tal que seria “esmagada” por Menezes.
Tudo quase foi ao contrário! Pizarro não venceu, mas o PS é, hoje, o fiel da balança, tanto na Câmara, como na Assembleia Municipal e nas de freguesia, onde a lista de Moreira não tem maioria.
Aqui, “negociar” é o lema.
Pedro Carvalho: O “cavaleiro” andante
Apoiado por uma estrutura, que dá pelo (reconhecido) nome de CDU, Pedro Carvalho foi eleito vereador. A coligação de comunistas e ecologistas, conseguiu quatro deputados para a Assembleia Municipal, mantendo, assim, um estatuto. Uma presença própria.
Reuniu oito e quinhentos e tal votos na luta para a presidência, mas menos que os destinados para a Assembleia Municipal (Honório Novo)… 11.436.
A CDU, mesmo assim, mantém a sua (importante) presença na autarquia, como nas outras de proximidade que , como 15 (freguesias) sempre defendeu.
A Soeiro só “faltou o… “quase”
José Soeiro. Bloco de Esquerda. A coisa não lhe correu bem! Não foi eleito como vereador. Algo nada estranho se atendermos aos resultados do Bloco a nível nacional.
Soeiro deu o tudo por tudo, assim como toda a equipa que o acompanhou. Encheu o Rivoli. Quis virar o “Porto ao Contrário” e quase o virou… faltou o “quase”.
Mesmo assim, o jovem candidato, e ex-deputado da Assembleia da República, lutou… esforçou-se para ser eleito, mas o povo, ou não compreendeu, ou não quis compreender, o seu programa.
Soeiro não é vereador, mas o BE conseguiu a eleição de dois deputados para a Assembleia Municipal (outro peso a ter em conta na balança). Uma importante vitória para os bloquistas!
Nuno Cardoso: o “Batalha” que não deu “batalha”
Chegou tarde à corrida e tarde cortou a meta. Antes já tinha estado – segundo consta – nos “balneários” de Menezes. Mil duzentos e cinquenta e cinco votos foi o que “arrecadou” para a sua candidatura à presidência da Câmara, só mais setecentos e tal que o PCTP-MRPP. Cardoso ter-se-á perdido politicamente, esperando o Porto que, a partir de agora, não se perca o Cinema Batalha, que ele alugou, para relevar a sua campanha. Mas, pelos vistos… perdeu-se tudo?! E se se perdeu tudo…
Por último, recorde-se que estas foram as primeiras eleições realizadas de acordo com o novo mapa administrativo de freguesias (o Porto passou de 15 para sete) e também as primeiras em que concorreram duas listas de independentes, uma das quais (Rui Moreira)… a vencedora à Câmara Municipal, à Assembleia Municipal e a cinco assembleias de freguesia.
RESULTADOS
CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO
Rui Moreira (INDE.): 39,25%(06 mandatos) – 45.411 votos
Manuel Pizarro (PS): 22,68% (03 man.) – 26.237 vts
Luís F. Menezes (PSD/PPM/MPT): 21,06% (03 man.) – 24.366 vts
Pedro Carvalho (CDU – PCP/PEV): 07,38%(01 man.) – 08.539 vts
José Soeiro (BE): 03,60 % (00 man.) – 04.166 vts
Nuno Cardoso (IND):01,08%(00 man) – 01.255 vts
José Carlos dos Santos (PCTP/MRPP): 00, 30% (00) – 343 vts
Costa Pereira (PTP): 00%(00) N.D
Abstenção: 52,6%
ASSEMBLEIA MUNICIPAL DO PORTO
IND Rui Moreira (Daniel Bessa): 34,69% (15 man.) – 40.134 votos
PS (Francisco Assis):23,70% (10 man.) – 27.413 vts
PSD (José Pedro Aguiar-Branco): 20,31% (08 man.) – 23.495 vts
CDU (Honório Novo): 09,89% (04 man.) – 11.436 vts
BE: (Ana Luísa Amaral): 04,98% (02 man) – 05.746 vts
IND Nuno Cardoso (Maria Inês Portela): 01,10% (00) – 01.272 vts
Abstenção: 52,59%.
PARA RECORDAR…
CÃMARA MUNICIPAL DO PORTO – 2009
PSD/CDS-PP: 47,27% (07 mandatos)
PS: 34,81% (05)
CDU: 09,76% (01)
BE: 05,02% (00)
PCTP/MRPP: 00,79% (00)
Texto: José Gonçalves
Fotos: António Amen e pesquisa Google
Trabalho foto/gráfico: Hugo Sousa
OBS: Até ao dia 05 de outubro de 2013, o nosso jornal atualizará, dia a dia, a informação da presente edição. Esteja atento(a). Obrigado!





