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Daehan Minguk – Viagem ao País do Sul

Luís Reina

 

Capítulo I

 

A Cidade Luz – Um Eterno Abraço

 

 

10 de Setembro

Paris

 

Aterrei na cidade luz.

A cidade encheu-se de uma luz intensamente dourada para me receber. O infinito azul do céu manchado, de onde em onde, por pequenas nuvens de algodão doce, abraçava-me suavemente, como nunca antes me abraçou.

Pessoas passam por mim a um ritmo alucinante, diria mesmo stressante. Eu seguia calmo, lentamente e sem pressas. Tinha todo o tempo do mundo. Sabia que de nada adiantava tanta correria, pois os serviços de recolha de malas do aeroporto Charles de Gaulle não são maus, são péssimos. A prova do que digo: quarenta minutos de espera pela minha nova aquisição deste ano – uma mala American Style, cinzenta.

Rumo ao hotel Ibis Roissy. Hotel estrategicamente situado à saída do terminal 3. Enorme quando comparado com outros onde habitualmente pernoitei ao longo dos últimos anos.

Entro. Um movimento incrível de pessoas que entra e sai pelas portas de acesso, indiferentes com quem se cruzam.

Os recepcionistas de diferentes nacionalidades, parecem não se importar com a fila de clientes que entretanto se forma para o habitual check-in, check-out. No balcão 1, o chefe do pessoal, um francês moreno, de baixa estatura e razoavelmente forte. Discute acalorada e grosseiramente com uma espanhola. Não sabe falar espanhol e ela tão pouco francês. A cliente acaba por desistir perante um empregado que, impávido e sereno, continua como se nada fosse. Os clientes comentam a falta de educação do responsável do staff. Eu divirto-me com a situação. Sou atendido, pasme-se, por um português. Aproveito para uma grande alfinetada contra a postura do colega. Ri-se.

Chego ao quarto. Dou por mim numa quase suíte, já que todos os quartos de hotel de aeroporto são autênticas cabines claustrofóbicas. Arrumo os meus pertences rapidamente. Tomo um revitalizante banho, que me dá a energia necessária para regressar ao rés-do-chão e almoçar.

Sou atendido por uma mestiça das Antilhas, mais bonita do que simpática que anota o meu pedido.

Escolho um prato de galinha cozinhado à maneira Caribenha.

Passados uns longos quinze minutos, a galinha é como que despejada à minha frente. Rudemente.

Um prato cozinhado sem o mínimo de amor por essa arte que dá fama a este país. Atrevo-me a perguntar a mim próprio onde se encontra a tão afamada “Cuisine Française”.

Não ali certamente.

Escolho uma sobremesa que aterra vertiginosamente na minha mesa já que são horas de fechar o restaurante.

Refugio-me de novo no meu quarto.

A cama, quase de tamanho digno de um rei, veste-se de branco, como uma noiva a caminho do altar e convida-me a embalar num doce sono de Morfeu. Uma sesta retemperante à qual se segue a preparação dos meus haveres, para a grande viagem que se avizinha. Nada pode ser descurado.

Para finalizar este primeiro dia e para retemperar novamente energias, decidi experimentar um segundo restaurante para o jantar. O escolhido é dedicado quase em exclusivo à “Cuisine Normande”.

A “Nouvelle Cuisine”, esta sim à “La Française”, mais para encher olhos do que barriga, mas que até devido à minha dieta, vem mesmo a calhar. Uma vez mais um preço exorbitante que nem me atrevo a escrever.

E subo, para um eterno abraço de luz que me transporta ao longo de galáxias até aos extremos dos extremos. Um oriente, que está cada vez mais perto.

 

 

 

Obs: A pedido do autor, e ao abrigo do 5.º ponto do Estatuto Editorial do “Etc e Tal Jornal”, este artigo foi escrito de acordo com a antiga ortografia.

 

 

 

 

 

01-jan-14

 

 

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5 Comments

  1. Paula Guimarães

    Fantástico Luís!
    Autênticas pinturas os teus escritos, por isso fico na dúvida se a tua amiga não tem mesmo razão. Eu diria mais “fotógrafo itinerante do mundo”.
    Obrigada por partilhares o link!

  2. Elvira

    Olá Luís! Como sempre adorei!… Fico ansiosamente á espera da continuação da viagem.

    Um grande abraço.
    Fica bem.

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