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Será 2013 um ano para esquecer?

Lúcio Garcia

2013 acabou! Normalmente dir-se-ia que foi um ano para esquecer, mas não é bem assim. 2013 foi um ano que devemos analisar com todo o cuidado e ver as malfeitorias que sobre os portugueses foram cometidas. Em abono da verdade, este vai ser um ano que muitos vão lembrar…pelos piores motivos. As consequências sob o ponto de vista político deste ano, adicionado ao anterior, são devastadores para a economia. Portugal empobreceu a olhos vistos. As filas da sopa dos pobres regressaram em força, aumentando todos os dias. Só quem não percorre as ruas das nossas cidades, e deve fazê-lo fora de horas, pois elas escondem a vergonha de muitos, é que não se apercebe do desastre social para que caminhamos.

Em jeito de balanço e ao pensar num tema para esta minha coluna, ocorreu-me o que sucedeu nas duas últimas crónicas que escrevi para o “Etc e Tal Jornal”.

A de 01 de novembro, com o título: ”A histeria do ódio contra Sócrates”, esta mereceu por parte dos leitores, 10 comentários, 688 “likes” e 587 “shares”. Em contrapartida, já a de 01 de Dezembro, “A importante escolha para o futuro”, não teve qualquer comentário, teve 20 “shares” e 25 “likes”. O que me diz isto? Fiquei a pensar. Será que o jornal não teve tantos leitores? Não, não foi o caso. Então, o que aconteceu para este artigo não merecer tanta leitura, ou maior meditação e até comentário? Este artigo, pensava eu, era bem mais importante que o outro já que se debruçava sobre a nossa vida futura como cidadãos.

simplex - 01jan14

Vejamos. O primeiro, embora encerre muito de política, assenta muito mais num personagem político. José Sócrates. No entanto, José Sócrates por si só, não me desperta grande interesse. Grande interesse, representaram as suas políticas, isso sim. O seu pensamento político. Quer se queira quer não, era possível no tempo de Sócrates descortinar uma política para Portugal. Uma ambição. As novas tecnologias, a aposta forte em todos os graus de ensino, o investimento fortíssimo que foi feito na Investigação científica, as Redes Nacionais de Ciência Viva, as energias renováveis, as rodovias para o interior, a reforma da Segurança Social, os programas “Simplex”, a Agenda Digital, o Código do Trabalho – que valorizava a negociação e a contratação coletiva ao invés do que se fez na vigência deste governo de Passos -, o apoio na reforma dos portos de Leixões, Lisboa e Sines, tendo sido criada a Rede Nacional de Plataformas Logísticas, etc., só por mal se pode negar esta evidência. Apreciei que os meus leitores me tivessem acompanhado no que escrevi, partilhando, gostando ou não e comentado o texto.

coelho mentiroso

No que diz respeito à cronica “ A importante escolha para o futuro” já me surpreendeu a ausência de comentários e partilhas. Sou honesto. Fiquei preocupado. Preocupado da mesma forma que fico quando converso com outras pessoas, ouço conversas de café ou leio nas entrelinhas do Facebook, ou outras redes sociais. E fico preocupado porquê? Porque o que é realmente importante e do qual vai depender o nosso futuro próximo, dos nossos filhos e netos, parece não importar verdadeiramente à maioria das pessoas. O conteúdo deste último texto, pensava eu, iria dar azo a que os meus leitores tivessem ações de concordância ou discordância. Tudo que está a ser levado a cabo por este Governo, tem por fim a destruição do modo de vida e do estado social a que nos habituamos. Compreendo que algumas pessoas se tenham enganado e se tenham deixado enganar pelas mentiras que foram ditas, por estes Srs. que nos governam, durante a campanha eleitoral, mas que diabo já é tempo de terem percebido que lhes mentiu.

Que lhes mentiu e continua a mentir. A mensagem de Natal de Passos Coelho, é um delírio. Um delírio e um chorrilho de mentiras. Pensei até, que se tratasse de um sósia que tivesse passado os últimos dois anos e meio noutro planeta ou muito, muito longe de Portugal, porque nada do que disse se encaixa na realidade do nosso País.

orcamentos retificativos

Coelho, chegou ao cúmulo de dizer que tinha criado 120.000 empregos! Mas o homem ensandeceu? Como é possível vermos todos os dias empresas a fecharem, as filas no Fundo de Desemprego a crescerem. Nos últimos dois anos mais de 200 mil pessoas abandonaram o País. Outras tantas desistiram de procurar emprego e não constam assim, dos números oficiais dos desempregados. Apesar disto os números do desemprego continuam em alta.

Mas, quais são os sucessos de Coelho? O que vemos são a continuação do disparo ascendente da Divida Publica que atingiu já os 131por cento …O Défice não está controlado. A cada avaliação da Troika, os números são reajustados e dão origem a orçamentos retificativos sobre orçamentos retificativos. A economia está de rastos. Mas quem não conhece, pequeno ou medio comerciante/industrial que não diga que isto está tudo muito mau? Que não sabem quanto tempo conseguirão aguentar esta situação?

Mas, o que vê este Governo e seus apoiantes que nós não vemos? Pois eles veem, o que querem ver. Exatamente. O que está a acontecer foi o que sempre quiseram. Não pensem que eles são burros ou incompetentes, que não são. O que eles estão a fazer, e à revelia do voto sufragado, é construírem um Novo Estado sobre a destruição do que tínhamos. Esta é a real situação em que nos encontramos, mas parece que ninguém se importa muito com tudo isto. De certa forma, estão a levar a bom termo, um verdadeiro Golpe Constitucional com o apoio do Presidente da Republica. Infelizmente, o líder do maior partido da oposição que não faz grande coisa.

Como é possível que fazendo este governo o que está a fazer aos portugueses, ainda mantenha uma intenção de voto razoável? Como é que a oposição não desmascara todos os dias as mentiras e o caminho que também dizem não querer percorrer? Só abrem a boca de 15 em 15 de dias? Como é possível que perante esta realidade os partidos da oposição não se entendam?

comunas - 01jan14

Eu sei que com o PCP, nunca poderá existir alianças à esquerda. Julgam-se detentores da verdade, e o seu jeito é para fazer greves. Mas, já perderam o norte, pois são tantas as greves, por tudo e por nada, que o povo já as não vê com o interesse que deveriam ter. A sua falta de imaginação politica para fazer uma oposição mais eficaz é notória. Foi assim que aprenderam e assim continuam. Como já disse varias vezes, essa ação não funciona e é por isso que nunca conseguirão, nem hoje nem no futuro, subir nas sondagens. São sempre os mesmos. Só rodam de um lado para o outro. A direita sabe bem disto e é por isso que não se incomoda muito.

Este governo fora-da-lei, tem apesar de tudo sorte. É que ainda vivemos num estado que tem uma Constituição e um Tribunal que a faz cumprir. E esse tem sido o grande suporte do que parecem ser os êxitos deste governo. Parece um anacronismo, mas não é. A verdade é que a pequeníssima recuperação da economia, segundo o Banco de Portugal e o INE, deve-se à revisão em alta do Consumo Privado. Ou seja, às virtudes do chumbo do  Tribunal Constitucional (TC), que repôs contra a vontade do Governo mais de mil milhões de euros na economia.

Com o recente chumbo do TC, sobre a convergência das pensões, esta é já a nona vez que diplomas do governo foram chumbados pelo Tribunal Constitucional, tendo todas eles contribuído para a não deterioração do tecido económico e da manutenção de algum poder de compra que vai animando as empresas e por consequência a economia.

2014 - 01jan14

O que mais desejo para 2014 é que os portugueses se envolvam mais na política, que sejam mais críticos, mas que se informem, que não caiam na esparrela de acreditar em tudo o que lhe dizem. Procurem saber dados concretos. Não vão no discurso daqueles que dizem que a minha política é o trabalho. Essa frase tão reacionária. A política é que controla o nosso trabalho. Tudo do que dependemos todos os dias tem a ver com a política. Por isso é que é perigoso afirmar que todos os políticos são uns ladrões, mais todos os epítetos que lhes costumam atribuir.

Em todas as profissões há bons e maus profissionais… em todas sem exceção. Em todas as classes sociais há pessoas boas e más. Então, porque não haveria de os haver na política? Claro que os há, mas compete-nos escolhermos aqueles que nos parecem mais sérios e que melhor defendem os nossos interesses como cidadãos. Isso é que importa. O mundo funciona assim.

Para todos, um Bom Ano 2014. Com saúde, com emprego, e que consigam alcançar o que de melhor esperam da vida.

 

Fotos: Pesquisa Google

01-jan-14

 

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