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O Congresso do PSD e as Eleições Europeias

Lúcio Garcia

O mês de fevereiro de 2014, terminou com uma das maiores demonstrações de hipocrisia e falsidade politica alguma vez acontecida em Portugal. Refiro-me ao Congresso do PSD. Um Congresso, é um acontecimento em qualquer partido para definir lideranças, mas muito mais do que isso para estabelecer o programa que define essa liderança para os próximos anos. Num congresso, devem ser discutidas todas as diferentes opiniões de todas as sensibilidades que são naturais de um partido democrático.

No final, são, então, eleitas as lideranças e o peso de cada uma das sensibilidades concorrentes à gestão do Partido, assim como, a eleição do seu líder. De um congresso, devem também sair as linhas mestras das políticas para o futuro. Em princípio isto é o que deve acontecer em qualquer Congresso de qualquer partido democrático do Mundo.

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Mas, o que aconteceu neste Congresso do PSD, teve alguma coisa a ver com isso? Na minha opinião, não. Senão vejamos: Ao Congresso, não compareceram todas as sensibilidades do Partido, o que logo enfraquece o debate no mesmo. Os militantes devem assumir as suas responsabilidades. O Congresso é o palco certo para se debater e fazer vingar as ideias que cada um ou cada sensibilidade acha correta para condução do Partido, pondo em causa se necessário, a sua liderança e batendo-se por ela. Perdendo ou não, é assim a democracia. Ao menos faziam valer a sua opinião. Defendendo-as e assumindo perante o Partido e o País as suas posições e diferenças. Ora, as vozes, desde Ferreira Leite, Pacheco Pereira e tantos outros, de diferentes sensibilidades, que entendem que o País está ser conduzido por uma cambada de incompetentes e que não defendem o interesse do País, como repetidamente afirmam, não se compreende que não tenham estado presentes.

Fica assim, por explicar a razão de tantas vozes com crédito político não terem comparecido ao debate. Ganhou o quê? A mediocridade e o aparelho? O Partido e o País não foram com certeza. Das vozes criticas, à última hora, algumas lá foram aparecendo, isoladas, separadas umas das outras. A nítida sensação que ficou, foi que apareceram, não para fazer ouvir as suas vozes até então críticas da direção do PSD, mas antes, fazerem-se ver para memória futura e não serem acusados de nem terem aparecido. O que foram lá fazer? Espremidos os discursos dos que ainda falaram, nada de verdadeiramente crítico surgiu. Afinal parece que tudo estava e está bem.

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Dos discursos, para quem os ouviu, sobra uma realidade indiscutível, o que deveria ser uma discussão sobre os objetivos políticos do PSD, passaram a ser os de um comício eleitoral antiPS e antitudo o que é contra a linha de Passos Coelho. Até alguns dos seus mais influentes militantes, foram vilipendiados. Aguiar Branco em determinada altura mais parecia o porta-aviões de Portas a atirar em todas as direções que não fossem a voz do dono. O PS foi feito de gato-sapato e a política desceu ao seu mais baixo nível. Marcelo, que se ouvia crítico de Passos, chegou com uma piadinha, que na verdade transpareceu o real objetivo da sua presença no Congresso. Disse ele: Parece que me vim fazer ao piso…e não é que foi mesmo?

E quer este comentador catavento como lhe chamou o partido em moção aprovada, ser Presidente da República. Um candidato a Presidente que se comenta a si próprio nos palcos da TVI. Um comentador candidato a Presidente que não tem o sentido da equidistância apartidária e também ele desfere farpas apolíticas contra o PS, apenas para ver se o partido o perdoa e faz dele candidato.

Fez um discurso sobre a história do PSD, emotivo, mas que deveria ser de jorrar lagrimas pela saudade dos tempos em que era, já não digo social-democrata porque nunca o foi, mas de social-liberal. Pena que não haja espíritos. Que a vida depois da morte seja uma treta, pois se assim não fosse, Sá Carneiro teria aparecido no Congresso, e todos teriam morrido de pavor com o que ele teria para dizer. A razia seria completa, não escapava um. Todos são, no mínimo, traidores à ideia do social-liberalismo dos seus fundadores. Aliás, altura para referir mais uma mentira desta vez histórica na voz de Passos Coelho ao dizer que a social-democracia nasceu dos “Rebeldes da Assembleia Nacional do Estado Novo”. Rebeldes é palavra minha. Que torpe mente sem qualquer noção de verdade da política e da história da política. Hugo Soares aproveita também o momento para chamar António José Seguro de “Ruth Marlene”, veja-se onde chega a baixa política. Muitos seriam e foram, os exemplos ao longo desses três dias de Congresso da baixa política contra o Partido Socialista.

Mas a palhaçada final, não ficaria por aqui. Para terminar com um desfecho de gargalhada, só poderia ser, não é que acabam o Congresso a pedir um consenso ao Partido Socialista? Esta gente não tem sequer a noção do ridículo. Dá para perceber bem as palavras daquele militante de base, o tal Salsinha, que representa bem o espirito do PPD/PSD. Mais Rosas, menos Cravos…será que queria dizer mais igualdade de género? Não. Estou certo que no subconsciente dele e do Partido o que querem dizer é menos 25 de Abril.

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Mas, um dos momentos altos, foi a indicação de Passos Coelho do “Dr.” Relvas para presidir ao Conselho Nacional do Partido, tornando-se assim um dos principais conselheiros de Passos e do Partido. Como é possível, escolher para um cargo destes, um homem que foi humilhado, e bem, na praça pública e sujeito a inquérito ordenado por um seu colega ministro, por alegada fraude no seu titulo académico?

Neste momento, Passos e Relvas são alvo de um Inquérito da Comissão Antifraude da Comissão Europeia, relativos ao financiamento da Tecnoforma, por alegada má gestão ou fraude na aplicação dos dinheiros públicos. As investigações recaem também sobre (ONG) denominada Centro Português para a Cooperação, entidades que foram dirigidas por Pedro Passos Coelho. Era na altura Miguel Relvas, secretário de Estado da Administração Local. Para já, o resultado desta escolha traduziu-se numa derrota de Passos e de Relvas, apesar do manifesto apoio ao líder, a sua lista apenas conseguiu 18 lugares em 70, perdendo a maioria no Conselho.

O resto do Congresso, traduziu-se numa pretensa festa em que foram elogiados os “êxitos”, que resultaram na frase de Luís Montenegro que diz: “O povo está pior, mas o País está melhor”. Ninguém de bom senso compreende esta frase nem este “êxito”. Quanto ao povo, as pessoas, são os mesmos que reconhecem que estamos muito pior. Este facto é por demais evidente para poder ser, sequer negado. Quanto ao País tudo não passa de uma ilusão e de uma mentira.

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Vejamos: Segundo os últimos relatórios do FMI e CE, não foram feitas nenhumas reformas estruturais da Economia Portuguesa. Nem uma! Portugal está definitivamente mais pobre. O consumo interno caiu. No site da Associação Nacional de Empresas de Recursos Humanos pode ler-se: As previsões da Comissão Europeia apontam para uma quebra real dos salários de 5% em 2012 (a maior da União a 27) e de 1,1% em 2013, a que se soma ainda a perda de 3,3% este ano.

A perda nos próximos dois anos foi revista em alta desde o boletim da Primavera, refletindo o efeito dos cortes nos subsídios de férias e de Natal na função pública – que a Comissão parece interpretar como uma situação permanente, falando em “eliminação” das duas prestações –  e da pressão acrescida sobre os salários no setor privado.

A perda em termos reais mais profunda em 2012 reflete também a combinação do aperto nominal nos salários, com uma taxa de inflação ainda na casa dos 3por cento. Segundo as previsões da União Europeia, os salários vão recuar quase uma década. Os Bancos, que estiveram do lado dos que pediram a vinda do FMI, devem hoje estar muito arrependidos, este governo de sucesso levou os sete principais bancos portugueses a registarem nos últimos três anos um prejuízo global de 5.464,1 milhões de euros.

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O défice continua todos os anos descontrolado, só aparentemente passa nos exames da troika porque eles são também parte do fracasso desta politica. A dívida pública, está nos 130 pontos percentuais, um recorde histórico na vida financeira do País. Recordemos que a divida era em 2011 de 107,2 por cento do PIB. Este governo produziu mais divida em dois anos e meio do que os governos de Sócrates em seis. Com uma diferença significativa os seis anos de Sócrates tem obra, estes dois anos e meio têm destruição.

Segundo o “Jornal Economico”, o “excedente externo de 2,6 por cento do PIB registado em 2013 é fruto de circunstâncias excecionais e está a implicar “um esforço brutal da economia, acima das suas possibilidades”, alerta Ricardo Cabral, professor da Universidade da Madeira. Os números não mentem o êxito é uma fantasia. Um conto de embalar que nos atira cada vez mais para o abismo.

O governo insiste no êxito das exportações, e bem. O problema é que, esse êxito, não dependeu em nada da sua ação. Dependeu sim, das exportações de combustíveis (Refinaria de Sines) das fábricas de papel (Portucel),dos investimentos nos portos, e de todos os outros investimentos apoiados pelo governo anterior que foram apelidados de projetos megalómanos e de gastos excessivos que afinal estão agora a dar os seus frutos.

O aumento das exportações, toda a gente de bom senso sabe, que demoram anos a obter resultados, não será assim possível atribuir a este governo qualquer êxito neste aspeto. Falam para um determinado eleitorado a quem frequentemente enganam, e que acreditam nas suas mentiras. Para qualquer pessoa que pense um pouco o que eles conseguem inconscientemente, é bater palmas aos governos de José Sócrates por serem as exportações e alguns empresários a sério que estão a aguentar este País. Até no turismo, quer queiram quer não, o aumento do mesmo, resulta sim, das movimentações rebeldes e hostis que se verificam em todo o Norte de Africa, desviando o Turismo para os países do Sul da Europa, sendo Portugal um dos seus beneficiários.

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Foram também recentemente anunciados os candidatos a cabeças de lista para as Europeias. O PSD, mais uma vez usando de um golpe baixo, depois de ter dito vezes sem conta que o seu candidato só seria indicado em março como é usual, afinal lançou-o no Congresso, para deixar o PS entalado. Seguro respondeu no dia seguinte, com o nome de Francisco Assis. Seguro não cedeu à tentação, mas a verdade é que o compreendo. Seguro não poderia deixar o candidato do PSD a falar sozinho e sem opositor. Os dados para as Europeias estão lançados. De um lado temos um homem do “status quo” Europeu, da Direita Europeia. Candidato de uma coligação de governo que é mais Merkel do que Merkel, mais troikista do que a troika. Representante de um governo de como disse há dias um membro da Troika, muito do que foi feito, foi por opção do Governo Português e não por imposição da troika, que nos tem sugado até o sangue.

Esse candidato do PSD/CDS, pertence a uma coligação de partidos que nos tem sujeitado e ultrapassado por sua vontade, a todos os limites do razoável e não tem defendido os interesses de Portugal. É um candidato do qual não sabemos o que querem e esperam da Europa. Como pode ele saber se o governo e o partido de Passos ou Portas nunca o disseram?

Do outro lado temos o candidato do PS, Francisco Assis, homem com ideias claras acerca do que é e deve ser a Europa de que precisamos. Uma Europa de solidariedade, uma Europa com um Banco Central com poderes iguais aos das outras federações de estados ou mesmo Países fora do Euro. Um verdadeiro Banco Central. O que se espera de uma Europa a sério já tem sido dito frequentemente por muitos dirigentes do PS, e os seus representantes no Parlamento Europeu são prova disso. Esperemos que também eles agora ajudem a mudar toda a corrente socialista na Europa mais um pouco para a esquerda e ajudem a novas esperanças para a Europa, sem a qual nunca conseguiremos sair do atoleiro em que nos encontramos.

 

 Fotos: Pesquisa Google

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