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Será este o reerguer de uma nova Bandeira?

José Gonçalves

Diretor

A cidade do Porto parece estar a sair do casulo ao qual esteve submetido durante algumas décadas, tanto no que concerne à sua presença no contexto social, financeiro e económico do país, como na defesa dos seus mais elementares valores identificativos regionais, sendo perenes a sua milenar História, a sua Cultura, a sua Gente…

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Os tripeiros foram habituados a agitar bandeiras, porque a isso foram obrigados pelos absolutistas poderes centrais, sediados ou sedeados, ora no Terreiro do Paço, ora em outros paços de conveniência política, económica e, outrora, religiosa.

O Porto parece começar a despertar, não só pelos prémios, galardões e outras coisas parecidas que lhe são atribuídos a nível internacional, mas também por quem vive a cidade, sente o seu pulsar, e está farto de tanto marasmo e de tanta falta de respeito por uma região que não é, nada mais, nada menos, que a capital do noroeste peninsular.

Não sei, sinceramente, se está de regresso ao Porto a sua “Praça Nova”, sítio que, em meados do século XIX, punha em sentido a sua homologa lisboeta do Comércio. Por cá, nessa altura, estava o motor da economia, do desenvolvimento industrial e comercial. Aqui decidia-se o futuro do país por meritocracia, por coragem e ousadia sem o apoio, explícito ou implícito, de políticos – muitos nortenhos migrantes – a “residir” nos centros decisórios da capital do Império?! Agora, o que sei, é que começa – com diversos e incentivantes empurrões internacionais – a reaparecer o Porto Invicto. O Porto que não quer ser centralista como os centralistas que o atrofiaram e continuam a atrofiar.

Trata-se do Porto que não quer, no fundo, ser mais do que é, e, pelo que é, deve ser apoiado diretamente – porque a esse apoio/investimento a ele tem direito – pelos tais fundos de quadros europeus, que depois se transformam em “quadrilhas” económicas que, normalmente, fazem “desaguar” milhões de euros sempre no mesmo sítio: a margem esquerda da foz do Tejo.

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Por estas e por outras é que os tripeiros gostam de levantar bandeiras, se bem que para as erguerem tenham passado um “tempão” a trabalhar e a fazer das suas tripas coração para, na realidade, as erguerem até à exaustão. Os mais novos lembram-se, por certo, das bandeiras desportivas do FC Porto – “n” de vezes” campeão nacional, europeu e intercontinental – do Boavista – que ergueu o “caneco” de campeão nacional de futebol no início do presente século, e, por cinco vezes, o da Taça de Portugal, entre outras “canecos” referentes a outras modalidades desportivas – e do Salgueiros – o tal clube de “bairro” que também chegou à Europa das competições do pontapé na bola. Estes factos fizeram desconfigurar o mapa pré-traçado das conveniências centralistas… “terreiropacistas”.

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Outras bandeiras o Porto ergueu com muito custo: mas ergueu! Ninguém queria acreditar que a região pudesse ter um Metro. E teve-o. Tem-no! Apelidaram um dos maiores lutadores para construção do mesmo, Fernando Gomes – na altura presidente da Câmara Municipal do Porto – de “lunático”, ou de “maluco”. Ele e outros Senhores do Porto, do Norte, conseguiram contrariar os tais adjetivos (des)qualificativos, com muita luta; muita força de vontade; e, acima de tudo com a voluntariedade de tripeiros e nortenhos de gema (Vieira de Carvalho, Valentim Loureiro e etc e tal) e erguer a tal bandeira de loucos que seria a bandeira da Metro do Porto. Por estas e por outras é que, ao longo da sua história, o Porto faz jus ao lema “das tripas coração.

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O Porto sempre defendeu bandeiras até à morte: a Republicana – como seu 31 de janeiro -, antes, a Liberal (1820). Deu, só com estes dois exemplos, um exemplo ao País, e deu-o também como Cidade do Trabalho, sendo que, antes, já era considerada cidade Mui Nobre, Leal e Invicta.

Outras bandeiras foram-se se erguendo e espalhando pelo mundo: o famoso Vinho do Porto, a (recente) “Francesinha” – que hoje até se confeciona na China – o Bacalhau à Zé do Pipo e o à Gomes de Sá. O Rio que é de Ouro. Os rabelos. A Ribeira. O Palácio da Bolsa  e o seu Salão Árabe. Mais recentemente: a Casa de Serralves e a da Música.

Foi capital europeia da Cultura – outra bandeira digna de registo -, corremos há dois séculos com os invasores napoleónicos, depois de tragédia que matou muitos dos que cá viviam… mas os franceses foram para o “raio que os parta”.

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Agora, o Porto tem vindo a levantar as bandeiras negras do maior índice de desempregados do país; do maior número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção… dos sem-abrigo… da cidade devoluta. Mas, contracorrente, o Porto não desiste e teima em encontrar outras bandeiras. Luta por elas sem se humilhar. Luta!

E eis que, recentemente, chegou mais um galardão para a Invicta que é esta cidade. O povo ficou orgulhoso, porque, orgulhosamente, também nele votou: “Destino Europeu 2014”.

Mas, não foi só a gente cá da terra que, nas redes sociais, o fez, Fê-lo também gente dos quatro cantos do mundo que admiram esta cidade e lhe dão mais credibilidade que certos “terreiropacistas” muitos deles nados e (mal)criados nesta terra.

Começa-se a ganhar uma nova bandeira. O discurso do presidente da Câmara, Rui Moreira, é diferente, para melhor, que o do seu antecessor, isto no que concerne à defesa dos mais elementares interesses da cidade.

Há, por certo, muitas coisas a fazer de modo a colmatar graves problemas a ter em conta: os bairros sociais e as “ilhas” da desprezada zona oriental do Porto; a reabilitação do Mercado do Bolhão; o incentivo à criação de empresas e de emprego; o apoio à Cultura e às coletividades e instituições que o promovem; o repovoamento residencial do centro do Porto; a defesa do Centro Histórico recuperando a intervenção, a todos os títulos, do mesmo; o embelezamento estrutural da escarpa das Fontainhas e uma solução para a centenária Ponte Maria Pia que está “morta” há “canos” e outras coisas mais, e mais… e mais.

Mas, mais teremos de ter também em atenção esta nova postura camarária, “empurrada” internacionalmente” para fazer coisas; coisas que passam ao lado do Terreiro do Paço, de S. Bento e de Belém.

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Coisas que são nossas e nós, por cá, as teremos de fazer sem bairrismos balofos e interesses sub-reptícios, se os fundos aos quais temos direito não desaguarem, pela quinta vez, na margem esquerda da Foz do Tejo.

Por cá temos muito para dar e vender. Cultura. Simpatia. Gastronomia. Inovação. Criatividade. Massa cinzenta; projetos inovadores; hospitais de referência.

Estas mais-valias são, repito, reconhecidas internacionalmente, mas passam ao lado dos centros de decisão na capital do Império. Alertar o poder central para o facto de que não estamos a dormir e que desta vez terão a oposição declarada do Porto de se voltarem a utilizar os fundos europeus (total de 21mil milhões de euros) no conhecido “spill over” – investir em Lisboa com dinheiros destinados ao Norte, Centro e Alentejo, no pressuposto desses investimentos contribuírem para o país em geral – é um bom princípio para se começar, desde já, a chamar a nós o que é nosso, ou o que nós temos direito. Tal postura valeu já algumas críticas por parte de certos governantes. O incómodo foi notório. Porquê tanto incómodo?

Caros amigos, e amigas. Seguidores e ou não seguidores desta rubrica. Quem me conhece sabe que me marimbo para os “likes”, e que quanto menos “likes” tiver melhor estou comigo, porque comigo outros “likes” estão com o jornal.

Pavonear-me com essa “coisa” de mudar de fotografia, como se muda de camisas ou de cuecas… é de fraco sentido presente.

Vai para todos um abraço fraterno

E até a um dia de março. Talvez mais para a primavera que estou farto de chuva…

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4 Comments

  1. José Gonçalves

    Oh querida amiga?! O jornal não está marado, isto são coisas mais governamentais do que propriamente joslisticas. Independentemente de gostar da minha entrevista do que da minha peça opinativa, tem a sr.ª nobre coluinits a e amiga, que enviar os comentários para a “casas” certa. Beijinhos Maria de Lourdes

  2. Lourdes dos Anjos

    ó senhor diretor “esta coisa” tá marada…então comento a entrevista e aparece aqui nesta coluna!?…bailha-nos deus, carago!

  3. Lourdes dos Anjos

    PARABÉNS AO ENTREVISTADO E AO ENTREVISTADOR.EXCELENTE TRABALHO Sem meias palvras nem fugas nem tristes remedeios.MUITOS PARABÉNS.

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