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Estranhas coincidências (?!)

José Gonçalves

(Diretor)

Portugal. Maio 2014. Mês de eleições. Eleições para o Parlamento Europeu. Estamos também a um ano e meio de outras eleições. Eleições Legislativas. Não sei se já repararam nisso. Mas se não repararam, deveriam ter reparado.

Vamos lá ver. Calma!

O que é que acontece quando as eleições e respetivas campanhas estão à porta da nossa porta? Normalmente aparecem, ou não, boas notícias para alegrar a malta? Aparecem, pois aparecem. É sempre assim!

A democracia tem destas coisas, principalmente quando certos “democratas” nos querem fazer passar por burros (com respeito pelos animais), ou pensam que todos sofremos de Alzheimer.

Há quem tenha medo de falar publicamente sobre as eleições, porque poderão, implicitamente, estar a beneficiar este ou aquele partido, esta ou aquela coligação, como se nós não os conhecêssemos e não soubéssemos que tipo de palhas têm no rabo. Mesmo assim, abstêm-se de comentários. Resignam-se. Calam-se. O que, em boa verdade, e em certos casos, é uma posição inteligente por ecológica e higiénica que é.

Mas, isso não impede que a campanha eleitoral sub-reptícia se faça em larga escala, ainda que sem grande criatividade, diga-se de passagem.

Há pouco perguntava: normalmente, aparecem ou não aparecem, nestas alturas, boas notícias para a malta? Pois aparecem, e por que é que aparecem? Você sabe… eu também! Todos nós sabemos, alguns é que fazem por não saber.

Ora, vamos lá ler algumas boas notícias, todas elas bem recentes. Atenção, repito: estamos em mês de eleições e daqui a um ano e poucos meses… também.

Vamos lá, então, às boas novas.

demagogia

1-“Os cortes aplicados pelo governo desde janeiro, de forma cumulativa às reformas e pensões de sobrevivência superiores a dois mil euros, serão devolvidos em maio.”

Em maio… este mês! Ora, por quê? E logo neste mês?!

2-“Em 2015, o governo quer alargar critérios para mais portugueses terem acesso a tarifas reduzidas na eletricidade. Serão beneficiadas 500 mil famílias, as quais poderão vir a ter um desconto na luz de… 34 por cento”.

Ena que altruísmo! Está bem, a gente agradece, mas quando é que foi anunciada esta possível decisão governamental? Em meados de abril, respondem bem. E por quê em meados de abril deste ano?

3-“O governo confirma a intenção de reduzir a fatura paga pelos consumidores de gás natural em cinco pontos percentuais nos próximos três ou quatro anos…”

Nos próximos três ou quatro anos pensa reduzir a fatura?! Se é para os próximos três ou quatro anos, por que será que foi já anunciada a coisa, e logo em meados de abril, a menos de um mês das eleições? Vocês sabem. Todos nós sabemos. Alguns é que fazem por não saber.

4-“O governo quer atualizar o Salário Mínimo Nacional (SMN), como pretende dar incentivos à natalidade criando uma conciliação entre a vida familiar e profissional e as políticas de emprego”.

Porreiro, vamos a isso. Mas, só agora é que se fala nisso, e logo nesta altura a menos de um mês das eleições é que se está a motorizar todo este processo?! Só agora? E por quê… só agora?!

pouca-vergonha 1 - 01mai14

Oh minha gente, ninguém gosta que lhe comam as papas na cabeça. Bem, penso eu que não, porque, pelo andar da carruagem… já não sei. Só sei que é mais cego aquele que não quer ver, ou seja, não quer ver esta campanha demagógica, de fogo-de-artifício e bailarico na eira com banda contratada, como antigamente, alguns mandavam fazer.

Isto, diria a minha avó, “é uma pouca-vergonha!”. E é! Estou, agora, à espera de saber os resultados das próximas eleições, que são europeias, mas também são nossas. Estou à espera de ver se vale, ou não vale, a pena roubar neste país. Já se sabe que o ladrão não tem Justiça que o prenda… tudo aqui prescreve, mas só prescreve para o grande ladrão. Ai de si que furte duas laranjas no supermercado da esquina. Ai! Ai!

Estou, assim, para ver se vale ou não vale a pena roubar em Portugal. Estou para ver quantos portugueses estão ao lado de quem diz ter-lhe ido aos bolsos. É que se até há pouco tinham de nos ir à algibeira para recompor Portugal e lhe dar soberania, como é que, de um momento para o outro, e, precisamente, a poucos meses de eleições, se fazem estas promessas?

Se estava tudo bem encaminhado, porque não anunciaram a “coisa” antes? Não! Não podiam. A estratégia político-partidária, pró-ultraneoliberal, tinha de ser outra, e, atenção, que a ideia da estratégia não nasceu aqui. Não! Nasceu num país que já fez muita Merkel na Europa. País ao qual perdoaram dívidas, mesmo depois de, em tempo de guerra, os regimes lá instalados terem matado milhões.

flor murcha

Há quem pense que os portugueses sofrem de Alzheimer. Aliás, um deles, de cravo na lapela, disse mesmo que a “democracia e a liberdade têm de ser regadas todos os dias”. Era bom que fosse, porque, assim, a dita flor já tinha murchado há muito. Mas não, ainda está lá.

A “flor” é bem tratada, e tratada por “tratadores” milionários. É flor que quer dar rebentos em maio e que daqui a um ano – depois de sugar tudo o que poderá ainda sugar – erguer-se mais uma vez, esperando que os portugueses lhe reguem o vaso.

Acredito, sinceramente, que os “nós por cá” têm memória. Sei também que, às vezes, é difícil ir ao “baú” das recordações. Mas com um esforçozinho vão lá, vão ao “baú”, basta que antes olhem para a carteira, apalpem os bolsos e vejam os estratos bancários do mês findo.

Todos nós sabemos – alguns fazem por não saber – que eles querem  nos troikar os passos, mas nesta “caminhada” só cai quem quer. Não é verdade?

Quantos, então, irão cair nessa troika a 25 de maio de 2014? Estarei atento, como estarão atentos o milhão e tal de desempregados, de beneficiários do Rendimento Social de Inserção, aqueles que nada têm, os pensionistas e reformados, os mirantes, imigrantes e emigrantes… os novos-pobres. Com troikas-tintas, e outras troikas que para aqui não são chamadas, a verdade é que nos troikaram os nossos destinos, as nossas vidas e as vidas dos nossos. Muitos foram troikados, e com tanta troika, obrigados a desistir, partindo para sempre.

Dia 25 estarei atento.

Até lá.

 

01mai14

 

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2 Comments

  1. Maria Silva

    É um alerta. A demagogia barata… mata. É um alerta a ter em conta, principalmente para aqueles que dizem não ter votado neles, mas que votaram e vão continuar a votar.

  2. Manuel Silva (Lisboa)

    Caro diretor.

    É importante relembrar certas e determinados jogos demagógicos. Parabéns pelo jornal. Prá frente é o caminho!

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