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Chama o António!

José Gonçalves

Estava, aqui há uns dias, a pensar, sinceramente, em escrever algo sobre a estrondosa e histórica derrota da coligação de direita (PSD-CDS) nas sempre pouco participadas eleições para o Parlamento Europeu. Estava também a pensar em abordar, com alguns e interessantes pormenores, o excelente – mas não surpreendente – resultado obtido pelo MPT de Marinho e Pinto. E também o crescimento eleitoral da CDU. E também a queda vertiginosa do Bloco de Esquerda. Iria também falar, só que neste caso, tenho mesmo que falar, sobre a vitória do Partido Socialista de António José Seguro. Nem 48 horas depois de festejar de forma insossa, Seguro foi surpreendido, com o anúncio do seu camarada Costa em querer avançar para a liderança do partido.

Reconhecendo que o PS não cativou eleitorado, mesmo depois de ter (de forma despropositada, até porque se tratavam de eleições europeias) de lançar publicamente um programa para as “Legislativas”, penso que Seguro levou de Costa um empurrão humilhante; empurrão esse que ofereceu um “rebuçado político”à direita, entretendo os portugueses com questiúnculas domesticas, e fazendo passar, ao de leve, e por detrás das cortinas e dos holofotes, os principais problemas do país. Vá lá que a decisão do Tribunal Constitucional ao reprovar três normas do OE para 2014 equilibrou as coisas em termos mediáticos, caso contrário Costa – precipitadamente – estaria a dar à direita um protagonismo desnecessário, não pelo facto de ter perdido as eleições, mas pelo facto de o PS as ter vencido por pouco. Ou seja, quiseram fazer crer que foi a direita que perdeu as eleições e não o PS que as ganhou.

Tudo pareceu-me precipitado. António Costa – sabia-se – estava à procura de uma oportunidade para confrontar Seguro e chegar à liderança. Não o conseguiu nas “Autárquicas” , mas agora, com fortes empurrões – tudo de gente credenciada e que nós vamos conhecendo de dia para dia. Tinha que ser! E tinha que ser porque o PS ganhou. E tinha que ser porque o PS poderá ganhar as eleições legislativas daqui a um ano e pouco. E tinha que ser porque – penso eu e muitos portugueses – há a forte possibilidade de grande distribuição de tachos aos amigos e amigos dos amigos. Então, os amigos e seus amigos não deixaram de apertar o cerco a Costa, gritando em forma de apelo urgente, à porta de hotel de luxo (o PS gasta e gosta dessas mordomias): Chama o António!

Quem ouviu o grito até pensou que fosse para chamar o António… Guterres, porque o Seguro, outro dos “Antónios”, já lá estava dentro. Não era nem para ele, nem para o Santo que também é António, é casamenteiro – conciliador – e está aí a animar a malta (mais que os 66 e tal por cento de abstencionistas) pela capital do Império. Não! Era pelo Costa. O grito foi ouviu-se na Câmara alfacinha, e logo no dia a seguir, ou quase, e sem comunicar oficialmente nada ao partido, o Costa, à comunicação social, mostrou-se disponível para ser secretário-geral do PS e futuro primeiro-ministro de Portugal.

tachos e panelas

Concordando que, na realidade, José Seguro não é um político que cative massas, independentemente de ter vencido duas eleições (“Autárquicas” e “Europeias”: contra factos não há argumentos) em situações muito difíceis, devido às contestações quanto ao governo de Sócrates, a verdade é que e de per si, pareceu-nos que Costa, o tal António, foi oportunista e nada leal para com o seu camarada Seguro, sabendo ele, o Costa, que no sábado a seguir às eleições haveria, como houve, uma reunião importante da cúpula socialista.

O homem, Costa, não perdeu tempo, ou não o deixaram perder mais tempo, porque isto de socráticos, soaristas, sampaístas, alegristas, e outros “istas”, fazem do PS ao mesmo tempo que um partido plural (que o é!), uma força partidária que mais parece uma salada de frutas e, pior ainda – sob a ótica do povo que não votou ou votou no Marinho e Pinto – uma cozinha do Master Chef, repleta de tachos e à espera de um… chef, que saiba empratar  a mais divina refeição para alimentar e calar a canalhada (termo tipicamente tripeiro).

Por estas e por outras, está dado o lamiré para que o PS, no próximo ano, não tenha maioria absoluta e tenha mesmo que se coligar (acordo pós-eleitoral) com o MPT, de Marinho e Pinto (ministro da Justiça?) o Livre e, talvez, com o renovado (?) BE. Os portugueses não gostam destas “jogadas”; “jogadas” que não deixam de ser “cristalinas”, abertas e reveladoras da democracia interna de um partido, mas… saturantes. Democraticamente cansativas, quase que infantis.

E eles teimam em não mudar. Quando referi serem jogadas infantis, relevo a indisposição de Seguro na Assembleia da República quando se discutia uma moção de censura do PCP (mais ao PS que ao Governo). O senhor secretário-geral entrou a meio da sessão, de nariz empinado, e fez mal! E fez mal também não convocar, dias depois, um Congresso e eleições diretas. Foi-se pelas primárias. Terá o homem medo de Costa num confronto eleitoral direto, e medo de perder o tacho e os outros tachos que prometeu aos seus amigos?

Atenção que perguntar não ofende. Mas parece que sim. Tanto um como o outro, estou certo, que querem fazer tudo por Portugal, por acabar com esta política ultraneoliberal de austeridade, mas é um mau começo para dar um verdeiro pontapé eleitoral na direita coligada e que, mesmo depois de um “banho” nas Europeias, surge impávida e serena, como se nada tivesse passado, tudo, mas tudo, à custa da precipitação de António Costa.

António Costa que é, sem dúvida, um político com provas dadas, e que poderá dar mais “sal e pimenta” ao PS, revela já um problema:  os seus amigos falem mais por ele do que ele fala na realidade. Repito: distribuir tachos é difícil e não é coisa que os portugueses aceitem. A verdade, é que os portugueses estão a ver as coisas, e não devem estar a gostar de mais do mesmo.

Os socialistas chamam o António, há também portugueses que chamam por outro António que mesmo depois de ter batido a caçoleta ainda anda na boca de algumas pessoas, e isto porque os eleitores estão fartos destas políticas, deste jogos de tachos e panelas,  destes jogos de Monopólio; desta política mediática, autista, doméstica… de lavandaria.

O Portugal democrático precisa, com certeza, de um PS forte, com um líder carismático, mas, a começar a coisa assim?! Bem… algo vai mal na Lusitânia.

Chamem lá o António, seja ele Seguro, Costa, Guterres, ou até o Santo… mas tenham piedade de nós, que nós (passe a publicidade) já não os aturamos!

Venha daí o António, mas o Variações, é que por cá está tudo avariado! Marado!

Sejam felizes, mesmo tendo de aturar esta malta!

 

Obs: Quando estiverem fartinhos disto tudo, à hora do “Telejornal”… liguem para o Panda.

 

01jun14

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3 Comments

  1. Antonio Oliveira

    Caro Sr. Director José Gonçalves.
    Habituado a ler os seus textos normalmente muito assertivos não me deixei de admirar com esta analise que faz da situação do PS.Uma boa coisa que tem a democracia é a possibilidade de nos podermos exprimir de e analisar as coisas de formas diferentes. Assim sendo vou reflectir sobre o que disse. Primeiro não me parece bem que aborde a questão do poder e dos partidos como fabrica de tachos. Em alguns casos até pode ser verdade e sabemos que assim é, mas não podemos generalizar as coisas.É preciso distinguir o trigo do joio. Alias e de qualquer forma não me parece que um cargo no Governo de qualquer pais democrático seja um tacho.É preciso ter estofo para aguentar uma legislatura onde os inimigos são tantos que nos infernizam e vasculham a vida não perdoando qualquer erro por mais humano e corriqueiro que seja. Populismo posto de parte, sabemos que assim é. Mas vamos ao ponto que interessa. A crise no PS. Discordo em absoluto da sua analise e isto porquê. Seguro está na liderança do PS, há mais de 3 anos. Tem tido uma vida no partido, razoavelmente satisfatória,quase sem oposição interna, pelo menos que não lhe tenha permitido governar o Partido como ele quis. Sabemos é certo que teve oposição e que esta se foi manifestando que quando em vez. Costa já lhe tinha dado um serio aviso. Ficou-se por uma pequena remodelação no Secretariado que lhe deu algum equilíbrio embora tivesse dado margem de manobra a Seguro para que levasse o partido em frente. Para qualquer observador atento, foi notório que acção desenvolvida por Seguro foi fraca, deu vários tiros nos pés, na Assembleia da Republica não se pode dizer que alguma vez tenha realmente vencido um debate com Passos Coelho. A oposição no PS, e até muitos apoiantes de Seguro reconhecem esta evidencia. A Seguro falta-lhe fibra.Falta-lhe convicção. Mas, quem anda na rua e ouve as pessoas não é frequente ouvir este lamento?Seguro ele sim é um homem do aparelho. Conquistou o Partido por dentro, com os amigos. Seguro cavalgou a campanha negra feita contra Sócrates e nunca foi capaz de assumir com coragem a verdade da sua governação. De certo modo aproveitou-se da Campanha que lhe foi movida pelos ideólogos da mesma.Passos e Relvas,seus amigos como todos sabem. Sabe-se hoje mais as mentiras que foram ditas sobre Sócrates pelos próprios que a fizeram do que por Seguro que deveria ter assumido as responsabilidades ( boas e más) do legado do PS.Um partido Politico ao contrario do que muitos fazem crer, não é propriamente um clube de 20 amigos onde se devem fidelidades. Um partido politico é uma organização cívica, que tem por fim a discussão de ideias baseadas num determinada área política e cujo fim se destina à conquista do Poder,de forma a poder aplicar aquilo que acredita ao serviço do País. A sua liderança pode mudar de acordo com as circunstancias e deve obedecer aquele estando disponível se assume de forma democrática para melhor levar avante os desígnios do Partido e a sua politica definida em congresso. Chegados a este ponto, é aqui que tudo hoje se transforma e dá origem a uma reviravolta no PS e ainda bem , ma minha opinião. Será que não se passou nada de importante? Claro que passou. Passou-se uma coisa que alterou radicalmente e terá que continuar a alterar o rumo do PS, se este não quiser desaparecer da face do Pais durante muitos anos.O povo ao pronunciar-se contra este governo PSD/CDS, de forma inequívoca ao dizer que não quer mesmo este governo, também não disse que queria o PS. Essa é a questão. Um questão da maior importância, face ao quadro que se poderá adivinhar numas próximas eleições se tudo ficar na mesma. Há direita temos um PSD/CDS, que não sabemos como vai a eleições, separado ou em coligação. Com os 27% que agora teve e perante o desastre que foi a sua governação, ainda considero que tem hipótese de recuperar visto serem exímios no engano e no eleitoralismo que os caracteriza. A culpa em ultima instância continuará a ser de Sócrates e do Tribunal Constitucional. À esquerda, temos dois partidos o Bloco e o PCP, que não tem maior inimigo do que o PS, veja-se a campanha principalmente do PCP, contra o PS, até parecia que era o PS quem governava.As suas técnicas vem de longe e estão muito bem ensaiadas. O PCP alia-se mais depressa com o PSD do que com o PS, Isso já vem de longe, e basta ver o que acontece nas Câmaras e assembleias de freguesia por esse País fora, só cai na esparrela quem quer ou é ceguinho. Ficou-nos uma novidade, Marinho e Pinto. O partido de um homem, isto embora diga muita coisa, não se pode contar com muito. É um eleitorado de quê? De protesto? volátil? Ainda perdurará nas próximas eleições ou vai desfazer-se diluído como se encontrava antes destas eleições por vários partidos. Que segurança nos dá um governo saído deste quadro eleitoral? Caso as coisas se mantenham como estão como se vai formar um próximo governo. Que força terá o PS para formar governo…ou a direita ,não vão contar que o PCP vai ter maioria absoluta pois não? Ora é perante este quadro que surge António Costa. Homem com provas dadas. Pessoa a quem ninguém ousa apontar qualquer falta de seriedade ou de carácter. Homem que nunca foi do aparelho. Que sabe com que linhas se cose, que sabe dialogar, homem de consensos à esquerda e à direita. Homem capaz de bater o pé em Bruxelas, de não se deixar abater.De governar acima de tudo ao serviço do Pais. António Costa é um Republicano um homem de serviço público. É por tudo isto que Costa tinha a OBRIGAÇÃO e o DEVER de avançar. Sei que se conseguir vai ser um fardo para ele mas os Homens de carácter são mesmo assim. Vão à luta quando é preciso. No meu caso embora não seja militante do PS, deposito nele uma grande esperança para Portugal. José Gonçalves, meu amigo, desculpa este texto longo, mas tinha que por os pontos nos iii. Bater palmas de rompante não faz o meu género. Não consigo ser populista.

  2. Lourdes dos Anjos

    Ó SINHORE DIRETORE, CARAGO…AINDA SE FOSSE LIGARE PRÁ NUBELA AGORA PRÓ PANDA…BAILHA-ME NOSSA SINHORA, BOCÊ É MALUCO OU QUÊ?!…

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