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COLISEU DO PORTO ameaça FECHAR! Futuro da SALA encontra-se em “banho-maria”…

O Coliseu do Porto, emblemática sala de espetáculos da cidade Invicta, corre o risco de encerrar as portas, depois de se ter registado, em 2013, um prejuízo de 129 mil euros, adicionado a um passivo global de cerca 400 mil euros.

Desde 1995, altura em que o espaço esteve para ser adquirido pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que é a Associação de Amigos do Coliseu do Porto (AACP), juntamente com a secretaria de Estado da Cultura, a Câmara Municipal do Porto e o, agora, Conselho Metropolitano do Porto, a gerir o espaço.

A verdade é que os subsídios estatais e autárquicos não chegam para colmatar os prejuízos, situação que levou o presidente da AACP, José António Barros, a referir não estar disponível a continuar no cargo que ocupa há dezoito anos, isto se não for garantido o equilíbrio financeiro da sala de espetáculos, com o financiamento de, pelo menos, 200 mil euros anuais.

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Conselho Metropolitano garante que situação caminha para a normalização

Independentemente de terem sido, recentemente, efetuadas reuniões entre a AACP, a CMP e o Conselho Metropolitano em sede da Secretaria de Estado da Cultura, a verdade é que, até à data (01jul14), a questão mantém-se em “banho-maria”, continuando, assim, o Coliseu do Porto a correr o risco de encerrar as suas portas e, possivelmente, ser vendido a privados.

Há dias, Hermínio Loureiro, presidente do Conselho Metropolitano do Porto, pôs alguma “água na fervura”, ao referir que “está tudo bem encaminhado para a normalização da situação”, mas de concreto nada se sabe.

A crítica situação em que se encontra o Coliseu do Porto surgiu há pouco tempo, uma vez que, durante anos, as quotas dos cerca de cinco mil associados da AACP, as receitas de bilheteira e o aluguer da sala, cobriam as despesas, só que, no ano passado, a “panela de pressão” deu “ estoirou”.

Sabe-se que a AMP, hoje Conselho Metropolitano do Porto – um das acionistas do Coliseu – nunca contribuiu financeiramente para a atividade da sala, limitando-se ao pagamento de uma quota anual de 1200 euros. Relativamente à Câmara Municipal do Porto (CMP), esta só participou na aquisição de bilhetes dos concertos “Promenade”, enquanto que a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) desembolsou cerca de cem mil euros, só para a produção de (duas) óperas, já que o Coliseu do Porto é a única sala, excetuando Lisboa, que tem no país condições para a realização de tais espetáculos.

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A concorrência da Casa da Música e a redução das verbas do Estado

A quebra de receitas na bilheteira do Coliseu, assim como do aluguer da sala, deve-se, segundo AACP, essencialmente, à concorrência da também portuense Casa da Música, a qual pratica preços mais competitivos, o que atrai artistas e, consequentemente um maior número de espetáculos, em detrimento do Coliseu.

A verdade, é que “o Coliseu nesta situação ou tem algum apoio ou não sobrevive”, afirmou, à agência Lusa, José António Barros, presidente da Direção da AACP, que enfatizou ainda o facto de que, este “não é um resultado que assuste” e “a situação financeira do Coliseu suportaria este resultado sem qualquer risco, se não fosse recorrente”.

De acordo com José António Barros, o Coliseu do Porto “tem uma estrutura financeira muito leve”, necessitando apenas de “150 a 200 mil euros por ano” para se manter em funcionamento”, lembrando o acordo que existia desde 2000 com o Ministério da Cultura o qual “tinha um valor inicial de 250 mil euros anuais, com a contrapartida de apresentação de duas óperas de produção integral”, verba essa que “foi sucessivamente reduzida” até aos atuais 100 mil euros, para igual produção. Entretanto, está já em agenda, para o próximo dia 19 de julho, pelas 21horas, “Carmina Burana”, de Carl Orff, com preços entre os €10,50 e os €22,50.

Veremos, a partir de agora, o que acontecerá ao Coliseu. O “Etc e Tal Jornal” tentou contactar, mas sem sucesso, o vereador da Cultura da CMP, para se pronunciar sobre este assunto, Mesmo assim, e sempre que for necessário, atualizaremos a informação relativa a este assunto.

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Uma história com mais de sete décadas

O Coliseu do Porto começou a ser construído em 1937 com as propostas apresentadas por José Porto, Jan Wils e a reprovada proposta de Júlio José de Brito. Em 1939, Cassiano Branco é convidado a resolver o projeto e, reutilizando a caixa muraria já construída que delimita a sala de espetáculos, palco e corredores, reorganiza a articulação vertical do edifício, da mesma forma que investe na sucessão dos espaços de entrada.

Com projeto, em estilo Arte Deco, dos arquitetos Cassiano Branco e Júlio de Brito pertencendo à Companhia de Seguros “Garantia”, o Coliseu do Porto foi inaugurado a 19 de dezembro de 1941, com um concerto da Sinfónica Nacional, dirigida pelo maestro Pedro de Freitas Branco.

No ano de 1995 a Companhia de Seguros AXA, então proprietária do imóvel, inicia negociações com a Igreja Universal do Reino de Deus, propondo-se, esta última, a comprar e a UAP a vender. Porém, várias personalidades ligadas à cultura, às artes e à autarquia local, promovem uma manifestação de repúdio à eventual transação. Uma vez vetada pela autarquia, a transação não se concretiza. Em novembro de 1995, em escritura notarial outorgada entre a Câmara, a Área Metropolitana do Porto, a Secretaria de Estado da Cultura e a UAP, constitui-se uma associação sem fins lucrativos com a finalidade de adquirir o Coliseu e geri-lo como espaço de interesse cultural.

Em 28 de setembro de 1996 após um desfile de moda com Claudia Schiffer, um incêndio de origem indeterminada, destrói completamente a caixa do palco e provocando graves estragos na sala principal e nos camarins.

O Coliseu do Porto voltou a abrir as portas no dia 12 de Dezembro, com o tradicional espetáculo do Circo de Natal. A recuperação completa da sala só estaria concluída dois anos mais tarde reabrindo ao público no dia 24 de Novembro de 1998, com a ópera Carmen, de Bizet.

 

 Texto: José Gonçalves

Fotos: António Amen e Pesquisa Google

Fontes: Coliseu do Porto, Wikipédia e Lusa

 

 

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