A. Barros
No outro dia fui ao cinema ver um filme de comédia. Era uma história interessante, sobre um casal que gostava de estar junto na sua intimidade mas que com o aparecimento dos filhos e as responsabilidades da vida, acabou por cair na rotina. Já quase tinham que agendar um encontro íntimo para que os dois finalmente pudessem estar a só. Era urgente fazer algo para “apimentar” a relação, fazer renascer o desejo entre os dois. De uma maneira ou de outra tentaram mas sem frutos. De um momento para o outro surgiu a ideia de fazer uma gravação do momento a dois. Bom, o que era para ser apenas um registo pessoal, acabou sendo para os outros também, na medida em que no momento em que foi registado, acabou sendo sincronizado e se perder nos labirintos virtuais da Internet. Tudo isso para dizer que um simples descuido por originar uma confusão e problemas muito graves dependendo do problema.
Caro leitor(a), é muito importante ter em atenção o que se posta na internet, porque uma vez lá, difícil se tirar sem um ou outro tomar conhecimento, comentar e partilhar. É preciso ter muito cuidado com o mundo virtual, porque apesar de ser virtual acaba por destruir vidas que são bem reais.
O uso das redes sociais, do conteúdo cibernético, depende de cada um de nós e do que somos como pessoas mas existem situações que nos passam ao lado e podem causar graves problemas físicos e psicológicos…
O artigo deste mês, é dedicado a um tipo de Bullying que cada vez mais esta a conquistar adeptos de todas as idades. Estamos a falar do Cyberbullying.
O que significa Bullying?
Antes mais é importante saber o que é Bullying. Esta terminologia vem da língua inglesa “Bully”, que significa “valente” como adjetivo e “brutalizar” como verbo. Na sua definição geral significa maltratar, usar linguagem ou comportamento que provoque medo nas vítimas, intimidar (Fante, 2005).
Não se sabe ao certo quanto à origem da palavra, mas especula-se que tenha surgido na Grã-Bretanha em 1710 como forma de designar a crueldade que acontecia entre as crianças e adolescentes (Oxford Dictionary of English, 2006). Em França o termo usado é “harcèlement quotidien”, em Itália como “prepotenza, bullismo”, no Japão de “ijime”, na Alemanha como “agressionen unter schülern”, na Noruega de “mobbing” e, em Portugal, como maus tratos entre os pares (Nogueira, 2005). Independentemente da língua, sabemos que existe uma conotação universal à palavra Bullying.
Este tipo de comportamento é a forma primária de violência que pode manifestar-se por entre as palavras, gestos e ações. Utiliza a linguagem gestual e verbal e geralmente começa pela chacota e humilhação (Oliveira & Votre, 2006). Para outros investigadores, este tipo de comportamento direciona-se para grupos com características físicas, socioeconómicas, etnia e orientação sexual especificas (Smith, 2002). Estas situações podem estar presentes em contexto escolar com comportamentos específicos como empurrar, colocar alcunhas, roubar os pertences, parti-los, ofender, ignorar, gozar entre outros. É preciso ter em atenção de que este fenómeno nem sempre é percebido e combatido (Smith, 2002).
O que significa Cyberbullying?
Este tema é relativamente novo na literatura e define o comportamento com vista a promover o constrangimento psicológico, moral entre os pares, nomeadamente crianças e adolescentes, recorrendo o uso das tecnologias digitais tais como emails, SMS, mensagens de texto em tempo real como o Skype, ICQ, Whatsapp, Facebook, de forma a demonstrar um comportamento agressivo, hostil e com intuito de prejudicar alguém (Belsey, 2009). Através do contato digital, os agressores virtuais enviam emails agressivos, fazem usos dos telemóveis para tirar fotos das respetivas vítimas e depois publicam online. Normalmente aparecem em salas de conversação onde a vítima pode estar presente também (Breguet, 2007). O grande problema deste tipo de agressão, é o anonimato, ou seja a pessoa agressora pode criar facilmente um perfil falso, usar um nickname falso e assim abusar e maltratar a sua vitima sem que ela perceba quem é a pessoa que esta por detrás do ecrã. A desvantagem também é que é impossível detetar a origem, pois o agressor pode estar a usar os computadores públicos para publicar, conversar e exercer o Cyberbullying (Johns, 2008).
Qual a população alvo deste comportamento?
Hoje em dia, as crianças e adolescentes fazem um uso massivo das tecnologias digitais, acompanhando assim a realidade que se mostra em constante mudança tecnológica e crescente. Essas mesmas plataformas, servem para comunicarem-se entre si, estudar e divertirem-se se forem usadas da melhor forma possível, mas quando usadas de forma errada, existem riscos e abusos.
O Cyberbullying ocorre longe dos olhares dos pais e além disso grande parte das vítimas não demonstra e nem comenta as agressões sofridas, ou seja com medo de represálias, acabam por sofrer em silêncio (Fekkes, Pijpers & Verloover-Vanhorick, 2005). Um dos maiores perigos desta situação, reside nos limites de tempo e locais ou seja, não existe limites para este tipo de agressão. Há uma invasão nos locais que anteriormente eram considerados protegidos e seguros. No que diz respeito aos adultos, o Cyberbullying é designado como cyberharrasment (Assédio Cibernético).
Quais os Riscos do Cyberbullying?
Apesar deste tipo de comportamento ser praticado no mundo virtual com recurso às tecnologias como vimos anteriormente, as consequências e os impactos na vida de quem sofre, são devastadoras, chegando mesmo a atingir risco de suicídio, automutilação por parte das vítimas mais frágeis (Totura et al, 2009).
No que diz respeito às consequências estas manifestam-se através da baixa autoestima, prejuízos na socialização tal como o isolamento, pois como forma de se protegerem acabam por cortar qualquer tipo de relação, apresentam também problemas de aprendizagem já que existe uma queda na atenção da criança. Um dado importante: Quando o Cyberbullying tem a sua origem no meio escolar, a criança tende a faltar às aulas. Apresentam sintomas como dores de cabeça, dores de estomago, distúrbios do sono, angústia, tristeza, depressão, raiva reprimida, stress, medo, apatia, falta de apetite. Atenção, porque muitos destes comportamentos se não forem bem tratados, acabam por permanecer ao longo da vida (Antunes & Zuin, 2008).
Normalmente a população alvo deste comportamento reside em crianças e adolescentes que são sensíveis, quietos, envergonhados, ansiosos, não têm muitos amigos e ainda podem ser rapazes que sejam mais baixos que os seus pares (Braget, 2007). Infelizmente este tipo de agressão esta a tornar-se pior do que o Bullying real porque as vitimas têm a sensação de que tudo o que esta a ser publicado esta a ser visualizado por todos e mudar de escola e de cidade não adianta.
Quem precisa de tratamento?
Tanto as vítimas como os agressores precisam de ajuda. Estudos apontam que o tipo do comportamento que os agressores demonstram deve-se ao facto de existir uma lacuna na formação da autoconfiança. Autoestima, autoconceito (Pingoello, 2009). Tanto o agressor como a vítima têm que ter acompanhamento psicológico, nomeadamente consultas terapêuticas de forma a chegar ao porquê do comportamento e trata-lo.
O que fazer?
Antes de mais é preciso que haja um diálogo entre os pais, professores com as crianças e adolescentes de forma a informa-los sobre as consequências dos atos, quer sejam reais, quer sejam virtuais. Não tenham receio de discutir este tema com eles. Tente sempre que possível acompanhar as crianças e adolescentes nas suas atividades e ensine-os a utilizar de forma correta as tecnologias que o mundo oferece.
Infelizmente ainda não existe muita informação sobre este problema, pois ainda requer muito estudo, investigação por parte dos pesquisadores. A melhor forma de evitar o Cyberbullying é estimular a consciencialização e o respeito incondicional às diferenças desde a tenra idade.
Como Prevenir?
Existem uma série de atitudes para prevenir este comportamento. Assim sendo, evite colocar fotos e seus dados em sites onde todas as pessoas podem ter acesso, Não aceite pedidos de amizade de pessoas que não conhece quer no facebook, twitter e outras redes sociais, não coloque o seu email pessoal nas redes sociais, não entre em sites desconhecidos, procure informar os pais quais foram os sites que visitou e tire com eles duvidas sobre a conversa que teve com uma pessoa estranha, apesar de ser desagradável de as ler, convêm guarda-las, pois elas podem ser uma prova caso o caso necessite de intervenção policial como a PSP, não partilhe o seu número de telemóvel, não acredite em tudo o que lê, já que não se sabe quem estará por detrás do ecrã do computador, e instale o software de prevenção do Cyberbullying.
Curiosidade
Secret: Novo aplicativo lançado nos Estados Unidos, é impulsionador de Cyberbullying
Para exemplificar o tamanho do problema que estou a debater, apresento um aplicativo desenvolvido nos Estados Unidos cujo o nome é “Secret ou “Segredo” Ironia? Se é algo que tem que ser segredo, o porquê divulgar online?
Este aplicativo oferece ao utilizador o anonimato, no entanto cada um pode usar este aplicativo através do smartphone ou Tablet. Podem falar sobre o que quiserem sem serem descobertos. Permite a ligação entre amigos e desconhecidos que por meio de comentários permite a interação com o utilizador. O objetivo deste aplicativo é incentivar as pessoas a falar sobre si, partilhar os seus pensamentos, sentimentos mais profundos que de outra maneira não seriam possíveis. O tema mais popular, é sobre a sexualidade mas existem outros ainda. Tornou-se numa ferramenta onde a mentira e preconceito têm a sua palavra.
Em alguns países, este aplicativo esta já a ser boqueado devido à gravidade da situação.
Fotos: Pesquisa Google
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É sempre muito importante relembrar este tema, tão eminente na nossa sociedade, medindo com toda a sabedoria os prós e os contras…
Boa análise!!!