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Primárias

José Gonçalves

(diretor)

Os socialistas ligados umbilicalmente ao PS vão votar naquelas que serão, a 28 de setembro de 2014, as “primárias” do partido para a eleição de um candidato a primeiro-ministro. Já não se trata, por assim dizer, de um “chama o António!”, mas de um “venha daí qualquer António”, porque, na realidade, as pessoas estão fartas de ver corridas descaradas (ainda que democraticamente legitimas) a tachos e panelas, com um sem-número de interesseiros, da sexta ou terceira fila da Assembleia da República, a acotovelarem-se para, pelo menos, ficarem com um testo de um tachinho qualquer.

As “primárias” do PS criaram essa ideia de corrida tachista nos portugueses, e, mais até, junto dos socialistas, principalmente naqueles que, frequentemente, e à esquerda, votam em outras forças políticas, penalizando o partido sediado no Largo do Rato, do qual até foram, outrora, votantes, apoiantes e militantes.

hoje 01 - 01set14

Já nesta coluna se escreveu quanto à posição precipitada de António Costa em avançar como candidato para a liderança do PS, logo após a vitória dos socialistas nas “Europeias”. O “timing” não foi o mais acertado e isso comprova-se de dia para dia, tendo em conta o baixo nível a que o debate (autista) chegou entre candidatos socialistas a primeiro-ministro.

As pessoas não gostam destas guerras, e penso que, neste particular, os socialistas estão cada vez mais decididos a, daqui a um ano, vença quem vencer as primárias, a não votar no PS. Perguntam-se: O que será o PS depois das primárias? Um partido dividido? Um partido hipocritamente unido, como hipocritamente unido esteve quando Costa apoiou Seguro; quando estiveram quase aos beijos e aos abraços e agora guerreiam-se como crianças desavindas num recreio de uma escola ainda não encerrada de uma terra qualquer?!

hoje 02 - 01set14

Quem está a ganhar com esta trapalhada toda é a direita, e quando falo em direita, refiro-me, naturalmente, aos partidos que apoiam o Governo. Por mais “tiros” que deem nos pés uns dos outros, por mais luvas de boxe que levem para as reuniões do Conselho de Ministros, eles acabam sempre por sair tranquilos dos “combates”. Eles sabem que, do outro lado da barricada há guerra; há outros tiros e, ainda que as armas sejam diferentes, a verdade, é que as vítimas mais depressa chegam às urgências de qualquer “hospital político”.

Tranquilos, os partidos do Governo estão mais interessados na construção da Fábrica de Rebuçados, que adocicará a boca dos portugueses a partir do próximo inverno, do que, propriamente, em saber quem vai ser o próximo candidato socialista a primeiro-ministro; candidato que não tem – e eles sabem – vitória garantida nas próximas eleições. E, tanto sabem que a sua “Fábrica de Rebuçados” está em marcha e pronta a funcionar depois do próximo inverno. Chamar-se-á a esse período: “Primavera Leporídea”.

hoje 03 - 01set14

Ora bem. Enquanto os socialistas perdem o seu tempo a falar em “militantes ressuscitados”; em debates televisivos que deviam ter feito ou que têm que fazer, mas não se fazem, ou não fizeram, porque não quiseram ou não querem fazer, mas que afinal vão fazer dia 08 (?!), tudo isto entre alegadas ilegalidades eleitorais que só deixam ficar mal o partido, a malta da direita entretém-se a estudar medidas para aumentar impostos, cortes nos salários, e em estratégias para dar a volta às decisões do Tribunal Constitucional, posições contra a coisa Pública, e ainda (com tempo) criarem um cenário de controvérsias entre populares e neo-liberais.

Atenção! Tudo isto é feito teatralmente, porque o CDS precisa desta invenção de guerrilhas internas (leia-se “algum mal-estar” na coligação, sempre enfatizadas pelo porta-voz do Governo, Luís Marques Mendes), de modo a que (em termos de eleitorado) o partido de Portas não desapareça do mapa. A estratégia é inteligente e vai surtir os seus efeitos.

Entretanto, os PS – escrevi: “os” – pensam ser segura e inevitável a vitória nas próximas eleições, pensando já em conquistar uma maioria absoluta. Como é que podem pensar em tal, se os portugueses vêem nestas primárias uma grande trapalhada, e muitos deles culpam ainda o PS pelo estado em que se encontra o Estado? Ponham lá, de uma vez por todas, a mãozinha na consciência!

Mas, pronto, se vencerem (se vencerem!) as eleições terão de negociar à… esquerda(?!) Negociarão à esquerda? Com que esquerda?

Com O PCP já se sabe que não. Com o Bloco dificilmente isso será possível, a não ser que em novembro (altura da convenção) a estrelinha pensadora “pense” no eleitorado que o suportou durante anos (o socialista) e se aproxime (disfarçada e timidamente) do PS. Mas não! A verdade é que se tem afastado cada vez mais dele e ele do Bloco.

Alternativa: uma aliança ou acordo (parlamentar) pós-eleitoral com o Partido da Terra de Marinho e Pinto e com o Livre e o PAN. Com todos, porque, à priori, um só não chegará.

Dessas estratégias nada temos ouvido dos candidatos a candidato a primeiro-ministro no PS. Nada sabemos. Como pouco sabemos quanto às linhas fundamentais para a governação do País, caso cheguem a formar governo. As guerrinhas no PS – no tal recreio de uma escola ainda não encerrada – são para a direita como mel em torrada. E por falar em doçura, não se esqueçam dos rebuçados estarão ao vosso dispor lá para janeiro ou fevereiro, o mais tardar março.

hoje 04 - 01set14

Para entreter ainda mais os portugueses, já se lançam nomes para as “Presidenciais”. A direita gosta fazer estes jogos. Um (comentador) sempre potencial candidato, mas nunca assumindo, oficialmente, a sua candidatura (será por falta de coragem; será por medo; será por falta de “certos e determinados” apoios), fala sobre nomes e lança nomes ara Belém, e muitos deles à esquerda. Normalmente à esquerda. Agora foi o de Guterres, amanhã poderá ser outro… mas sempre à Esquerda. Para disfarçar um pouco a coisa, mas que é coisa que tem muita coisa que se lhe diga, o professor lançou, no campo da destra política, Pedro Santana Lopes. Isto aqui há gato escondido com rabo de fora!

Por seu turno, Luís, o porta-voz do Governo, não fica atrás do professor… faz o mesmo jogo, ainda que em canal televisivo concorrente e jogando na antecipação. O senhor fala em dia anterior ao dominical. E estamos nós a ver este espetáculo circense com direito a palmas de foca.

Bem. A partir de 28 de setembro vamos ter um novo cenário político, ou, o mesmo cenário político, porque mesmo que mude a coisa no PS, o PS nunca será (aparentemente) o mesmo, mas, por certo, mais do mesmo. Os dois candidatos vão abraçar-se e só se não beijarão porque parece mal. O que ganhar receberá elogios de todos os que dele disseram mal. O que perder continuará a sua caminhada, não sabemos se na sexta fila da Assembleia da República se numa área arenosa do Alentejo, mas nunca no deserto.

hoje 05 -01set14

E pronto. Estamos bem. Passos Coelho vai cantando e rindo, fazendo alguns chorar; morrer de AVC; a andarem à pancada e à facada em casa por falta de “cacau”; a pirarem-se para fora do país e outros a precipitarem-se de uma ponte qualquer, o que é bom para diminuir a despesa na Segurança Social, o número de beneficiários do RSI, dos subsídios de Desemprego, das Reformas e das Pensões. O lema é: Morram ou saiam daqui! (de preferência: “morram!” Caso contrário ainda podem regressar e isso será o cabo dos trabalhos)

Os PS, por seu turno, e até dia 28, vão lançando pedras entre si, vendo passar um comboio que ruma a uma estação qualquer e que eles, os PS, terão de trabalhar muito para arranjar um lugar, tendo, por lógica de tempo, de esperar pela locomotiva (com reduzido número de carruagens), num apeadeiro onde o comboio poderá não parar. Há “timings” errados para certas decisões! Temos pena!

 

PS: Deixou-nos, no passado dia 05 de agosto, o camarada jornalista e amigo Augusto Martins, que comigo trabalhou na saudosa “Gazeta dos Desportos”, com redação-sede, na tripeiríssima Rua de S. João, à Ribeira.

O Augusto, além de jornalista – colaborou em praticamente todos os jornais da cidade – foi, desde cedo, um homem ligado ao Teatro, tendo sido aluno, no Teatro Experimental do Porto, de Deniz Jacinto e de António Pedro, de quem falava com orgulho. Com ele aprendi muito; de muito falamos; foi um Homem. Adeus Augusto, um abraço camarada amigo, estejas onde estiveres. Estás cá!

Obrigado por tudo!

 

José Gonçalves

 Fotos: Pesquisa Google

 

01set14

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