Maria de Lourdes dos Anjos
Estamos na era dos cortes. Corta -se a posta do peixe mais fininha, os pedacitos de frango mais pequenos, corta-se no pano da saia , corta-se em tudo até nas letras, nas palavras, nas frases…Por aqui , até já se corta nos palavrões tripeiros e fica-se pelo…”da-se” ou “que o pariu”…coisas da crise!
No meu tempo dizia-se: Nem assim nem assado, nem tanto ao mar, nem tanto à serra; nem oito nem oitenta; nem “coisa” nem sai de cima… agora é nem, nem!
A geração dos diplomados, doutorados e mestrados e também “amestrados” nem terra nem sachola. Os mais velhotes nem força para partir nem lugar para ficar. Os velhos mesmo velhos, com reumático, Parkinson, Alzheimer, com diabetes, colesterol, ácido úrico, cataratas, unhas encravadas e hipertensos, com cortes constantes nas suas reformas milionárias e com filhos desempregados, netos para ajudar a criar e ainda uma filha aleijadinha dum dedo, divorciada e cheia de celulite. esses, como eu ia dizendo, velhos e cortados às fatias fininhas, muito fininhas nem fraldas nem coisa para mijar fora do penico…enfim estamos todos “nem, nem”!
Olho em redor e não encontro nem comunas nem comunistas, nem xuxas nem socialistas nem passado nem presente, nem verdade nem gente com vergonha, nem política nem gente para a fazer, nem valores pelos quais lutar nem vontade de projetar a batalha do futuro. Tudo pior que antes já nem temos Quartel-General em Abrantes…foi vendido a um chinês endinheirado!
Está tudo nem, nem…nem há pachorra que aguente isto
Um ministro que parece que foi professor pede desculpa da porra que faz porque nem sabe como funcionam as escolas nem quer saber como trabalham as pessoas que até podem e devem dar rosto ao futuro. Nem lembra ao diabo! Outra senhora ministra com cara de esgrouviada, por acaso loira, que parece que foi juíza ou advogada ou pertence a esses gabinetes jurídicos que pertencem a amigos de outros amigos… faz cagadas sobre cagadas na justiça, dá cabo do sistema que já estava emperrado há milhões de anos porque, por acaso, até só assim é que beneficiava alguns amigos dos tais amigos, que caíam em desgraça e coitada da senhora mais loira e ainda mais esgrouviada, nem sai nem fecha a porta mas pede desculpa aos portugueses e portuguesas (agora dizem todos assim…) porque fica bonito na TV e nunca um ministro tinha pedido desculpa… também tanta porcaria junta foi difícil… carago! Nem sei como conseguiram tanto estrume na mesma seara.
Olhem amigos, nem me apetece escrever nem perder tempo com estes inteligentes senhores feudais mas também não sei se aguentamos por muito mais tempo tanta fajardice.
Está tudo tão mudado, tão baralhado que eu, eu que adoro coisinhas doces (caprichos da idade) ando agora virada para os Salgados…quero estudar a receita para enriquecer brincando aos pobrezinhos…Nem calculam as crises de fígado que tenho sofrido com esta receita alentejana… fico desesperada porque tudo o que tento é inútil e nem a gente come nem o Salgado é preso!
Fiquem bem que eu já nem sei o que pensar deste país! Nem sei se vos confesse que parece que os portugueses foram vendidos como escravos ao capital estrangeiro, mas não sei se é massa chinesa, churrasco à angolana, alemã nem sei… estou completamente “nem, nem”…
Não vão comigo as minhas estórias
As minhas estórias…minhas!
como se elas fossem minhas…
São apenas retalhos de vidas, são memórias
que guardei num ninho vazio de andorinhas.
São lágrimas sufocadas de sofridos catraios
São gargalhadas ressequidas, tristes e velhas
São noites medonhas, iluminadas por raios
São chapas e tábuas que sonham ser telhas
São luto e lutas eternamente adiadas
São sonhos mortos na hora de nascer
São caminhos com saídas por romper
São um povo que devia ter renascido
depois de abril ser nome e ter crescido
As estórias que vivi, sem serem minhas,
são o vôo de regresso das andorinhas…
A flor do alecrim que desafia o nevoeiro
e a vida retalhada que amo por inteiro
São a alma feita de pequenos nadas
e a esperança d’inventar novas madrugadas
Não! Não vou levar comigo a fonte, o chão e a raiz
o sol, a flor e a semente que me fizeram feliz
Quero partilhar convosco o que o Povo me ensinou
e deixar-vos, a todos, o pouco que sei e o que sou.
EM OUTUBRO, POR AQUI VAMOS SEMEANDO POESIA
Dia 01–Sindicato da Função Pública-15h30
Dia 04–Casa da Cultura de Paranhos-16h00
Dia 04–Centro Recreativo de Mafamude-22h00
Dia 05–Centro Republicano de Fânzeres-17h00
Dia 10–ACAPO, Rua do Bonfim-21h00
Dia 11–Estudos Brasileiros-16h00
Dia 17–Flor de Infesta-21h30
Dia 18–Galeria Vieira Portuense-16h00
Dia 25–Vizela, Hora da Poesia-21h00
Dia 31–Associação de Pais da Senhora da Hora-21h30
Fotos: Pesquisa Google
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