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Cinco anos a ESCREVER VERDADES: O que os “nossos” dizem de nós!

Cinco anos após ter surgido este órgão de comunicação social, a equipa do “Etc e Tal” fala do jornal que a une. Em momentos, sobremaneira, importantes para a afirmação, em Portugal, na Europa e no Mundo, da Liberdade de Expressão (nós fomos e continuaremos a ser “Charlie”), contra todo o tipo de extremismos, é importante saber a opinião dos que aqui escrevem… escrevendo livremente sobre o seu jornal e o jornalismo.

A toda a equipa, o diretor agradece, desde já, todo empenho que tem tido pelo desenvolvimento deste projeto: um projeto que se prepara para dar novos e ousados passos, mas passos nunca maiores que a perna. Para o ano, esperamos por mais comentários, sinal de que teremos uma família mais numerosa.

Aos que por aqui passaram, ao Amen, que o “destino” obrigou-o a afastar-se fisicamente da equipa… a todos:

Obrigado e parabéns!

UMA VOZ INDEPENDENTE

Para que servem os jornais?

Resposta óbvia e rápida: para dar notícias, para informar o público leitor. Se bem que existam outros meios de comunicação, o jornal parece ser uma espécie de amigo invisível dentro da sua capacidade de inspirar, ou não, confiança, seja ele de papel ou electrónico ou ainda construído em ondas hertzianas ou outras. Todos sabemos que os há por aí que desinformam, fantasiando ou inventando notícias para vender.

No caso do “Etc e Tal”, nesta ocasião em que perfaz cinco anos de existência, podemos afirmar que, pela mão do seu director e equipa colaboradora, ultrapassando inúmeras dificuldades, tem cumprido, corajosamente, um dever de cidadania: uma voz independente que informa e defende o interesse público. Vozes assim são cada vez mais necessárias numa sociedade esmagada por incompetentes e corruptos como a presente.

Vozes como esta dão-nos ânimo e confiança para enfrentar o futuro!

José Manuel Tavares Rebelo (*)

 “ETC E TAL”: A VERDADE DOS FACTOS

“Etc e Tal”

a verdade dos factos…

Uma voz tripeira

que à nossa maneira

dá notícias pró mundo.

Uma equipa diferente

feita de nobre gente

que sabe o que quer,

que ergue a voz

e sabe muito bem

o gosto agridoce que tem

a palavra Liberdade.

“Etc e Tal”

a verdade dos factos…

A palavra franca e leal,

que ás vezes magoa

que corre, que voa

ao encontro do sonho.

O sotaque sem atavios,

o caminho sem desvios

o mexer  d’águas paradas

algemadas perto da foz

Um grito que, silenciosamente,

mostra que ainda há gente

que sem truques ou artefactos

mostra  a verdade dos factos

e sonha um novo Portugal

Somos , orgulhosamente,

A equipa do “Etc e Tal”

Maria de Lourdes dos Anjos

SOBRE O 5.º ANIVERSÁRIO

Nos tempos que correm, em que tudo parece tão efémero, um ciclo de vida de cinco anos para um jornal em formato digital, como é o caso do “Etc e Tal” podendo parecer ainda tão curto o tempo de existência deste projeto jornalístico on-line, não deixa de ser um feito nesta área da comunicação social a merecer redobrada atenção para um novo e mais exigente ciclo de desenvolvimento, no aprofundamento do seu próprio Estatuto Editorial que entre outros pontos, privilegia o “diálogo com os leitores”, bem como “a participação dos mesmos”, assumindo claramente que, “rejeita a publicação de qualquer tipo de artigos, notícias, ou comentários xenófobos, racistas, totalitaristas ou qualquer outra forma de promoção de atividade/ações clara e/ou declaradamente antidemocráticas”.

Entre tantos outros objetivos fundamentais, que, certamente, marcarão a diferença sobre o tipo de jornalismo exercido e praticado neste projeto que, reconhecidamente, resistiu a todo o tipo de dificuldades e adversidades, resultantes de um ritmo estonteante de oferta multifacetada nesta era digital, nomeadamente das redes sociais.

O objetivo de renovação nos vários aspetos deste projeto, iniciado na fase de transição para mais um ciclo do jornal assinalado no seu quinto aniversário, não deixará de representar um momento de redobrada expectativa e renovada motivação, para continuar a partilhar com a disponibilidade do trabalho de cada um, a evolução e a consolidação do “Etc e Tal”.

Pessoalmente, assumo que o meu envolvimento com o “Etc e Tal” jornal resultou de uma antiga amizade com o seu diretor, o jornalista José Gonçalves, com quem tive o grato privilégio de trabalhar no “Jornal de Ovar” no qual foi chefe de redação.

Pelo seu profissionalismo e paixão pela arte do jornalismo, bem patente neste projeto digital, acabei por aceitar o desafio para voltar a escrever, alterando assim uma decisão pessoal, que algum tempo tinha tomado, de não voltar a envolver-me empenhadamente na colaboração com a imprensa.

Por isso, é com enorme satisfação, poder fazer parte de uma equipa que dá vida a um projeto renovado, para trilhar novos e difíceis caminhos.

A todas e a todos que contribuíram nas diferentes áreas de colaboração com este projeto jornalístico, nestes cinco anos. Parabéns!

José Lopes

UM NOVO “ETC E TAL”…  UM “NOVO” QUE É RESERVA

Um dia resolvi voltar à crónica. Desaparecera sem dizer adeus. Comecei a ler ou procurar nomes de publicações. Encontrei uma que dizia “Etc e Tal”. Olhei; sorri e pensei: “aqui está uma que diz alguma coisa sem pretender dizer nada ou vice-versa.” Perguntei se podia colaborar e disseram-me que sim. Comecei e encontrei-me com o “Etc e Tal” no seu 4º Aniversário. Estamos no 5º Aniversário e a ascensão da publicação continua. Temos novo “Etc e Tal”, mas, é um novo que é reserva. É um prazer e um privilégio colaborar e participar no mundo do “Etc e Tal”.

José Luís Montero 

INFORMAÇÃO ISENTA

Apesar de ser um colaborador recente, não quero deixar passar esta data tão importante, na existência deste meio de comunicação/informação on-line, com origem na cidade Invicta, de seu nome “Etc e Tal”.

Pela importância de uma informação isenta, desejo que dure por muitos e bons anos. Aos seus leitores o muito obrigado pela preferência. Continuem a seguir as pegadas mensais que vamos deixando ao longo de um ano de edições.

O meu muito obrigado ao seu director pelo convite que me formulou. Parabéns.

Luís Reina (*)

OBRIGADO

Fiz parte da coluna de convidados em fevereiro de 2013,Conheci este jornal através de um Amigo, que era já um colaborador, fazendo-nos viajar com as suas viagens.

Falhando-vos um pouquinho de mim.

Tantas coisas que já mudaram,

Tanto que já vivi.

Em outubro de 2013,

Foi na Tribuna livre que eu escrevi,

E depois não mais parei.

A rubrica Relatos

Todos os meses

Pelas minhas palavras ficou a espera,

E nela fui contando

Fui falando

E até gritando.

Tantas as histórias que já contei

Tantas as portas que calcorreei

Entre ruas e calçadas

Entre o dia a noite

Mas historias sempre eu vos contei.

A este jornal tenho que agradecer a oportunidade de mostrar a tantas pessoas, o que escrevo. Mostrar e que faço ao nível do meu voluntariado com o meu grupo de apoio aos sem-abrigo, o “Corações Amigos”, do qual também já aqui falei. Obrigada, Luís Reina, por esta porta que me abriste. Obrigada, José Gonçalves, por me teres acolhido e convidado a fazer parte desta Família. Grata por esta caminhada, grata por me deixares continuar a caminhar.

Carla Ribeiro

UMA HISTÓRIA DE SUCESSO

Olá caros leitores e estimados colaboradores deste brioso jornal on-line, Estamos em festa pois mais uma dádiva nos foi dada, o nosso jornal. Jornal este que é o resultado de um sonho compartilhado por pessoas determinadas a emitirem a verdade dos factos.
Dentre estas pessoas, eu dou minha pequena contribuição.
Minha ligação com este projeto vitorioso, tem início há uns três anos, quando por uma feliz oportunidade conheci, via internet, o nosso diretor José Gonçalves que, após muito tempo a conversar comigo, viu em mim um bom colaborador para seu projeto.

Ele convidou-me, e eu honradamente aceitei, lembro de meu primeiro artigo que foi colocado no jornal na íntegra, que felicidade! Isso aconteceu em Setembro de 2012.
Já estamos chegando em 2015,E em breve terei conquistado o terceiro ano junto aos grandiosos colaboradores deste maravilhoso jornal, Sou fã e admirador de cada um que participa desta bela equipa, pois são pessoas de grande valor. Eu por minha parte,
devo cada vez mais, esforçar-me para que com isso seja sempre merecedor do honrado lugar que ocupo nesta equipa. Desde já vos agradeço muito, e festejo com muita alegria este 5º Aniversário de nosso jornal, alegro-me com cada um de vós.
Desejo a todos um ano de muitos sucessos e alegrias em vossas vidas !

Waltermir Rodrigues,
(Honrado colaborador do “Etc e Tal Jornal” em Recife, Pernambuco, Brasil)

UM PONTO DE ENCOTRO

Foi em Fevereiro de 2014 que conheci o Jornal “Etc e Tal” por intermédio da colaboradora prof. Lourdes dos Anjos. Nessa altura fui o entrevistado para a área de Convidado.

Não demorou muito tempo até que também me tornasse colaborador da rubrica “Psicodúvidas”, que tem como finalidade abordar a psicologia de uma forma simples ao mesmo tempo informando os leitores sobre os inúmeros temas da psicologia.

Passados alguns meses, e quase a fazer um ano, tenho a referir o bom trabalho do diretor do Jornal José Gonçalves, que desdobra-se em múltiplos “clones” para levar toda a informação ao leitor.

Para mim é um orgulho enorme fazer parte deste jornal e o meu desejo é que, para cada ano que passe, ele possa estar mais à frente levando ao nosso leitor toda a informação importante para que torne o dia dele mais enriquecedor.

O jornal tem sido um ponto de encontro virtual para muitos leitores na medida em que permite uma interação com o colaborador através das opiniões que o leitor pode colocar.

Para além disso, o jornal tem organizado, na pessoa do seu diretor, excursões a vários pontos do pais e não só, onde um grupo de pessoas durante algumas horas conhece e convive uns com os outros proporcionando assim momentos de grande diversão e partilha.

Muitos parabéns ao “Etc e Tal”! Esperamos contar mais cinco anos. Juntos com um só propósito podemos fazer grandes atos para este jornal!

Aswin Aires

UM JORNAL DIFERENTE

Há quem diga que um jornal tem de ser uma instituição grande, com os seus interesses, com um público duma determinada classe. Aquele jornal, feito por aquelas pessoas, para aquele público. Mas nem tudo o que se diz é verdade. Neste momento o” Etc e Tal Jornal” está a comemorar cinco anos. Nunca saiu em papel, contudo já tem uma marca própria. Nasceu com o intuito de ser diferente, e esse intuito nota-se. A minha presença neste “periódico” é tenra. Nem meio ano tem. Contudo, uma coisa é certa: este jornal é feito por todos, para todos. As portas além de abertas estão escancaradas a novos leitores, e colaboradores. Uma relação tripeira de proximidade. Um jornal diferente do qual orgulhosamente participo.

Que venham mais cinco anos.

Pedro Nuno Silva

 UM JORNAL “VISIONÁRIO E REVOLUCIONÁRIO”

A 21 de janeiro faz cinco anos que nasceu o nosso (vosso e de todos os que o queiram ler) jornal, batizado com o nome “Etc e Tal”.

Foi gerado e concebido pelo nosso amigo José Gonçalves. Decorria o ano de 2010. Desconheço o tempo da sua gestação e se o parto foi doloroso ou não. Fosse como fosse, a criança veio ao mundo, assim tipo profeta, visionário e revolucionário. Sem medo dos romanos, dos Césares e dos Pilatos. Revoltado com a libertação dos ladrões, assassinos e de todo os Berrabases, encetou a cruzada da luta e da denúncia.

Ao começar a dar os primeiros passos, mostrou o caminho da denúncia e da opressão. Teve (tem) os seus Apóstolos que o ajudam na sua demanda com as suas cronicas denunciadoras das traições dos Judas, dos Espíritos Santos, Soares, Socratianos, Coelhos, Portas, Macedónicos, Trotinetas e muitos outros Judas que levitam e atravessam o mar a caminho de paraísos tropicais e fiscais. Tudo isto acontece com a complacência do Silva Pilatos que lava as mãos purificando-se das responsabilidades que têm.

Hoje, quase a fazer cinco anos, o seu progenitor ofereceu-lhe uma nova vestimenta, mais apelativa, para os seus seguidores que queremos que cada vez sejam mais, a “união faz a força” e só com a força da união, somos capazes de denunciar cada vez mais, e mais, os atrozes romanos que proliferam com a desgraça e miséria deste povo sofredor.

No dia 14 de Março, os Apóstolos vão voltar a reunir-se à volta de uma mesa numa ceia para comemorar o nascimento do “Etc e Tal”. Ao José Gonçalves, aos que estiveram com ele desde a primeira hora, aos colaboradores (Apóstolos) chegados depois, os meus mais sinceros parabéns.

António D. Lima (*)    

BREVES NOTAS SOBRE O JORNALISMO DOS NOSSOS DIAS

Tendo participado no “Etc e Tal” de modo irregular, não quero deixar de assinalar este seu quinto aniversário. Faço-o através de uma breve reflexão sobre a “criação jornalística”, ou seja, sobre o facto de a imprensa, ou melhor, qualquer um dos meios de comunicação de massas, em vez de constituir um veículo de informação sobre o real vivido, poder criar ou recriar acontecimentos, como muito bem explicou Pierre Nora.

Para a gente da História, que é o meu caso, essa possibilidade de manipulação mediática é preocupante, pois considera-se que a informação rigorosa sobre a realidade dos nossos dias é um instrumento fundamental para a construção do conhecimento histórico das futuras gerações. De facto, a nossa visão sobre os acontecimentos, sejam eles de curta, média ou longa duração, é diferente do olhar do jornalista sobre esses mesmos acontecimentos. Em primeiro lugar porque privilegiamos o todo e não a parte, ou seja, fazemos prevalecer a globalidade sobre o evento, dado o hábito de contextualizar as ocorrências de um determinado espaço de tempo que estudamos. E temos sempre em conta os vários níveis de implicação naquilo a que chamamos acontecimento ou facto histórico: o económico, o social, o político, o cultural…

Uma outra questão é a da superficialidade das abordagens jornalísticas. É certo que o facto de os acontecimentos serem relatados no imediato da sua ocorrência dificulta a profundidade da análise. Para os que habitualmente usam as regras da historiografia na análise das realidades do presente, os acontecimentos são somente a espuma que se move sobre águas profundas, ou, como muito bem disse Jacques le Goff, a ponta de um iceberg. O acontecimento tem raízes profundas, o acontecimento tem antecedentes múltiplos. Esta questão da multicausalidade é também fundamental para a explicação dos factos que ocorrem.

A questão que mais diferencia os olhares sobre os acontecimentos é a da temporalidade. Nos “mass media” as ocorrências são dadas a saber como se não fossem inseridas numa temporalidade que não se esgota no presente. Em contrapartida, por regra, o historiador desvaloriza o momento, colocando os acontecimentos numa linha diacrónica que os prolonga para além do momento em que ocorrem, visando uma compreensão do desenrolar do processo histórico.

Ora isolar os acontecimentos dos seus múltiplos condicionalismos, descontextualizá-los, ocultar as suas implicações a vários níveis, sobretudo ao nível das mentalidades, desarticulá-los do todo, mostrando-os de modo espectacular, desinseri-los do quotidiano das populações, como se o objectivo fosse causar espanto dos leitores ou dos espectadores, são práticas muito comuns no jornalismo actual.

Os “mass media” têm um papel relevante na formação da opinião pública. E têm até a possibilidade de deformar a verdade dos factos. Foi o que aconteceu no caso do chamado “Arrastão de Carcavelos”, acontecimento criado a partir de uma ficção e difundido amplamente como se tivesse ocorrido.

A 10 de Junho de 2005, pelas 16 horas e 30 minutos, a Lusa emitiu um primeiro take: “Cerca de 500 adultos e jovens, constituídos em gangs, entraram hoje às 15 horas na Praia de Carcavelos, concelho de Cascais, e começaram a assaltar e a agredir os banhistas, disse fonte policial”.

Assim começou a produção de um fenómeno mediático. Nas seguintes 5 horas, a Lusa emitiu mais nove takes. Às 20 horas, todos os canais generalistas abriram os noticiários com o relato de acontecimentos ficcionados. Durante uma semana, o evento ocupou a agenda mediática. Nunca foi divulgada a versão da PSP, que emitiu um desmentido. Prevaleceu a mentira sobre a verdade.

Ao jornalista, ou a qualquer indivíduo que se proponha participar em projectos jornalísticos, impõe-se uma reflexão em torno do modo de narrar ou descrever ou abordar os acontecimentos, um modo jornalístico que se caracterize pela isenção, pelo rigor, pela exactidão, pela objectividade, enfim, pela verdade dos factos cujo relato se deve apoiar em fontes dotadas de autenticidade.

Ora o que acontece é que assistimos diariamente a práticas de manipulação da realidade através da criação de espectacularidade dos factos, ressaltando acontecimentos excepcionais, dando-lhes um relevo que os torna mais visíveis do que a generalidade dos factos que realmente ocorrem. E vamos consumindo alegremente esses produtos jornalísticos que falseiam a realidade. Até que se descubra um método de obrigar os jornalistas a serem virtuosos…

Maria Rodrigues (*)

UMA RELAÇÃO DE “DÍVIDA”

As cadeias portuguesas foram consideradas pelo próprio estado português como indignas. Em fevereiro de 2004 (quem se lembra?) Freitas do Amaral anunciou à comunicação social, em nome de uma entente entre o governo de direita, então no poder, e o governo socialista que se lhe seguiria (e do qual Freitas seria ministro) uma reforma que, apenas ao fim de 12 anos (estamos a chegar lá), poderia oferecer aos portugueses uma prestação “média” (sic). Tal era a degradação da situação.

Temo bem que as melhorias, pelo menos no aspecto de ter sido quebrada sobrelotação, tenha piorado significativamente desde então, com taxas actuais de sobrelotação próximas dos 150 por cento, com 4,5 euros por dia para alimentação confeccionada para cada recluso, escassez de bens para higiene e contenção, eventualmente criminosa, da prestação de cuidados de saúde. Infelizmente pode ser que estejamos a aproximamo-nos da “média” europeia, porque a brutalidade que nos bate à porta em liberdade não deixa de se repercutir, com violência acrescida, sobre os presos e os guardas.

Em particular, o obituário, que fez de Portugal recordista europeu destacado em 1997, ultrapassando distanciado todos os estados de leste, deve estar pelas ruas da amargura, neste preciso momento em que escrevo. No ano 2000 soube-se, com a libertação das estatísticas comparadas do Conselho da Europa, que a crónica vulnerabilidade das cadeias portuguesas à morte se tornara medonha. A ponto de tornar o assunto motivo dos debates políticos eleitorais (sem nunca nenhum candidato se ter atrevido a revelar aos eleitores o verdadeiro estado de miséria das prisões – aliás, verdade seja dita, é muito pouco provável que os eleitores quisessem saber disso, a não ser para pedir para se carregar nas cores). Jamais foi feito um estudo sobre as causas de tanta mortandade. Apesar das taxas de óbito elevadas serem uma das características permanentes e marcantes das nossas prisões.

A política, sem nenhuma alteração legal de fundo, que veio a ocorrer em 2007, apenas com alteração de comportamentos das instituições, tornou viável a redução do número de presos. Talvez por vergonha do que se tornara evidente.

Foi sol de pouca dura. Os números de presos recomeçaram a aumentar de forma alarmante e a fasquia da sobrelotação foi ultrapassada com o mesmo vigor de antigamente, mas sem nenhuma preocupação política para conter os movimentos securitários das instituições envolvidas. Nas vésperas do fim do período anunciado de transformação aprofundada das prisões em Portugal, quem se lembra disso? Quem fará a avaliação do que se fez e não fez? Porque haveria memória e avaliações para as prisões quando falta nas outras dimensões da vida nacional? Quem quer saber de minudências que as instituições portuguesas fazem aos jovens que não estão em condições de emigrar?

Uma coisa se pode afirmar: as queixas das entidades oficiais, ministério público e tribunal de contas, sobre as despesas não facturadas nos serviços prisionais mantêm-se. A indiferença política e social para com a sorte de quem esteja preso apenas é superficialmente alterada quando alguém com boas relações sociais vai preso à bruta.

Devo ao “Ect eTal “jornal ter-me dado espaço para, caso único, em plena liberdade, sem programa prévio – nem da minha parte, nem do jornal – estender a toalha que trago comigo como herança de quase vinte anos a servir as lutas pela justiça nas prisões. Bem-haja.

António Pedro Dores (*)

 

 (*)Por vontade da autora, e de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

 

15jan15

 

 

 

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