Menu Fechar

XXI edição do FESTOVAR foi dedicada a Júlio Dinis

Entre 11 de outubro e 22 de novembro realizou-se, na cidade de Ovar, o habitual Festival Teatro de Ovar organizado pela CONTACTO, dedicado, desta feita, ao romancista Júlio Dinis na passagem dos 175 anos do seu nascimento. Uma evocação à figura da literatura que deixou entre as suas obras, “As Pupilas do Senhor Reitor” (1869), como testemunho de memórias da sua passagem pela então vila de Ovar onde encontrou paisagens, vivências e personagens “dinisianas” neste seu livro, em que se destaca o médico João Semana que, como escreve Manuel Malicia, no boletim nº18 “Água Corrente”, desta XXI do Festovar: “Ler Júlio Dinis é ler um certo Ovar já perdido no tempo e que se esconde na algibeira da saudade”.

Este Festival da Companhia de Teatro Água Corrente de Ovar que tem como diretor Fernando Rodrigues, teve também como multifacetado entusiasta deste evento cultural, o presidente da CONTACTO, Manuel Ramos Costa, o verdadeiro pioneiro do já longo património cultural e artístico que continua a dar vida a esta Companhia e a várias outras que, há muito, lhe confiaram a responsabilidade de encenador ou mesmo autor de tantas peças que pisam palcos de terra em terra pelo país fora, sempre com renovadas gerações de atores que resultam igualmente do entusiasmo, entrega, rigor e formação artística nesta arte de representar transmitida pela sua experiência e profissionalismo, tanto na Oficina de Teatro, como na Itinerância ou na “Festinfância” (Festa do Teatro para a Infância) na sua VI edição.

Ao público do teatro que esta companhia amadora soube criar nas últimas três décadas da sua existência, o Festovar proporciona sempre um vasto programa diversificado, que acolhe no seu Auditório, na Casa da CONTACTO desde a comédia, farsas, dramas e o teatro para a infância que ganhou particular peso neste certame que tem o apoio das autarquias locais de Ovar, do INATEL, do IPDJ-Instituto Português do Desporto e Juventude e da Federação Portuguesa de Teatro de que é associada e fundadora.

Como afirma Manuel Ramos Costa, no referido boletim de que é diretor, “nascemos para o Teatro sem ter passado por nenhuma outra escola a não ser a escola da vida e é desta escola que temos aprendido a arte de viver num mundo de fantasia, com os olhos permanentemente postos nas realidades. As nossas e as dos outros. Do mundo, que tão mal vai…” e foi com esta forma de estar na arte do teatro e de dar teatro, que Ramos Costa, como já habituou o público, se apresentou na multiplicidade de tarefas, no palco ou nos bastidores, para mais uma edição do Festovar em que os projetos da CONTACTO são sempre esperados com particular expectativa.

Programa de vários géneros teatrais

Nesta ultima mostra de teatro em Ovar subiram ao palco da Casa da CONTACTO, “Óculos de Sol”, uma comédia, pelo GDR Retorta (Valongo) que abriu o Festival no dia 11 outubro. Seguiu-se um drama pelo Mérito Avintense (Vila Nova de Gaia), “Mortos de Fome” com encenação de Manuel Ramos Costa (18 outubro).

O resultado do trabalho de iniciação teatral na CONTACTO foi também à cena com “Estórias Nossas” no género infanto-juvenil, com encenação de Pedro Poças e Leonor Reis (19 outubro). Nova comédia surgiu no programa pelo Conta Cenas vindo de Coruche, “3ª Idade – O Musical” (25 outubro). Este ano a peça escolhida para atuar no Auditório do Centro de Artes de Ovar no âmbito do programa do festival foi a comédia “A Loja dos Suicídios”, representada pela companhia Sol D’ Alma (Ovar), encenada por Leandro Ribeiro (1 novembro). De novo o trabalho da “casa” voltou à Sala sempre cheia da CONTACTO no género infanto-juvenil com a peça “A Escolinha da Lelé” de Teresa Leite e encenação de Ramos Costa (2 novembro).

A comédia que mais uma vez predominou neste certame, veio também de Tomar pelo ULTIMACTO (Sem Soldos), com “Os Dois Menecmos” de Plauto (8 novembro). Já de Mora veio um drama, “Puro Sangue” a partir de Angelo Beolco, William Shakespeare e Karl Valentin pelo OPSIS, de Cabeção (15 novembro). Também no género infanto-juvenil se apresentou o Teatro Amador de Gulpilhares (Vila Nova de Gaia), “A Aldeia do Zé Latão” uma adaptação de Raul Leite, com encenação de Manuela Leite (16 novembro). Para encerrar o Festovar, como sempre foi tradição desta iniciativa de promoção e divulgação da arte do Teatro em Ovar, as atenções foram para a estreia da peça “Cousas de Deus e do Diabo” de Gil Vicente, uma farsa encenada por Manuel Ramos Costa que assinalou a 56ª produção teatral da CONTACTO. O que naturalmente é obra! Do elenco deste trabalho fazem parte: Beatriz Sousa, Carlos Granja, Conceição Queirós, José Ferreira, Juliana Almeida, Laura Poças, Luís Ribeiro, Palmira Rodrigues, Ricardo Pinho, Sofia Rodrigues, Teresa Leite e o próprio Manuel Ramos Costa.

Espetáculo de grupo sénior - Foto: João Elvas
Espetáculo de grupo sénior – Foto: João Elvas
"Escolinha da Lelé" - Foto: Joaquim Margarido
“Escolinha da Lelé” – Foto: Joaquim Margarido
"Cousas de Deus e do Diabo" - Foto: Fernando Pinto
“Cousas de Deus e do Diabo” – Foto: Fernando Pinto
Foto: Fernando Pinto
Foto: Fernando Pinto
Foto: Fernando Pinto
Foto: Fernando Pinto

 

Texto: José Lopes (*)

(*)Correspondente do “Etc e Tal Jornal” em Ovar

01jan15

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.