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CRISE: FARMÁCIAS (continuam) de LUTO! “Serviço Nacional de Saúde está DESMORONADO”! Farmacêuticos têm soluções…

São mortes nas urgências hospitalares. São Centros de Saúde fechados a horas impróprias, ou mesmo encerrados para um sempre, mesmo que o “sempre” possa ter fim à vista. São hospitais sem camas. É a gripe. A “gripe” que mata, por outros “vírus”, o Serviço Nacional de Saúde (SNS). No centro da crise estão também as Farmácias, as quais continuam de “luto”… Por quê?…

Maria Fernanda de Oliveira é diretora técnica, e proprietária de uma das mais prestigiadas farmácias do Porto, a do Bonfim. Licenciada há cerca de três décadas, e fazendo parte da Associação Nacional das Farmácias (ANF), a nossa entrevistada revela, em entrevista ao “Etc e Tal”, certas situações a ter em conta. Melhor – e com “melhoras”-: certos recados para “eliminar” os “vírus” que dão cabo da Saúde dos portugueses e do seu Serviço Nacional… a ler!

Drª Maria Fernanda de Oliveira (arquivo)
Drª Maria Fernanda de Oliveira (arquivo)

“O Serviço Nacional de Saúde (SNS) está desmoronado. Não é está a desmoronar-se! É: está desmoronado! O nosso SNS foi muito bom e trabalhou muito bem no tempo do António Arnaut, porque diminuímos a mortalidade infantil, prolongamos a vida da população, que podia prolongar-se mais, se se fizessem os controlos, que nós tanto desejamos, para evitar os ataques cardíacos e os AVC”.

As palavras são de Maria Fernanda de Oliveira, técnica farmacêutica, que volta a enfatizar uma questão – uma “luta” se quiserem – que parecia perdida no tempo recente. “As farmácias ainda estão de luto! Diminuíram as nossas margens de lucro, na medida em que baixaram muito os preços dos medicamentos”

Parece, contudo, que Paulo Macedo, ministro da Saúde, quer reaproximar as farmácias da população e retribuir-lhes competências, temporariamente, perdidas. A saber: aumento da quota de genéricos; a adesão à terapêutica e à diabetes e reintrodução do programa de troca de seringas.

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“O Ministério da Saúde não vai mudar de política”

A nossa entrevistada tem uma opinião: “Não acredito que o Ministério da Saúde vá mudar de política. Quando o governo muda de política ou de certas políticas, infelizmente, isso só acontece para fazer uma desmontagem do trabalho e de acordos já feitos”.

Pelos vistos, é por estas e por outras que “as farmácias continuam de luto. A riqueza gera a riqueza. Gera negócio; gera mais postos de trabalho; gera qualidade de vida; gera a proteção do meio ambiente, e gera a fundação de instituições sem fins lucrativos”.

“Nós, farmácias”, diz ainda Maria Fernanda de Oliveira, “ganhámos dinheiro… sim! Mas também tínhamos serviços gratuitos para a população. E, agora, vamos encabar na troca das seringas.

Saiba-se que a troca de seringas – pelo menos no que diz respeito a esta farmácia – foi feita de maneira gratuita nos anos 92 e 93 do século passado, com o fim de atalhar a infeção, porque a seringa com sangue fresco que é o transportador do agente patogénico que, neste caso podia ser o HIV ou da Hepatite C, que, diga-se de passagem, é, atualmente, caríssimo o seu tratamento, aqui em Portugal”.

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“Portanto”, – continua -, “sempre fizemos isso de bom-grado! E como também fizemos, com protocolos adequados com o Centro de Atendimento a Toxicodependentes (CAT) do Porto, a dispensação da metadona. Nessa altura, não havia enfermeiros, nem horários disponíveis para isso, mas nós (farmacêuticos)… disponibilizávamo-nos para fazer esse trabalho, depois de formações para a dispensação da metadona, que é um produto farmacológico, e por isso é que o farmacêutico estava, como está, habilitado, isto mediante protocolos e orientações próprias dos médicos que assistem esses doentes”.

Quinhentas farmácias fecharam portas nos últimos quatro anos

A reaproximação do Ministério da Saúde para com os farmacêuticos é, de acordo com a diretora técnica da Farmácia do Bonfim (Porto), “positiva”.

Só que há uns “mas” no meio disto tudo.

“Precisamos de técnicos para desenvolver esse trabalho, e o tempo é pago. Depois há, infelizmente, uma redução dos recursos humanos, porque não há tanto dinheiro ganho para pagar, quer aos técnicos superiores, quer aos técnicos de farmácia.”

paulo macedo - 01fev15

“Depois” – continua –“ também decresceu o número de farmácias no nosso país. Desde há quatro anos a esta parte, 500 farmácias, que pertenciam à Associação Nacional, ficaram pelo caminho, e muitas delas, acabaram em localidades onde a farmácia era o primeiro, e único, intermédio entre o doente e o médico assistente ou o médico especialista. Para agravar a situação, fecharam muitos Centros de Saúde, tudo devido à política de poupança na Saúde. Por isso, eu dizer que o Serviço Nacional de Saúde, de António Arnaut, está desmoronado!”

Seguro de Saúde

Assim sendo, ainda de acordo com Maria Fernanda de Oliveira, e “tendo em conta este quadro, nós, farmacêuticos, incentivamos a população a ter um Seguro de Saúde. Hoje, há seguros muito bons e económicos, o que é preciso é saber escolhe-los.

Os farmacêuticos estão preparados para dar uma indicação através do plano “Saúde Mais”, que abrange todas as especialidades; todas as cidades e todas as vilas. De salientar que há um grande número de excelentes médicos especialistas a aderirem a esse plano”.

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“Devemos confiar no nosso farmacêutico, como confiamos no nosso advogado ou no nosso médico…”

A confiança e a fidelização podem ser a solução para que” luto” das farmácias possa ter o seu fim. Há quem diga que é assim e… explica: “O problema económico, devido ao qual estamos de luto, deve-se a isto: o preço dos medicamentos, como atrás referi, desceram muito, quer aqueles que são de marca, quer os ditos genéricos, que são sujeitos a receita médica. Enfatize-se, entretanto, o facto de que quase ninguém, hoje em dia, fica sem medicação. Só que a população chega à farmácia e só quer escolher marcas, cores e tamanhos de comprimidos, e até vai ver à Internet tudo sobre medicamentos que pode tomar; dos medicamentos que a vizinha, a sogra ou o filho tomou e depois também toma… o que é péssimo! “, Palavras de Maria Fernanda de Oliveira, que não ficam por aqui.

“Se nós confiamos no nosso cabeleireiro, no nosso advogado, no nosso médico, também temos de confiar no nosso farmacêutico. O povo, hoje, diz que sabe de tudo e, a verdade, é que de nada sabe! As pessoas deviam ter uma farmácia, a sua farmácia habitual, para nós sabermos e conhecermos o utente. Sabermos o tipo de doença que tem, as suas dificuldades económicas, os picos de sociabilização que tem, ou não, e isto porque ainda não há um cruzamento de dados entre o Centro de Saúde e a Farmácia”.

“Tudo o que era bestial passou a besta”

Esse trabalho, ou melhor dizendo, o trabalho anteriormente referido passa, por vezes, ao lado do cidadão comum…

“A verdade, é que nós, muita das vezes, detetamos, aqui, doenças agudas bastante graves, que encaminhamos de imediato para o Centro de Saúde ou para o Hospital. Aqui, muitas das vezes, e além do que atrás referi, somos o amigo, somos o psicólogo – sem retirar-lhe competência e lugar -, somos o aconselhador e por aí fora, só que este papel não tem sido valorizado. No tempo do meu pai e da minha avó, o farmacêutico era espetacular, o médico era espetacular, o presidente da junta era espetacular, até o clube da cidade era espetacular. Agora, tudo que era bestial passou a besta.”

associacao nacional farmacias

“Estamos sobreviver!”

No que diz respeito ao trabalho que está a ser desenvolvido pela ANF, a coisa, segundo, a nossa entrevistada está, de momento, a correr bem.

“A Associação Nacional das Farmácias quando pode trabalha bem. Agora está a trabalhar bem! De, quando em vez, sofremos os nossos reveses. Lá está, temos os nossos associados a abandonar a instituição devido a falências ou insolvências. Os que estão continuam, mesmo com feridas ou tremidos, mas estamos como os navegadores das naus: a sobreviver!”

E, por isso, Maria Fernanda de Oliveira deixa um “recadinho” ao ministro da Saúde, Paulo Mendo

“O atual ministro da Saúde devia de dar um pouquinho mais de ouvidos para” ouvir” os farmacêuticos, àqueles farmacêuticos que ele possa ouvir, porque, por lá, ele vai estar por pouco tempo. Ele é um homem de dinheiro, é um homem que tentou estabilizar a economia, que recebeu muitas dívidas do governo anterior, ressarcindo empresas, fornecedores de serviços ou produtos, e além disso os técnicos, os médicos – todos eles! Técnicos e médicos que têm, em boa verdade, que ver os seus salários aumentados.”

gripe

“O surto da gripe é uma realidade”

Mas, será que este surto, quase epidémico, de gripe “bluff”, ou uma realidade?!

“Este surto é cíclico. Não é bluff! É uma realidade! E é uma realidade por isto: a vacina só traz os antigénios que vão formar os anticorpos que provocaram a gripe do ano anterior. Agora, devido às grandes deslocações da população, o vírus dissemina-se mais rapidamente. “ Um aviso a ter em conta: “Depois de terem tomado a vacina em outubro, podem-na tomar, outra vez, passados quatro meses. Os anticorpos só estão no corpo por quatro meses, portanto devem reforçar nesta altura, ou seja, mesmo no período agudo”, palavras da nossa entrevistada, que, sobre esta questão tem mais sugestões – avisos- a dar-vos…

“Penso que deveria haver uma certa prevenção e, tudo aí, tem a ver com a qualidade de vida. Se a pessoa tem um bom sistema imunitário; se não fuma; se está num ambiente limpo; se pratica exercício físico, quanto mais não seja, a marcha em sítios não poluídos… tudo isso reforça o sistema imunitário. Depois, há que ter uma boa alimentação! Não é só comer os dez quilos de laranjas que dá um grama de vitamina C. É verdade que a vitamina C trava o desenvolvimento do vírus da influenza. Mas há outros vírus associados, como o adenovírus, que não são debelados por antibióticos”, Maria Fernanda Oliveira, sic.

Mais: “Em vez de entupirem as linhas da “Saúde 24” (808242424) com perguntas de lana-caprina, devem dirigir-se à sua farmácia habitual de qualidade, e digo de “qualidade”, porque também há farmácias sem qualidade, as tais onde os donos não farmacêuticos e só têm em vista o fim lucrativo.”

As farmácias dos “amigos” Belmiro e Jerónimo

E os conselhos não ficam por aqui. “Para o resfriado; para os primeiros sintomas de gripe, para que a mesma não se desenvolva, as pessoas devem dirigir-se à sua farmácia habitual. No que ao Porto diz respeito, as pessoas andam a correr: vão agora a uma, depois, se for preciso, vão à freguesia XPTO que fica a três quilómetros, e depois, se lhe apetecem, vão para à beira do Hospital de S. João… “

Mas…

“Se tiverem fidelização às farmácias – e não àqueles sítios que fazem aquelas publicidades, porque é sempre com fins lucrativos, lá do nosso amigo Belmiro, ou do nosso amigo Jerónimo Martins, que põe lá um senhor a vender medicamentos não sujeitos a receita médica-, o processo é mais direto, mais humano e mais interventivo. “

“Atenção: o diretor técnico desses centros – os tais dos nossos amigos – não o  é só de um só centro, é de cinco… de cinco lojas dessas. Ao contrário, aqui, ou nas farmácias “normais”, cada uma tem, permanentemente, um adjunto e um diretor técnico. Portanto, para os resfriados, para a prevenção da gripe, as pessoas se se dirigirem de imediato à sua farmácia, e talvez possa não haver a tal evolução da doença.” Palavras (conselhos) de Maria Fernanda de Oliveira.

A farmácia e a comunidade

A relação de proximidade entre a Farmácia e a população residente numa determinada área é, hoje, mais que nunca, considerada essencial. O atendimento – quiçá – a profissionais do sexo (femininos ou masculinos) ou a toxicodependentes, fazem da farmácia um ponto de passagem… para a outra “margem”.

“Essas pessoas podem vir à farmácia e perguntarem o que quiserem. Penso que quase em todas isso acontece. Aqui, na minha, isso é uma realidade. Temos um gabinete para atender essas pessoas, até mesmo que não sejam clientes habituais. Eles e elas podem vir cá; podem fazer uma pergunta, nos recebemos à parte e esclarecemos tudo o que diz respeito à nossa área. Quando não soubermos estudaremos o caso, e se nada concluirmos, encaminhamos para os centros devidos”, referiu a diretora técnica da Farmácia do Bonfim (Porto).

cartao farmacias portuguesas - 01fev15

A opção “Seguro Vida” e o “Cartão das Farmácias”

E depois, é isto:

“Se o SNS se desmoronar por completo, teremos de ter uma outra opção, e, no meu entender, essa opção passará pelo “Seguro de Vida”, isto para não se chegar ao ponto do que chegou, há quatro anos atrás, os Estados Unidos. Há seguros muito bons e baratinhos que, por exemplo, nós aqui adotamos, como, por exemplo, o “Seguro Plano Mais”, que é excelente”, garante a nossa entrevistada.

“E depois” – continua- “também há o Cartão das Farmácias Portuguesas, que é muito melhor que esses cartõezinhos vermelhos dos “continentes”, e vai ser melhor a partir de março”.

Para mais informações, acerca desta recomendação da diretora técnica da Farmácia do Bonfim (Porto), Maria Fernanda de Oliveira, nada melhor que consultar o site da Associação Nacional das Farmácias (www.anf.pt), ou, então, dirigir-se à farmácia da sua área, onde já criou fidelidade.

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“O mundo caminha para importante depuração!”

Palavras finais como que um até já,

“Temos que ter esperança no futuro. Se demos novos mundos ao mundo, temos de encontrar uma nova solução. Temos que ir para a frente! Mas temos que ser comedidos nos nossos gastos, porque, normalmente, gastamos mais do que podemos. Infelizmente, os políticos foram mal escolhidos. Temos de “obrigar” a sociedade a fazer homens e mulheres novas. O mundo caminha para uma importante depuração.” Maria Fernanda de Oliveira.

 

Texto: José Gonçalves

Fotos: Érico Santos (arquivo) e Pesquisa Google

 

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1 Comment

  1. Carlos Manuel Duarte (Bruxelas)

    Excelente trabalho. Parabéns à sr.ª Drª que dá a conhecer realidades que muitos não querem assumir. Eu sei do que falo!
    O “Etc e Tal” ganhou um leitor emigrante na Bélgica, portugu~es do Minho.
    Obrigado sr. José Gonçalves pelo trabalho que a sua equipa produz e qo qual você dirige.

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