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Depressão Infantil: Uma realidade emergente

Aires Barros

Como é de conhecimento geral, a depressão é uma grave patologia que afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Suas causas podem ser várias, desde morte de um ente querido até um falhanço profissional. São inúmeras as causas que podem originar este estado e alguns até são imperceptíveis ao Ser Humano. Em alguns casos, um estudo detalhado feito por técnicos especializados ao paciente podem determinar a causa para a origem da depressão.

Muitos são as pessoas que acham que a Depressão é uma patologia que só afecta os adultos, mas ao longo do tempo vem-se evidenciando um crescimento desta patologia na população infantil. As crianças que achamos que são imunes a este problema, afinal não o são!

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Cada vez mais as consultas de psicologia e de pedopsiquiatria recebem crianças e adolescentes para tratamento. A depressão está a surgir cada vez mais cedo na vida das pessoas. Se antigamente os primeiros sintomas verificavam-se na pré-adolescência, hoje, já é possível verificar a patologia por volta dos três, quatro anos.

Esta situação é muito dolorosa não só para a criança mas também quem vive em redor principalmente os pais. Sentimentos negativos como culpa e impotência, medo, fracasso como pais, surgem na mente dos progenitores, logo é muito importante procurar por ajuda o mais depressa possível, pois só assim é possível resolver e ultrapassar muitas situações sem deixar marcas permanentes para a vida.

Por muitos anos, os psiquiatras pensavam que as crianças não poderiam sofrer de depressão mas com o passar do tempo tal pensamento acabou por ser errado. Estudos nesta área afirmam que a depressão ocorre em crianças jovens. De acordo com os resultados encontrados, 10% das crianças em idade escolar, têm períodos de profunda tristeza. Quando estes sentimentos profundos têm duração de seis meses ou mais e são acompanhadas por outros sintomas, podem ser diagnosticadas por Transtorno Depressivo Maior

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Quais as causas da Depressão Infantil?

Segundo alguns especialistas que estudam esta situação e eu como técnico estou completamente de acordo afirmam que a situação económica que a grande maioria das famílias esta atravessar é uma das causas para o aparecimento desta patologia. O desemprego dos pais podem levar ao aparecimento da depressão e ansiedade nos respectivos filhos. Um dado importante é importante frisar: Muitos pais acham que os problemas dos adultos só são percebidos por eles mas estão enganados. Muitas são as crianças que apercebem-se dos problemas domésticos. Elas absorvem tudo e têm perfeita noção do tipo de ambiente que vive-se em casa. Infelizmente os pais que demonstram ser ansiosos, preocupados, pessimistas em relação ao futuro, sem querer acabam por transmitir tais estados para os seus filhos.

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Outro factor importante a levar em consideração, é o tipo de conversa que tem. Existem conversas que sem querer podem levar a um mal-estar nos filhos. Muitos são os pais que apresentam uma perspectiva negra sobre a vida adulta, onde só se fala em cortes, impostos, corrupção entre outras situações negativas. Muitos destes adultos esquecem que também existem momentos positivos e são estes momentos que devem significar muito para a vida das crianças.

Outro factor importante para o aparecimento da depressão, prende-se com a pressão constante exercida sobre as crianças.

Desde muito cedo, muitos são os pais que começam a incentiva-las a serem competitivas afim de alcançarem bons resultados já que o mercado de trabalho está difícil e apenas os melhores poderão safar-se.

Tais comentários como “Para sobreviveres a este mundo, tens que ser o melhor”, “Só os melhores é que vencem” são constantemente ditas na frente das crianças e à medida que o tempo vai passando elas vão interiorizando e quando algo não corre como esperado, então a frustração surge e o mundo aparece negro. Para essas crianças os pais são o orgulho, a fonte de inspiração e não querem decepcionar, mas quando isso acontece, sentem-se que não foram boas o suficiente e isso faz com que caiam na tristeza profunda, tudo porque decepcionaram os pais. Outra situação aliada à depressão é o factor stress.

É fácil perceber que muitos são os pais que enchem a vida dos filhos com actividades desde o nascer do sol até ao pôr. Muitas são as crianças inscritas em natação, música, ballet, actividades desportivas e com isto tudo onde fica o tempo para serem o que elas são de verdade?

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Divórcios mal resolvidos e violência doméstica são outros factores que contribuem para o aumento da patologia nas crianças e jovens. Outro factor que pode levar ao aparecimento da depressão, reside na falta de tempo que muitos pais têm no que diz respeito a estar com os filhos. Hoje em dia, muitos são os pais que dizem “Vai brincar, porque o pai tem cenas para tratar”, “Vai ver televisão, não estas a ver que o pai e a mãe estão ocupados?”. Tais afirmações são levadas a sério pelos filhos que acabam por sentir-se isoladas, postas de parte por parte das figuras que eles mais admiram.

Quando a criança atinge a adolescência, é importante que os pais estejam presentes para os ajudar a compreender quem são. É uma afirmação falsa pensar que os adolescentes não querem falar. É nessa altura que eles mais precisam de ouvir e serem ouvidos. Cabe aos pais não condenarem, mas sim explicarem pacificamente a situação, expondo os seus pontos mas deixando sempre claro que respeitam a opinião mesmo que ela esteja errada. O objetivo não é mostrar o que está certo ou errado, mas fazer compreender o que é certo e o que é errado.

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Como identificar a presença da Depressão?

Nas crianças é muito complicado observar a presença da depressão porque cada uma, reage da sua própria maneira. Existem crianças que manifestam a depressão apresentando um comportamento eufórico e alegre ou até mesmo de actividades exageradas. Algumas crianças deixam de comer (atenção, não confundir este comportamento com anorexia), outras deixam de brincar.

A criança passa a sentir-se infeliz sem aparentemente haver uma razão; observa-se um descontentamento no exercício das actividades que anteriormente desempenhava com alegria; Há uma diminuição de energia; potencializa o isolamento social, pois não tem vontade de estar com os amigos e familiares; demonstra dificuldade em concentrar-se; apresenta alteração de peso que tanto pode ser perda como ganho; apresenta também alterações de sono através do ganho ou perda; queixa-se de dores físicas apesar de aparentemente não se ter magoado e começa por ter pensamentos suicidas.

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Como lidar com uma criança depressiva?

Para conseguir ajudar a criança, é necessário antes que tudo os pais não ficarem deprimidos. É complicado lidar com esta situação, especialmente se for um filho já que os pais fazem de tudo para ver os seus filhos bem e isso nesta situação pode ser grave. É importante que mantenham a cabeça fria, com muita calma e pensar sobre o assunto sem estressar. Não vale a pena atribuir culpas, já que o aparecimento da depressão nunca é devido apenas a um factor ou acontecimento. Aqui também teremos que ter em atenção à condição genética.

Como em todas as situações, o Ser Humano perante uma determinada situação, passa por uma etapa de negação e por fim de aceitação. O mesmo se passa nesta situação, ela tem que ser encarada positivamente e de frente. É importante esclarecer à criança que os pais estão ali para o que der e vier, que querem na ajudar. Não importa se disserem isso repetidamente, porque dizer isso várias vezes pode significar muito para uma criança. Todos nós temos os nossos problemas mas neste caso, ocupem o tempo possível com a vossa criança e demonstrem o quanto ela é amada, querida, acarinhada, demonstrem o quanto ela é importante para vocês e acima de tudo passem tempo de qualidade com ela, tentem-na compreender e ouvi-la.

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A quem recorrer para ajudar a sua criança?

Procure ajuda profissional. Um pedopsiquiatra ou psicólogo que pode ser sugerido pelo pediatra da criança ou médico de família. O técnico tem como dever reestabelecer a vida psíquica da criança através de uma conversa informal para no fim tentar perceber o que se passou e assim ajuda-lo a ultrapassar a fase. Claro que quando a situação apresenta-se mais complicada por vezes o recurso a ajuda farmacológica possa ser mais eficaz. A farmacologia anti depressiva é tratada em crianças da mesma forma como é com os adultos, no entanto é necessário haver uma vigilância no que diz respeito às respostas das crianças face ao fármaco.

Outra forma de tratamento para ajudar a criança é o recurso a sessões psicoterapêuticas. Através de um psicoterapêutico é possível entrar no mundo da criança e perceber o que aconteceu de errado.

Não tenha medo em esconder que a criança anda em tratamento psicológico. Muitos são os pais que acabam por não porem a criança nos tratamentos com medo do preconceito que a mesma possa ser alvo, por parte dos colegas, dos outros pais. Mas o que é mais importante, o bem-estar da criança ou o seu conforto?

É importante darmos a volta aos problemas que nos surgem pela frente e não nos deixarmos sufocar. Só assim é que poderemos fazer do nosso meio, um meio melhor para se viver!

 

Fonte: Boyde, D. & Bee, H. (2011) “ A Criança em Crescimento”

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