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O mundo acinzentou-se

José Luís Montero

Paris viveu um dia negro; uma tragédia indiscritível que me nego a acreditar. Não posso ou não quero ou sou incapaz de pensar que existem seres humanos que estão num estádio tão animalesco que não os revejo como semelhantes. O horror do terror contra pessoas criativas que utilizam a imaginação e o saber fazer é tão brutal que nada parece ser como na véspera.

Tudo mudou. Europa arma-se com medidas, chamam-lhe de prevenção, que são e serão medidas repressivas e de controlo do cidadão; viver-se-á sem direito à mais simples das privacidades. O papão Estado cada vez mais nas mãos dos serviços secretos, vulgarmente chamam-lhe “inteligência”, atuará asnalmente; tudo o que é dúbio será perigoso e quem não cale; fica sem língua. Arábia Saudita não demorou muito e declara os ateus como terroristas e o Papa mete a colher na sopa que não lhe pertence e diz que não se deve provocar as crenças.

proibir

Só as crenças se poderão meter na vida que não lhes pertence, mas, como são donas de tudo, tudo lhes pertencerá e voltaremos aos tempos mais escuros que a escuridão. A França, encolhe-se; tapa-se e molha porta-aviões em águas de sangue enquanto proíbe aos muçulmanos rezar em público. A questão, nesta era de idiotas, é proibir e exibir força bruta; força assassina.

Sou ateu; fiz apostasia; só quero saber se posso respirar neste mundo onde a Fé é sagrada e a fome ou a dor provocada pelos filhos da Fé é comum e cada vez se generaliza mais. Quando não é a Fé que provoca o horror aparece um governo qualquer que vende, despede; corta salários; elimina serviços de saúde ou diz que o cinto é para andar apertado.

Algures em África aparecem novos grupos facínoras; aqui em Europa vedam o riso quando, crentes ou não crentes, sempre se riu ou ironizou sobre os abades e a sua pança. Há muitos anos quando Espanha se preparava para aderir à NATO fiz um cartaz que rezava: “Abaixo as Guerras Santas!” Um líder provinciano espanhol cheio de perfume e água benta de esquerdas, quando soube do meu cartaz, acelerou a língua viperina negando a realidade e a possibilidade; hoje, esse ex-líder da fantasia de esquerda que chafurda no Poder não tem a resposta; tem o filme televisado em direto enquanto come as petingas da praxe.

europa merkel

Europa está pobre e vive nas mãos de uma Alemanha que pratica o orgasmo enquanto faz parafusos de alta qualidade. Mas, estar pobre não quer dizer que não se possa ter dignidade, no entanto, se perde a Liberdade e a possibilidade de discutir sobre tudo passará para o campo que não há muito tempo se chamava, politicamente, terceiro-mundo. Sem serviços básicos e sem Liberdade só nos distinguiremos pelos uniformes. Todo um século a presumir; a caminhar pelas passarelas da Luz com o perfume dos livros a expandir-se e chegou uma trovoada bárbara e “legisla-se”: lê para ti; pensa para ti e pela rua não se maldiz nem deuses, nem governos (“Lei Mordaza” espanhola).

Os Papas, chamem-se Francisco ou António, julgam-se com o direito e dever de falar no direito que diz respeito às mulheres; homossexuais; ateus ou das formigas no carreiro; a ficção chamada Deus não pode ser questionada e se se nega ou essa ficção provoca o riso a algum bem-humorado, não se está a rir; está-se a provocar…

Mas, aqui e além, sabemos o que as leis apoiadas nos livros sagrados -ou não- provocam: mortes de mulheres acusadas de comportamentos indignos; decapitação de jornalistas; bombardeamento de populações (Gaza); utilização de crianças no cometido de crimes atrozes.

Serviços de “Inteligência” acusados de fomentar e criar bandos de assassinos em série; Serviços das grandes potências ocidentais teoricamente democráticas; humanistas e liberais ainda que vendo estes três conceitos não consiga enquadrar Israel e o seu Mossad. Tal como é de difícil enquadramento a presença do primeiro-ministro israelita na foto-pantomima que muitos líderes fizeram em Paris.

mundo sem fronteiras

E mortes e mais mortes; Bélgica… E Espanha pede endurecimento de fronteiras; Alemanha retira BIs; França… E o Mundo deixa de sonhar com a eliminação de fronteiras e os homens livres terão que voltar às catacumbas ou ficar no silêncio dos mudos.

A Liberdade está a ser atacada pela Fé; pelo que se não discute. A Liberdade terá que ser mais do que é para poder sobreviver. Estou pessimista; talvez estupefato com o que leio ou oiço e quando oiço um representante francês dizer que existem liberdades que são prescindíveis, deixo de considerar Le Pen como um cavernícola para considerar o grémio político como vendedores, com objetivos, da vida e da boa saúde social.

A tragédia de Paris provoca-me trombos no sangue; urtigaria pelo corpo e pensamentos nostálgicos de tempos sem tanta ruindade. Mais uma vez, deus, os deuses; as religiões, bebem orgiasticamente o sangue dos seus cordeiros. Não sou cordeiro; não dou o meu sangue. Não quero religiões.

 

Fotos: Pesquisa Google

 

01fev15

 

 

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1 Comment

  1. Fernanda Lança

    Tudo isto me parece um extremar de posições e cortes de liberdade que já se viram na história nos anos 30.Veremos que efeito vai surtir o bater do pé da Grécia

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