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Schauble

José Luís Montero

“Sinto muito pelos gregos…” um senhor com cara vermelha e olhos de não ter olhos com nome de volfrâmio e apelido de Schauble, atreve-se a fazer considerações sobre a escolha política feita por um País membro, como o seu, da CEE mais conhecida pela Coisa Estafada e Escarniada.

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Este senhor de apelido Schauble deveria estar calado e manifestar um mínimo de cortesia e delicadeza; mas, este cavalheiro é um Bárbaro. Pertence a uma terra invasora que tem gerado mortes e mais mortes às terras limítrofes. Só conhece o termo “domínio”; só sente o que o dinheiro agiota lhe ordena. O tal Schauble é um perfeito panfleto do obscurantismo. Pertence a quem não o votou nem vota; é a voz carnívora da mais baixa humanidade. Grécia é uma referência Universal; a sua terra é uma referência da barbárie e dos parafusos topo de gama. Este doutor é uma vergonha para Europa.

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A terra do Schauble esteve divida durante muitos anos. O seu compatriota Hitler tentou aplastar a velha Europa e o Mundo. Perdeu a guerra e a tal terra ficou dividida. Aconteceu que o Muro de Berlim que dividia as duas terras caiu; a terra do Schauble que estava a Leste era mais pobre que a que estava a Oeste. A terra do Schauble procurou (ainda a meias) equilíbrio territorial.

A subvenção esteve na ordem do dia; o dinheiro da Banca esteve à flor-da-pele; o dinheiro da CEE não faltou. Europa tendo países mais carentes – como Portugal, Espanha, Grécia – colaborou. Colaborou em abundancia com um dinheiro que tinha o nome de solidariedade.

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Esse dinheiro partiu para que Alemanha fosse um País territorialmente homogéneo quando Europa carecia de homogeneidade. Europa não exigiu que a Alemanha reunida tivesse o mesmo tipo de reformas que Portugal ou o mesmo tipo de Saúde Pública. Esse dinheiro não retornou às arcas dos países solidários. Parece que Europa – e não só – tem que pagar, periodicamente, para que a terra do Schauble viva bem e produza muitos parafusos topo de gama.Europa morreu no mesmo momento em que Schauble produziu semelhante frase e opinião sobre as eleições e opção dos votantes gregos.

Escrevo esta crónica no dia posterior e no primeiro dia do Ultimato (também lhe podiam chamar qualquer nome) de claudicação que lhe foi imposto à Grécia. O dia em que este texto veja a luz pública, Europa pode estar estilhaçada pelos quatro cantos do Continente e ilhas adjacentes como a Madeira do tal Jardim. Pode estar estilhaçado o Euro; mas, isso já não tem importância. O ponto “g” foi outro. O ponto está no momento em que o representante alemão despreza a vontade popular do povo grego. Marca o fim deste sistema de democracia. Esta Europa nem está interessada na voz (curta) dos seus cidadãos, nem nada que se pareça. A voz e a utopia desta Europa relacionam-se com o interesse agiota e com o interesse do neoliberalismo económico que marcou e determinou a fase de austeridade que oculta o verdadeiro nome: pobreza generalizada.

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Num lugar pequeno de Europa, Alcácer do Sal, as pessoas carecem de médico de família. As bichas para lograr a taluda de ter consulta começam a formar-se antes do Sol nascer. Nesta pequena cidade, curiosamente, manda o PCP. Até á data não vi a Camara Municipal levantar a voz. Isto é símbolo de pobreza extrema e símbolo de resignação política.

Isto é a Europa que nos deixou Sarkozy no momento em que cede à Alemanha o conceito político. Sarkozy, na falsa procura da estúpida da “ grandeur” francesa, abandonou tudo; abandonou Europa e o acordo tácito da sua formação: “Alemanha seria o motor; mas o conceito de Europa seria França.” A antiestética chefe do antiestético Schauble apoderou-se da Ideia e do conceito de Europa para chegar ao ponto em que estamos: no nada. Os Piggs são javardos e como tal criam-se; cevam-se e matam-se. E assim está atuar Alemanha. Assim o vivemos os Piggs. Europa está morta. Europa só pode viver ou ressuscitar se recupera a Utopia. Não é a economia que move ou fermenta, através da História, grandes ocasiões, é a Utopia.

Subtraem da mesa das negociações um documento que a Grécia estava disposta a aceitar para colar outro documento onde a Grécia nem sequer pode aceitar; pode, exclusivamente, obedecer; escravizar-se. E governos ou países em crises tremendas como Portugal ou Espanha, governados por direitas saudosistas e homólogos do governo alemão, aplaudem Alemanha…Vergonha de ser um Ibérico de formação; vivência e convicção.

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Não sinto tristezas. Quando nos banham de pobreza – austeridade- rio-me dos ricos; com força; com sarcasmo e manifestando desprezo. Com este acontecer perdi a virgindade se é que ainda tinha alguma coisa de inocência e principiante. A minha visão ficou marcada, irremediavelmente marcada pela barbárie do mister Schauble; é o que conta. Se quando este texto veja a luz do dia estivermos mais aquém ou além do temível “corralito” é secundário porque sei; saberei que vivo num conglomerado de agiotas e cães de guarda da usura. A paisagem carecerá de flores e as flores fazem parte da minha vida; dão-me cheiros perfumados e preciosidade visual. Adeus Europa.

Fotos: Pesquisa Google

01mar15

 

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