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Em julho: O melhor teatro espanhol passa por Matosinhos!

O prestigiado Festival de Teatro de Almada volta, este ano, a ter uma extensão em Matosinhos, permitindo trazer ao Cine-Teatro Constantino Nery dois dos melhores exemplos da mais recente dramaturgia espanhola, já premiados internacionalmente. “Última Transmisión”, de Enrique e Yeray Bazo, será apresentado no dia 3 de julho, pelas 21h30, seguindo-se-lhe, no dia 11, a peça “Sé de un lugar”, de Iván Morales. Os dois espetáculos do novíssimo teatro do país vizinho farão, aliás, a sua estreia nacional em Matosinhos, seguindo depois para Almada.

Cine-Teatro Constatino Nery

3 de Julho, 21h30 Última Transmisión

de Enrique e Yeray Bazo // Encenação Diego Palacio Enríquez

Teatro Caja Negra

Intérpretes: Margarita del Hoyo e Raúl Escudero

Cenografia: Caja Negra e Jara Martínez Valderas

Luz, Som e Vídeo: Diego Palacio Enríquez

Figurinos: Caja Negra

Caracterização: Clara Torres

No sótão de uma casa abandonada encontra-se um sobrevivente. Um homem que, com a ajuda de um emissor de rádio, tenta entrar em contacto com o exterior. Quem é este homem? E o que terá acontecido lá fora, para que esteja nesta situação? Por entre o ruído indefinido do rádio começa a ouvir-se a voz de uma mulher. No entanto, parece impossível estabelecer-se entre os dois qualquer tipo de comunicação. É possível que, na verdade, tudo se passe apenas na cabeça deste homem.

Última transmisión é um espetáculo inspirado no universo da ficção científica, através do qual os seus autores tentam criar uma maior ligação com o público jovem. O dispositivo cénico pretende que os espectadores consigam imaginar-se “os últimos homens”, os últimos sobreviventes à face da terra.

Nesse sentido, o espetáculo pode ser apresentado numa multiplicidade de espaços não convencionais: sótãos, armazéns vazios, o palco de um teatro – espaços que permitam ao público sentir-se imerso num mundo fora da realidade. Para tal, o encenador Diego Palacio Enríquez recorre ao som e ao vídeo para criar um ambiente de grande envolvência.

Este espetáculo partiu de um texto criado no laboratório artístico En blanco 2012, associado ao Espacio de Teatro Contemporâneo. O objetivo destes laboratórios é possibilitar uma pesquisa em torno de soluções inovadoras na prática teatral, permitindo aos seus participantes “trabalhar sem estar sob a pressão de produzir resultados imediatos, contando com os recursos mais adequados a cada processo de trabalho”. Os autores referem que neste processo de trabalho puderam testar o texto a cada passo: não se tratou da premissa habitual, em que o autor escreve o texto sem poder recorrer ao palco para se ir confrontando com a maneira como este resultará cenicamente.

11 de Julho, 21h30Sé de un lugar

Texto e encenação: Iván Morales

Cia. Prisamata

Intérpretes: Anna Alarcón e Xavier Sáez

Assistência de encenação: Lali Àlvarez

Apoio ao movimento: Joana Rañé

Luz: Marc Lleixà

Simón e Bérénice terminaram a sua relação mas continuam a encontrar-se. Ele decidiu isolar-se em casa. Ela vai visitá-lo de vez em quando, no meio das suas viagens e experiências amorosas. Cada um representa uma postura quase oposta perante a vida. E, sobretudo, perante o fim de uma relação. De acordo com Iván Morales, autor e encenador, estas personagens “não querem renunciar à possibilidade de fazerem os seus percursos individuais, mesmo que tal os leve à solidão – mas, ao mesmo tempo, recusam quebrar o seu vínculo de intimidade”.

Sé de un lugar coloca o público muito próximo da acção cénica: o espectáculo tem sido apresentado em espaços não convencionais, para que seja possível entrar-se no apartamento de Simón. Santi Fondevila escreveu, na Time Out, que os espectadores se transformam em “voyeurs privilegiados”, destacando “a linguagem quotidiana de extrema sinceridade, sustentada por uma estrutura dinâmica e inteligente”. Ramon Oliver, no “El Periódico”, destaca o modo como Morales consegue criar “uma calorosa cumplicidade que, mesmo que assim possa parecer, nada tem de banal nem de casual”. Já Juan Carlos Olivares, no Ara, refere-se ao texto do espetáculo como “engenhosamente vivo, culto e popular em igual medida, irónico, terno e ágil”.

Esta não é apenas uma “história de amor depois do amor”. Este casal imaginado por Iván Morales é também uma forma de abordar no teatro uma “crise de identidade pela qual está a passar a classe média-baixa” em muitos países europeus. Uma crise que se revela no facto de quem a vive não se reconhecer nos problemas que a causaram, mas também não saber ao certo o que poderá fazer para lhe encontrar uma solução. E mesmo que algumas pessoas se fechem em casa, como Simón, e outras procurem a felicidade no exterior, como Bérénice, quase todos acabam sempre a desejar uma realidade que existe apenas na imaginação.

Texto: Jorge Marmelo (AI CMM) / EeT

Fotos: Pesquisa Google

01jul15

 

 

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