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Europa e Tudo… Europa e Nada

José Luís Montero

A Europa dos mercadores tropeçou com o Poeta. Europa pode fazer tudo, incluído suicidar-se, mas, o nome engano desapareceu do mapa. Pode a ministra Albuquerque, pode o Rajoy; pode a Virgem de Lurdes clamar pela sobrevivência do Estado e das suas parcas aposentações, podem os santos virar rockers, mas, o discurso único patrocinado pelos famosos bloques centrais – PS, PSD-CDS sem se esquecer o comportamento de aposentado do PCP- desapareceu, evaporou-se.

Os primos do Bloque Central falam no deserto e para o deserto e nem as areias os escutam. Esta grande crise que ajoelhou povos e nações é a crise da usura. Os agiotas privados ou institucionais cada vez enchem mais os cofres. A indústria bélica alemã – também a francesa- fabricaram e venderam de tudo menos inocentes barquinhos de papel. A Grécia conhece bem esse drama e Portugal, com o seu vice-tudo Paulo Portas á frente, podem falar do negócio. Europa chamou-lhe paz social à desmobilização dos assalariados e os assalariados e não assalariados (por enquanto menos em Portugal) de diferentes horizontes levantaram a voz fora das organizações adormecidas.

bloco central

Cádis, Espanha e Andaluzia, cidade e região castigada pelo senhorismo rural desde que a História a colocou na rota de partida da aventura marítima espanhola, comtemplou como o novo Presidente da Camara substituiu a fotografia do Rei Felipe VI pela fotografia de Salvaochea representante camarário em 1936 e anarco-sindicalista da CNT.

Numa vila pacata e bucólica da mística da Galiza observou-se como o atual Presidente da Camara, Represas, renunciou ao seu ordenado e disponibilizava o ordenado que seria seu para iniciativas de caráter socio-laboral. A chamada Fiesta Nacional – los toros – ouviu estupefata como não receberá dinheiro público das arcas municipais.

Espanha contemplou como Esperança Aguirre, mito e esperança da direita das castanholas, colapsava e entrava em neurose retórica. Acabou-se o discurso único. Alemanha e o mundo da usura poderá ganhar a batalha do empobrecimento, no entanto, perderam toda a credibilidade. Estão a jogar como o Poeta- Grécia- vai querendo e como para além do chão da pobreza só existe a morte, Grécia, só pode ganhar; vencer; derrotar os gigantes.

espanha republicana

Portugal, no entanto, instalou-se na descrença ainda que a rua só está viva porque os turistas invadem cotidianamente as suas terras. Na terra de Camões não nasce erva nova e viçosa. Aparecem caras metidas entre dinossáurios do discurso retórico enquanto se instalou uma enorme Feira da Ladra para vender todos os retalhos possíveis e imaginários. É penoso; é lastimoso ver como a descrença no Sistema é um enorme globo, mas, o maldizer ou agir dos cidadãos não passa de beber bicas acres e cheias de azedume.

Os Cafés de Portugal são feiras de escárnio antigovernamental, no entanto, como máximo, vê-se passar, esporadicamente, um desfile da CGTP sem mais bandeira que a indicação territorial da sua procedência. São dececionantes inclusivamente para quem desfila nos seus passeios urbanos. Repetem, tediosamente, slogans dos anos pretéritos; exibem, repetidamente, cartazes sem expressão. Passeiam pelas ruas sem ser vistos ou ouvidos.

marcelo rebelo de sousa

Esta Feira, vaga e sem carrosséis barulhentos, é tão monótona que um tal Marcelo Rebelo de Sousa é um possível candidato a não sei que candidatura porque o candidato que se tornou presidente, no passado, é a coisa mais parecida a um fantasma com gravata; com gravata monocromática e com nó que parece querer enforcar.

Seria delirante entre todos delírios que uma personagem dos espaços das televisões onde fala das capas de livros ou acontecimentos como se fossem teses doutorais chega-se à Presidência.

Piores coisas já se viveu e ouviu, mas, se este tipo de personagem são idóneas para a presidência significa que o Sistema está tão órfão e carente que não será necessário empurrar; desmoronar-se-á sozinho e sem que exista um sopro. Talvez uma manhã, sem que seja de nevoeiro para não incomodar o sono ou sonho sebastianista, alguém assobie enquanto come o pastel de nata matinal e o velho Portugal se transforme num verdadeiro jardim à beira-mar plantado onde as Tágides ganharão a categoria de musas do bem-estar e anfitriãs da felicidade.

Fotos: Pesquisa Google

01jul15

 

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3 Comments

  1. josé luís montero

    ” como se fossem teses doutorais chega-se à Presidência.” desculpem a gralha… não é chega-se mas,sim chegasse

    obrigado

    José Luís Montero

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