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QUE FUTURO para a PRAIA de S. PEDRO DE MACEDA mesmo depois de ter sido reclassificada?

O longo “braço de ferro” que a zona litoral de Maceda vem enfrentando de forma quase natural, uma vez que as entidades competentes têm resistido e bem a recorrer a obras pesadas, ainda que esta opção das pedras tenha sido reforçada nas recentes intervenções de proteção e requalificação ali mesmo ao lado, na praia Velha de Maceda situada ao sul do areal de Cortegaça.

No caso de Maceda, em que está mesmo em experiência um projeto da Câmara Municipal de Ovar para, através dos designados “geotubos” fixar areias numa das áreas que mais tem sofrido com a erosão costeira no concelho de Ovar, a grande preocupação tem sido centrada nas épocas balneares, no sentido de serem criadas condições de acesso ao areal por parte dos veraneantes que procuram aquela praia, mesmo não sendo ao longo dos últimos anos considerada oficialmente uma zona para uso balnear e por isso sem candidatura a Bandeira Azul.

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Sendo um velho sonho e desejo dos autarcas ver a praia de São Pedro de Maceda reconhecida como de uso balnear, a nova classificação acabou por ser conseguida por decisão da Agência Portuguesa do Ambiente. Uma nova situação que para os autarcas significa um passo que abre portas à sua reclassificação, em sede de POOC, alterando assim a tipologia desta praia, que passa a permitir a instalação de um apoio de praia simples que neste caso é composto por cinco módulos.

De recuo em recuo vai resistindo

Numa zona do litoral ovarense que mais tem sido engolida pelo avanço do mar e os autarcas se têm vindo a adotar a tal realidade, acompanhando o recuo com sempre renovados acesos ao areal bastante ingrime. Desta feita e com tal evolução da sua classificação, esta praia foi alvo de uma significativa empreitada de proteção e requalificação no âmbito do Programa Valorização do Território, cofinanciado pela União Europeia, deixa transparecer uma certa esperança de que finalmente o mar vai começar a não fustigar tanto Maceda, apoiados naturalmente no eventual sucesso dos “geotubos” cuja capacidade de resistência à fúria do mar ainda não foi verdadeiramente testada, dado o inverno pouco rigoroso que se fez sentir este ano.

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Admitindo que a justa ambição de Maceda em ter uma praia reconhecida de uso balnear, não vai levar autarcas e entidades competentes na gestão do Litoral a caírem na tentação de vir a recorrer à pedra para a defesa desta “conquista”, que a Junta de Freguesia de Maceda e a Câmara Municipal de Ovar garantem ser esta praia uma aposta de futuro, por enquanto as obras e intervenções vão-se baseando em estruturas com base na madeira, estacarias, e os referidos “geotubos”, ainda que a construção de acessos se traduzam sempre, no aumento de destruição das arribas frontais para facilitar o acesso ao areal.

Desmatamento de espécies invasoras

Mas, curiosamente, ao mesmo tempo que se fazem tais investimentos de proteção do litoral, nesta área de Maceda dominada por um valioso património ambiental, como é a rica mancha florestal até ao Furadouro, foi alvo de um processo de desmatamento de espécies invasoras nesta faixa do litoral que alterou significativamente a paisagem ao ser feito de forma desestruturada e inconsequente, sem uma aposta em reflorestação pós-debaste. Uma ação que deixou um cenário inquietante no que toca à fragilidade de uma extensa faixa do litoral que assim fica ainda mais vulnerável ao processo de erosão, que segundo estimativas feitas mesmo por um técnico de ambiente contratado pelo Município de Ovar, aponta que nesta faixa da costa, em média seriam perdido até 20 metros no troço Maceda – Furadouro até 2017.

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Fica a dúvida, considerando a posição assumida pelos autarcas de que esta praia de Maceda é uma aposta de futuro, se a alteração radical na paisagem entre a Praia Velha de Maceda e a de São Pedro, que implicou a abertura de discutíveis acessos de trânsito até ao areal, como acontece na Praia Velha de Maceda e o desmatamento de uma larga faixa da zona dunar.

Se as consequências no futuro, resultantes das inevitáveis fragilidades entretanto criadas, implicarão prolongar as defesas aderentes em pedra paralelas ao mar, que crescem de Esmoriz até Cortegaça, cuja última empreitada destas estruturas pesadas surgiram para defesa ou tentativa de segurar a erosão ao longo das instalações do Parque de Campismo de Cortegaça, bem a poucos metros de estas defesas aderentes ficarem ligadas ao esporão que separa o areal que resta da praia de Cortegaça à Praia Velha de Maceda. Uma declaração de guerra ao mar, que mais cedo ou mais tarde, poderá ter resposta violenta de tão afrontado com o negócio da pedra enterrada na areia ao longo do litoral.

Texto e fotos: José Lopes (*)

(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar

 

01jul15

 

 

1 Comment

  1. Manuel Valente

    Como nascido em Maceda há mais de 60 anos, vi nascer esta praia, que “morreu” á nascença, pois que nunca foi possível que a praia fosse infraestruturada. Isso passou, mas que tenha sido escolhida para ser “engolida” pelo mar ano após ano, não é aceitável. Até parece quando o mar chegar á estrada florestal e mais tarde á Base Aérea é que os responsáveis intervirão. È pena, pois que a praia de Maceda e a própria freguesia de Maceda reune condições únicas para um desenvolvimento moderno e sustentável em termos ambientais. È a única freguesia de Ovar que têm acessos previligiados e não obstante isso os responsáveis autártiquos ao longo dos anos trataram a freguesia sempre como uma freguesia pobre, que não merecia qualquer aposta de desenvolvimento.

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