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Aveiro: MOLICEIROS e mercantéis DINAMIZAM TURISMO da cidade

Com os vários canais navegáveis ao longo do dia, a cidade de Aveiro, a que muitos não resistem designá-la como a Veneza de Portugal, ao contrário de outros concelhos ribeirinhos ligado à Ria de Aveiro cuja navegabilidade nos seus canais está muito dependente e limitada às marés, vive um ritmo intenso de trafego marítimo com as típicas e caraterísticas embarcações da Ria, moliceiros e mercantéis.

Elas proporcionam de manhã até ao anoitecer, iluminado pelo reflexo nas águas dos últimos raios de sol, passeios turísticos, segundo as várias ofertas e programas das empresas que se multiplicaram e cresceram para corresponderem à grande procura desta forma de se conhecer a cidade de Aveiro e promotora de desenvolvimento turístico que, este património ambiental, cultural e social da região atrai ao longo de todo o ano, tendo como ponto alto a época de verão em que o ritmo de navegação das embarcações de turismo por entre os canais é verdadeiramente estonteante.

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Durante todo o dia em grupo organizado ou individualmente, formam-se filas em diferentes pontos dos vários canais, para obter lugar a bordo de um moliceiro ou de um mercantel que se vão cruzando num vai e vem constante, transportando turistas de vários pontos do país e do mundo pelos quatro canais com a média de 45 minutos, ainda que dependendo dos vários tipos de programas de passeios propostos, que incluem passeios românticos para duas pessoas. Uma forma agradável de conhecer a beleza da cidade, seus recantos e suas gentes através da visita aos canais da cidade, navegando nas águas calmas do Canal Central, que permite conhecer alguns exemplares de casas de arte nova e a parte histórica da cidade.

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Ou no Canal das Pirâmides em que é possível observar algumas salinas que resistem ao progressivo abandono desta atividade económica. Assim como pelo Canal de São Roque em que ainda se podem ver antigos palheiros de armazenamento de sal da safra estival, com ligação ao cais dos Botirões junto do mercado do peixe. Por fim, o Canal do Cojo que entra pela cidade adentro até à antiga fábrica de cerâmica (Cerâmica Campos) que foi recuperada e em que funcionam entre outros serviços o Centro Cultural de Congressos de Aveiro.

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Ainda que sejam visíveis adulterações na estrutura destas típicas embarcações da Ria, para se adaptarem a este negócio dos passeios turísticos, particularmente nos moliceiros, os ex-libris de Aveiro, que vão alterando as características da borda baixa que antigamente servia para facilitar a apanha e carregamento do moliço.

Há mesmo barcos que adaptaram a proa com uma dobradiça para ser dobrada em algumas das pontes mais baixas dos canais quando a maré está mais alta. Pormenores que a beleza da paisagem e o tradicional colorido das embarcações espelhado na água faz passar despercebido, sobressaindo sim, as satíricas e humorísticas pinturas na proa e na ré dos moliceiros que despertam curiosidade na cidade dos ovos-moles.

Embarcações que voltaram a ganhar vida

Não podendo navegarem em estreitos canais com as velas que os caraterizam, os moliceiros e os mercantéis voltaram a ganhar vida numa relação perfeita entre a Ria de Aveiro, a cidade e seus canais, que outrora foram meio de comunicação e desenvolvimento económico e social determinante entre as povoações da área lagunar do Rio Vouga, e de transporte de produtos tradicionais como as pescas ou o sal, entre outras mercadorias para a região e o país.

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Abandonadas e esquecidas nas margens da Ria a apodrecerem, muitas destas embarcações acabaram por desaparecer durante anos de decadência das várias atividades tradicionais. Foram tempos de glória em que moliceiros e mercantéis decoravam as águas da Ria de Ovar a Mira, na dura atividade da apanha do moliço ou do transporte de sal, que antigos proprietários e tripulantes, e agora novos promotores de passeios de turismo voltaram a dar vida a tais relíquias inseparáveis das águas da Ria de Aveiro.

Texto e fotos: José Lopes

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