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“Os Hospitalários no Caminho de Santiago”: Feira Medieval junto ao Mosteiro de Leça do Balio

Já começou a contagem decrescente para a décima edição de “Os Hospitalários no Caminho de Santiago”, que decorrerá entre os dias 10 e 13 de Setembro, junto ao Mosteiro de Leça do Balio. Aquela que é uma das mais rigorosas recriações históricas que se fazem em Portugal promete muita animação, artesãos trabalhando ao vivo, saltimbancos e malabaristas, guerreiros terçando armas, folguedos diversos, jograis interpretando música a condizer, ordenação de cavaleiros, tabernas ruidosas e até uma comitiva de músicos moçárabes vindos do emirado de Granada (devidamente acompanhados de moças meneando o ventre como na história das mil e uma noites).

A recriação “Os Hospitalários no Caminho de Santiago” conta ainda a particularidade de ter como ponto culminante a encenação do polémico casamento de D. Fernando com Dona Leonor Telles, efetivamente celebrado no Mosteiro de Leça do Balio, em 1372. Este terá sido, aliás, o primeiro casamento romântico da monarquia portuguesa: contrariando os interesses do Estado e as preferências da corte e do povo, o rei D. Fernando desposou Dona Leonor Telles, cognominada “a Aleivosa”. O casal necessitou, porém, de abandonar o paço lisboeta, decidindo unir-se perante deus naquele que era, então, um ponto obrigatório de paragem e descanso para quem rumavam a Santiago de Compostela a fim de venerar as relíquias do apóstolo. O casamento haveria, ainda assim, de dar origem à crise de 1383-1385.

mosteiro de leca do balio

Organizada pela Câmara Municipal de Matosinhos, a feira medieval “Os Hospitalários no Caminho de Santiago” visa promover os Caminhos de Santiago no concelho, bem como divulgar o Mosteiro de Leça do Balio, um dos monumentos mais emblemáticos do Norte de Portugal e sede da Ordem dos Cavaleiros de S. João de Jerusalém do Hospital, por isso conhecidos como “hospitalários”. O local, recorde-se, desempenhou um importante papel na assistência aos peregrinos que demandavam o túmulo do apóstolo Santiago em Compostela, providenciando assistência anímica e médica, e continua, ainda hoje, a ser um local de referência e passagem obrigatória para quem, nesta região, percorre os Caminhos de Santiago, classificados pela UNESCO como Itinerário Cultural da Humanidade. Os caminhos de Santiago são hoje, como no passado, e para lá da sua vocação religiosa, veículos privilegiados de difusão e enriquecimento cultural, artístico e recreativo.

Texto: Jorge Marmelo (CMM)/EeT

Fotos: Pesquisa Google

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