Menu Fechar

Rua do Dr. António Luís Gomes

Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado. Assina…

Cunha e Freitas (*)

“Antes das obras de abertura da Avenida dos Aliados e da construção do actual edifício da Câmara Municipal – antes de 1916, portanto – era muito diferente a topografia do local (…). Mas, não é fácil, uma destas breves nótulas toponímicas, historiar o emaranhado urbano então denominado “Sítio do Laranjal”.

Diremos apenas queda Cancela Velha até ao hoje Largo da Trindade corria uma viela denominada do Cisne (…), apelido dos proprietários de uma das vizinhas quintas do Laranjal – do Laranjal de Cima, “Viela do Sirnes”, se lhe chama em registo paroquial de Santo Ildefonso, de 1799; Travessa do Cirne, em 1811; Largo do Cirne, em 1814, Viela do Cirne, no Guia Histórico de 1864.

Foi esta Viela do Cirne, “que vai da Cancela Velha ter ao cimo da Rua do Laranjal, à esquina do Palácio Ferreirinha, no Largo da Trindade”, teatro de um horroroso crime que Pinto Leal narra pormenorizadamente no seu “Portugal Antigo e Moderno. Ficou conhecido pelo crime do homem salgado por a vítima ter sido encontrada, em 13 de Marco de 1825, dentro de um grande barril cheio de sal – crime que fez a maior sensação na cidade.

rua dr antónio luis gomes

Surgiu, mais tarde, no lugar desta Viela do Cirne, uma curta artéria que se chamou primeiro, segundo cremos, Rua de Adriano Machado (já tinha este nome em 1895) –e, depois de concluído o edifício da Câmara e urbanizados os terrenos adjacentes, Rua de António Sardinha, vigoroso jornalista e escritor de grandes méritos, um dos fundadores do Integralismo Lusitano. Muito recentemente, foi-lhe dada nova denominação, Rua do Dr. António Luís Gomes.

Dr. António Luís Gomes
Dr. António Luís Gomes

O Doutor António Luís Gomes, pai, nasceu nesta cidade em 1863 e aqui faleceu de muita provecta idade. Formou-se na Universidade de Coimbra em 1890, e militando sempre no partido republicano fez parte do Governo Provisório, em 1910. No ano seguinte foi para o Brasil como nosso embaixador. Por largos anos exerceu o cargo de Provedor da Misericórdia do Porto (até 1944); reitor da Universidade de Coimbra, deputado da Nação em 1909 e depois em várias legislaturas.

Como diz um seu biógrafo , era um “republicano de grande prestígio e rara isenção” – “grande propagandista dos ideais republicanos e figura de maior relevo neste regime, mantendo íntegros os princípios por que lutou com invulgar tenacidade e brilho”. 

(*) Artigo publicado em “O Primeiro de Janeiro”, na rubrica “Toponímia Portuense”, de 05-08-1975

Fotos: Pesquisa Google

Na próxima edição de “RUAS” DO PORTO destaque para a “RUA DO ARQUITETO MARQUES DA SILVA

01set15

Partilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.