José Lopes / Tribuna Livre
Quando ouvimos os mesmos rostos da governação que empobreceu dolorosamente o país com sequelas para os próximos anos, com ar muito sério nos palcos da campanha eleitoral fazerem agora declarações sobre o seu empenho na defesa da coesão social e no combate às desigualdades sociais.
Ainda que nos queiram tratar como indigentes sem memória, não podemos deixar de manifestar profunda indignação perante tal encenação cínica, protagonizada por uma maioria que se uniu no governo para aplicar a mais dura politica austeritária sobre o povo português e agora, contrastando com a natureza das suas medidas durante quatro anos de bons alunos da troika, de cortes e reduções nas pensões e prestações sociais, como o subsídio de desemprego. Ironicamente estes mesmos governantes que se coligaram para continuarem a garantir aos mercados custos do trabalho mais baratos e ao capital financeiro a devolução dos enormes sacrifícios que continuam a ser exigidos pelo FMI e BCE aos trabalhadores e às famílias.
Apresentam as suas próprias vítimas bem reais do empobrecimento, que só a solidariedade das redes sociais atenuaram algum sofrimento de tanta indignidade e humilhação, como bandeira eleitoral manchada por uma governação que apostou na descaraterização do estado social promovendo o assistencialismo.
01out15