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“LEGISLATIVAS 2015”: Da vitória da Direita, à MAIORIA parlamentar de Esquerda e à “EMBRULHADA” no PS

A vitória da coligação PSD/CDS-PP nas Eleições Legislativas realizadas no passado dia 04 de outubro (38,55 por cento – 104 deputados) e o facto da Assembleia da República ser maioritariamente de esquerda (122 mandatos) estão a deixar “baralhados” analistas políticos, politólogos e até o próprio Presidente da República, quanto à formação do próximo governo.

bloco de esquerda - out15

pan - pessoas animais e natureza - out15

Em noite de vitória da coligação de direita, a verdade é que os grandes vencedores das eleições foram, sem sombra de dúvidas, o Bloco de Esquerda (10,22 por cento contra 05,02 em 2011) – é, agora, a terceira força política no Parlamento, com 19 deputados – , e o PAN (Pessoas, Animais e Natureza) – conseguiu, pela primeira vez, eleger um deputado, e logo em Dia Internacional do Animal – e isto por terem ultrapassado  todas as expectativas externas e até internas.

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PERDEDORES

Ao invés, e, independentemente, de até terem reforçado (ainda que de forma pouco expressiva) os seus grupos parlamentares, tanto o PS (mais 12 deputados que em 2011) como a CDU (mais um mandato em relação às últimas Legislativas) foram os grandes perdedores do ato eleitoral de 04 de outubro. Os socialistas esperavam vencer as eleições, e os comunistas reforçar um grupo parlamentar com um número de mandatos que os “institucionalizasse” como a terceira força política nacional. Nem uns, nem outros, conseguiram alcançar tais desideratos.

marinho e pinho - 01mai14

livre - tempo de avancar

Mas, de “perdedores” não ficamos por aqui, ainda que em outro “grau de exigência”. O PDR de Marinho e Pinto, ao contrário do que indicavam quase todas as sondagens durante a pré-campanha, não só não conseguiu eleger um grupo parlamentar, como nem sequer um deputado: ficou a zero. A zero ficou também o Livre/Tempo de Avançar que, com os seus 0,7 por cento, não obteve mais do que 38. 958 votos a nível… nacional.

assembleia da republica

Refira-se,contudo, e também no âmbito de “perdedores”, que a coligação de direita – nos últimos dias de campanha a apelar para uma maioria absoluta – teve uma vitória ensossa. Se compararmos os resultados obtidos, em 2011, por PSD e CDS em conjunto, com os de 04 de outubro,  a PàF perdeu qualquer coisa como 25 deputados e, com maioria relativa, terá, obrigatoriamente, que negociar com a oposição não só quanto ao Orçamento de Estado para 2016, como outras propostas (de austeridade?) que queiram legislar. Isso se chegarem a formar governo (?!). Esta dúvida, que continua a alimentar comentários e mais comentários de analistas políticos, morre, por assim dizer, à nascença, porque com o tradicional apoio do Presidente da República aos partidos da direita que formaram governo na anterior legislatura, é, óbvio, que dará posse à “coligação” de direita, a mais votada nas eleições, mas em minoria na Assembleia da República.

partido socialista

PARTIDO SOCIALISTA NO LIMIAR DE UMA CRISE INTERNA?

Entretanto, o Partido Socialista está já no centro das atenções da política nacional , não só pelo facto de se saber se vai ou não – como tinha prometido – votar contra o Orçamento de Estado para 2016; se dará, pontualmente, legitimidade ao governo de direita; se se vai “coligar” à Esquerda, e se… internamente continuará a ter António Costa como líder.

Independentemente de ser, depois destas eleições, um dos mais fortes partidos na área socialista em termos da União Europeia, a verdade é que os resultados verificados a 04 de outubro “souberam a pouco” e, no Largo do Rato, sãomuitas já as vozes que contestam a liderança de Costa.

A poucos meses das “Presidenciais” e de escolher (será que o vai fazer) um candidato próprio para Belém, o PS poderá estar abraços com uma crise interna. A ala “seguirista” está pronta para vingar-se, sem dó nem piedade, de Costa, assim como certos elementos ligados a Sócrates que, embora tenham apoiado o ex-presidente da Câmara de Lisboa, o fizeram com um pé atrás.

A medíocre campanha eleitoral do PS – de relembrar a questão dos cartazes; do “chumbo” prematuro ao Orçamento; e daquilo que muitos socialistas consideraram de traição a António José Seguro -, levaram muitos potenciais votantes no PS,  a não exercer o seu direito do voto, ou a escolherem, de forma “esmagadora” o Bloco de Esquerda. Bloco que, por vezes, se esquece que tem esse eleitorado à sua “mercê”, e até que muitos socialistas são seus apoiantes/aderentes.

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BLOCO: UMA CAMPANHA EMPÁTICA E FRUTUOSA

E foi, precisamente o Bloco – renascido das cinzas – e com a imagem de Catarina Martins como “heroína” das eleições – a retirar a maioria absoluta à coligação de direita. Mais uma vez, o eleitorado socialista foi, fundamental, para colocar o BE como terceira força política nacional. A campanha aberta, empática, esclarecedora e criativa dos bloquistas deu os seus bons frutos, isto ao contrário do cinzentismo que caraterizou a efetuada pelos socialistas (PS).

ABSTENÇÃO BATE RECORDE

Por sua vez, registe-se, pela negativa, a percentagem da abstenção que bateu novo recorde nas “Legislativas”. A coisa dá para pensar! Ou seja: mais de quatro milhões de portugueses não foram às urnas, representando esse número 43,07 por cento dos votantes inscritos para as eleições de 04 de outubro, isto contra os 41,08 pontos percentuais verificados em 2011. Terá pesado aqui o elevado número de emigrantes? Claro que sim! Mas não só!

PORTO: DIREITA GANHA MAS BLOCO É O QUE MAIS CRESCE

De regresso aos resultados eleitorais, mas neste caso, no Círculo Eleitoral do Porto, de destacar a vitória da coligação PSD-CDS/PP que conquistou 17 dos 39 deputados elegíveis, mas menos quatro mandatos que em 2011. O PS ficou em segundo com 14 mandatos, os mesmos que nas últimas legislativas . Quem mais subiu foi, porém o Bloco de Esquerda que passou de 02 deputados em 2011, para 05 em 2015. A CDU também subiu, conquistando um deputado (3-2) em relação a 2011.

AVEIRO (*): DISTRIBUIÇÃO DE MANDATOS FICOU IGUAL A 2011

Ainda que a coligação PàF (PSD/CDS) tenha perdido no distrito de Aveiro mais de 40 mil votos relativamente a 2011, o mapa distrital dos concelhos manteve-se pintado de laranja, só resistindo Mealhada em que venceu o PS. Um predomínio na maioria de mandatos, num círculo eleitoral em que o número de eleitores baixou de 59,01 por cento para os 56,3, e que de certa forma não acompanhou a significativa derrota da direita a nível nacional em que não alcançou a pretendida maioria absoluta, apesar de toda a chantagem e medo que caraterizou a campanha da coligação e do governo

Tal como aconteceu a nível nacional, verdadeiramente surpreendente foram os resultados do Bloco de Esquerda, que, depois de, em 2011, ter assegurado o seu deputado por Aveiro com escassos votos, na sequência da verificada queda eleitoral. Desta feita, a possibilidade de um segundo deputado neste distrito ficou mesmo a pouco mais de uma centena de votos.

Assim, com a eleição de Moisés Ferreira, que vai integrar o maior grupo parlamentar do Bloco de sempre (19 deputados na Assembleia da República), o BE “cumpriu no distrito de Aveiro os objetivos estabelecidos para estas eleições legislativas: eleger pelo menos um deputado, aumentar o número de votos e contribuir para derrotar as políticas de austeridade seguidas nos últimos anos” afirmou Moisés na noite eleitoral, segundo o “Diário de Aveiro”. Ainda segundo declarações a este mesmo jornal, o deputado europeu Miguel Viegas, que mais uma vez falhou a eleição como cabeça-de-lista da candidatura do PCP/PEV por Aveiro, “ficámos muito próximos, mas ainda assim não foi possível.”

Com a coligação PSD/CDS que, em Aveiro, atingiu os 48,14 pontos percentuais, bem abaixo dos 57,34 de 20111, mas acima dos nacionais (38,48), a alcançar só parte do que se tinham proposto, já que garantiram a mesma representação parlamentar mas sem contribuírem para uma maioria no Parlamento.

O PS, no essencial, não foi além dos seus resultados nacionais, bem pelo contrário, percentualmente ficou-se pelos 27,91 por cento também abaixo dos nacionais (32,39) ainda que tenha recuperado a linha dos 100 mil votos da qual tinha recuado em 2011 com apenas 25,93 por cento.

Uma outra particularidade dos resultados eleitorais no círculo de Aveiro é a consolidação do concelho de Ovar nas votações do BE por concelho para as Legislativas, em que continua a obter a sua maior percentagem a nível de todo o distrito (12,40%) ao contrário aliás das restantes principais forças políticas, que em Ovar e no caso do PSD/CDS alcançou mesmo uma das mais baixas percentagens (38,33) comparativamente com os restantes 19 concelhos de Aveiro.

Uma curiosidade que ganha relevância num município que nas eleições autárquicas mudou de gestão da maioria do PS para a do PSD. Influência política e eleitoral que ficou muito aquém nas legislativas mesmo que só tenha perdido a freguesia de Maceda para o PS, ainda que dirigida pelo PSD. Uma perda entretanto compensada pelo maior número de votos que a PàF conseguiu na União de Freguesias de Ovar, S. João, Arada e S. Vicente de Pereira Jusã (PSD/CDS: 5.553, PS: 4.737 votos), cujo executivo da Junta é dirigido por uma maioria PS/CDS.

Texto/análise: José Gonçalves

(*): José Lopes (Ovar/Aveiro)

Gráfico: Pedro N Silva

Fotos: Pesquisa Google

 

05out15

 

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