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Recordações que me deixam saudade…

Carla Ribeiro

Saio para a rua a cada noite, na esperança de encontros, reencontros e sei que também terei desencontros.

Levo no coração o Amor, sorrisos, esperanças.

Esperamos novas partilhas, encontro, reencontros, mas também temos os desencontros.

Ao longo destes anos tantos os rostos que comigo sorriram e choraram, que comigo cantaram, que neles via brilhar de alegria, tantas, tantas as recordações… tantas são as saudades…

Foram histórias partilhadas, em noites frias, com chuva e com vento, sol e calor, foram risadas, lágrimas, mas foram momentos que sempre guardo dentro de mim.

Alguns já partiram, fica a saudade, a memória de tanto e de nada…

No meu coração apertado, um vazio, na rua solidão, e novas historias se constroem nesses locais, frios, carregados de solidão.

Uma mova estrela que brilhara para nós todos os dias, para nos serenar a saudade do seu sorriso, das suas histórias, do tanto que sempre tinha para nos contar.

Um Homem livre, livre nas palavras, livre nos sonhos, livre no seu caminhar.

Livre, simplesmente livre.

Hoje eu sou lágrimas, que por ti rolam no meu rosto, pelas inúmeras noite que sentada no chão, me deixava contagiar pelas tuas palavras.

carla - foto 01

Eu guardo

Sim eu guardo.

Guardo tanto dentro de mim.

São lágrimas que são dor,

São sorrisos de alegria,

São o brilho do olhar,

São até lágrimas de alegria.

Mas esta noite…

Esta noite, enquanto a chuva caía,

Dentro de mim, irrompiam lágrimas de dor.

São saudade, são partidas, são até desilusão.

Cai a chuva no jardim, enquanto corre um rio em mim.

Guardo, guardo tanto dentro de mim.

Memórias de outrora, sorrisos vadios,

O brilho do teu olhar, a candura das palavras.

Guardo, sim eu guardo, guardo tudo dentro de mim.

Nas memórias da vida, na saudade que já tenho,

Pela certeza da partida.

Guardo, sim eu guardo, bem dentro de mim,

Os momentos que partilhamos,

Os ensinamentos, os sorrisos, a alegria…

Guardo, guardo tudo em mim

Guardo o Amor das tuas palavras,

O brilho do teu olhar, a paixão pela vida.

Guardo, tudo eu guardo…

O Amor, a candura, a sabedoria,

A alegria, o brilho do olhar

Guardo, sim eu guardo…

(Até um dia amigo xxxx, yyy, zzz, ….)

Carla Ribeiro

2015.08.23

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E a história repete-se uma nova perda, um lugar que outrora cheio de vida, carregado de histórias, de candura e de brilho no olhar, fia agora vazio… onde lágrimas se confundem com a chuva.

E tantas foram as partilhas, que com este Amigo de Rua eu partilhei ao longo destes anos, tantos os sorrisos, as anedotas as histórias que com tanto Amor o ouvi contar.

Que candura, que ternura eu via no seu olhar sempre que falava da “Rosinha”… que Amor aquele que nos seus olhos se transpareciam, que ternura em cada palavra carregada de emoções.

Quanto Amor, ele me fazia sentir quando na candura da sua voz ele me dizia:

– “… ai, se eu fosse mais novo… você deve ser fresca… não me escapava…”;

– “… está sempre bem disposta, sempre aqui fica hora só a ouvir-me…”

E a sua pergunta secular, a todos as equipas, em que sempre me dizia,”.. Você já sabe, não lhes diga, eles têm que aprender.” E lá perguntava ele “ Então o que é o metro?”. E os olhares entre os elementos da equipa cruzavam-se na busca de uma resposta…

É uma unidade de medida, é um meio de transporte,… e no seu olhar o brilho e a espera de uma resposta que nunca era a correta.

E tanto que nos ensinava a cada noite, tanto o amor que nos transmitia com as sua historias, aventuras e amor de outrora, que no seu presente ainda perduravam e o faziam caminhar.

Queria tanto ter um avô assim…

E com ele estava o seu Amigo de Rua que com ele partilhava o espaço e tantas das suas caminhadas.

E eram momentos carregados de alegria, de sabedoria, sempre em cada noite, um novo ensinamento, anedotas, e histórias que sempre vou recordar.

As vezes, uma lágrima corria-me no rosto, de alegria, de carinho ou até de dor.

Este Amigo de rua era como um pássaro que voa livremente, sem gaiola onde ficar.

Percorre estradas, montes e vales, e sempre trás com ele uma nova historia para nos contar.

A “Rosinha”, a “Maria”, A “Isilda” não importa o nome, é um simples acessório, guardava sempre a ternura, a candura, o carinho, o brilho do seu olhar, a sua expressão enternecedora, sempre que de uma ele falava.

Como é lindo assim Amar…

Este Amigo de Rua, que agora partiu, deixa em mim, o coração repleto de recordações.

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Sabia que não estavas

Sabia que não estavas, mas iria ao mesmo local.

Esperava encontrar o vazio da tua partida,

O frio da falta do brilho do teu olhar,

Das tuas palavras, do calor da tua mão, do teu sorriso.

Sabia que não estavas, mas eu tinha qua lá passar…

Um vazio em mim, repleto de saudade, amor e carinho.

Sabia que não estavas, mas carecia de te encontrar…

Sabia que não estavas, mas precisava de lá voltar…

Não sei bem o que me doeu, se não te encontrar,

Se ver naquele local já outra pessoa.

E este frio que em mim senti…

Sabia que não estavas,

Mas mesmo assim eu tinha de lá voltar.

Queria olhar aquele recanto, e sentir a tua presença,

Recordar o brilho no teu olhar, as tuas gargalhadas,

A candura do teu olhar, a melodia da tua voz,

Até as histórias que sempre tinhas para nos contar.

Eu sabia que não estavas, mas tu sabias que eu ia lá voltar.

Não foi sequer desilusão,

Foi apenas a saudade da tua partida,

Que um aperto em mim provoca.

Eu sabia que tu já lá não estavas,

Mas, tu sabias, que eu iria lá voltar…

Carla Ribeiro

2015.09.13

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E hoje deixo-vos com esta partilha, com a certeza que no meu rosto lágrimas rolaram, pelas recordações, pela saudade, pelo Amor incondicional que em cada partilha me enche e esvazia o coração.

Brilha, brilha sempre para nós…

Saudades, e ainda há pouco partiste.

Não vou / vamos esquecer-nos do seu Amigo “Xico” que durante anos foram companheiro pelas ruas da cidade, nas alegrias e nas tristezas, até na doença.
Jamais conseguirei esquecer as lágrimas da sua dor… e aquela sua expressão ”… sabe cara linda, a linha dele chegou ao fim. Parece um bebé naquela cama…”, e lágrimas corriam dentro de mim, transbordando de dor pelo meu rosto, entre chuva e dor.

Paradoxalmente, sim eu sou feliz com todos eles que a cada noite na rua me esperam, até os que não me esperam…

A todos, um simples até já.

A todos sem igual,

Obrigada

Até breve com novos “sentir”, novos “amar”…

Fotos: Pesquisa Google

01ou15

 

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5 Comments

  1. Joaquim

    Boa tarde
    É sempre muito gratificante ler esta coluna de textos, de modos vivendus, e tão sentida.
    Obrigado pelas suas partilha, pela sua forma de sentir tão pessoal e peculiar, que sempre me faz pensar.
    Um dia espero ganhar a coragem necessaria para vos acompanhar e sentir de perto esse Amor que vocês levam.
    Mais uma Vez Obrigado
    Cumprimentos para toda a equipa e um em especial para a menina Carla, pela sua força, pela sua coragem , por esse imenso Amor que a faz mover.
    Adorei os seus poemas, lindos demais, por tudo o que nos transmitem.

  2. Carla Ribeiro

    Comentário retirado do Facebook
    “Bom dia minha querida.
    Obrigada pela presença e pela partilha.
    que continues estas partilhas e vivencias com tanto sentir.
    Bjk”

  3. "João"

    Não importa o nome, como tão bem diz a escritora desta rúbrica, importa tão somente, o sentir, mas essencialmente o que me fez sentir ao ler o seu texto.
    Todos os mêses acompanho os seus “Relatos”, e com eles tantas vezes fico a pensar.
    Hoje, parabéns menina Carla, pois conseguir desbloquear em mim as lágrimas.
    Que lindo este seu sentir, e que tão poeticamente de si fluiu.
    Obrigado, por estas partilhas.
    Parabéns a si e a todos que nessas vossas noites vos acompanham.
    Bem hajam por esse Amor
    Da minha parte Obrigado pelo que de tão digno fazem por estas pessoas.
    Cumprimentos

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