José Luís Montero
Caiu o Governo. As cadeiras da vaidade e do telefone a repinicar, por agora, não darão o seu conforto à direita que se caracteriza pelas romarias constantes ao reino da necessidade e da carência. Deixam uma obra vasta: pobreza; falta de direitos; tesouradas de alfaiate alarve e apelo constante à prática do cilício. Não sei se gostam de sofrer, mas, passaram quatro anos no apelo ao sofrimento alheio. Passei dois dias a observar aquelas bancadas; às vezes, pensava: como pode alguém que não sabe argumentar chegar a representar um País?.. Não encontrava resposta; resultava-me inverosímil e incompreensível. Pensava que além da verdadeira pobreza que se instalou em Portugal, o País viveu, também, na mais absoluta pobreza intelectual dos seus tristes governantes.
Como se pode ser republicano e democrata se se abule o festejo da República e não se deseja que a Assembleia da República faça, realmente, política e tome decisões como a de construir e fazer o Governo? Por acaso, a direita portuguesa deseja que o Parlamento republicano sirva, unicamente e exclusivamente, para aprovar leis vindas do Poder Executivo e trabalhadas pelos grandes escritórios de advogados?.. Que será para essas mentes o trabalho e a função de deputado? Um senhor que vai todos os dias ou alguns dias almoçar aos bons e baratos menus que existem no Parlamento? Que é feito da oratória? Onde estão naquele Parlamento os grandes dialéticos que honrariam a oratória de António José de Almeida ou de Afonso Costa por falar só em duas figuras emblemáticas? Não estão, nem se esperam e muito menos se desejam.
É penoso e foi penosa a queda com estrondo do governo de Passos Coelho. Comportaram-se como meninos caprichosos que quando passam pelo MacDonalds choram pelos nuggts de frango. As bancadas da direita transmitiam uma imagem de pobreza tal que confundi aquele espaço com os ciberespaços onde estão utentes a jogar, freneticamente, jogos de guerreiros ou fantasmas onde se contemplam pessoas com rictos de fúria pela tensão dos jogos.
O rosto dos deputados da direita não enganava. As proclamas broncas e repetitivas mostravam, além das limitações intelectuais, impotência. Viu-se o que não se deve ver ainda que se saiba que o político é um ávido do Poder; contemplou-se o desejo premente de Poder. Um desejo que estava instalado na ansiedade, por isso, a abundancia de frase feita que nada diz a não ser numa festa de despedida de solteiro.
Contam que o Passos Coelho tem um currículo de menino de partido e de trabalhador qualificado, ainda que sem experiência, de um tal Ângelo Correia. Depois, subiu às costas do Miguel Relvas e chegou a Primeiro-Ministro. Realmente, o Miguel Relvas não só se mostrou um mago como estudante, mostrou-se, também, um prestigiador de uma figura de plástico até transforma-lo num líder político e o que é mais grave, num Primeiro-Ministro. Pensando bem, aquele colégio de Tomar que o Relvas frequentou quando retornou de Angola formou muita gente, mas, formou também um pequeno deus chamado Relvas que com areia e lama criou um Primeiro-ministro. Hoje o seu brinquedo de areia e lama desfez-se. Dr. Miguel Relvas: não fabrique mais Primeiros-ministros; pode provocar muitos dramas e muitas tragédias.
Fotos: Pesquisa Google
12nov15


a verdade é que não temos pessoas com Ética à frente dos nossos destinos, temos uma canalha mal educada, pouco acostumada a enfrentar a frustração da recusa e agarrada ao poder porque este permite toda a sorte de manigâncias lucrativas