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CAMPANHÃ prepara-se para receber a FEIRA da VANDOMA e (na Junta) Ernesto Santos para se RECANDIDATAR à presidência!

A Feira da Vandoma vai, em princípios do próximo ano, de “malas aviadas”, da Alameda das Fontainhas/Rampa das Carquejeiras, para a Avenida 25 de Abril. A proposta de Ernesto Santos, presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, apresentada pelo executivo camarário, foi aprovada, reunindo 28 votos a favor e 17 contra, em sede de Assembleia Municipal.

Foto: Érico Santos (Arquivo)
Foto: Érico Santos (Arquivo)
Foto: Érico Santos (Arquivo)
Foto: Érico Santos (Arquivo)

A Feira da Vandoma realiza-se aos sábados de manhã, entre as sete e as 13 horas, e já esteve instalada em diversos locais da cidade do Porto, e onde se vende todo o género de artigos.
Ela é, de entre as feiras temáticas que se realizam na “Invicta”, uma das mais conhecidas e tem como “parentes próximos”, a da “Ladra”, em Lisboa, a “El Rastro”, em Madrid, ou o “Marché ao Puces”, em Paris.

A “Vandoma” teve início nas imediações da Calçada da Vandoma (padroeira da cidade), junto à Sé do Porto, de forma espontânea e constituída, maioritariamente, por jovens estudantes que vendiam livros e roupas usadas, passando a ser regulamentada pela Câmara Municipal do Porto a partir de 1984.
Das imediações da Sé, e antes de se fixar nas Fontainhas, a “Vandoma” realizou-se, durante algum tempo, no largo em frente à Cadeia da Relação, na Cordoaria.

Foto: Èrico Santos (Arquivo)
Foto: Èrico Santos (Arquivo)
Foto: Érico Santos (Arquivo)
Foto: Érico Santos (Arquivo)

No primeiro sábado de janeiro de 2016, a “Vandoma” deixará as Fontainhas (Bonfim), para, no mesmo local, ser instalada a, também tradicional, Feira dos Passarinhos, para, “descanso” dos residentes da área.
“O local onde esta feira se tem vindo a realizar encontra-se atualmente desadequado” ao comércio caraterístico daquela feira, lê-se na proposta que a Câmara levou à Assembleia Municipal, documento onde se realça o facto de “os moradores locais se mostrarem afetados pelo ruído provocado e pelas ocupações abusivas do espaço público”.

ernesto santos - 00 - 01nov15

Ernesto Santos: “Em Cartes seria uma feira com a especificidade da Vandoma, num bairro específico como é o do Cerco”

A freguesia de Campanhã foi, logo de início, a zona (oriental da cidade) escolhida pelo executivo camarário para receber a “Vandoma”, tendo sido, então, indicada a Avenida de Cartes (ao Cerco do Porto), ainda que de forma muito pouco consensual. De salientar que, nesse local, realiza-se já uma outra feira, mas aos domingos de manhã.
A verdade, é que feirantes e até autarcas não aceitaram essa proposta, ficando a questão em “banho-maria” durante alguns meses, até que aparecessem outras propostas. Apareceu uma, e logo a do presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, Ernesto Santos.

“Eu tive conhecimento da transferência da Feira da Vandoma para Campanhã através do “Jornal de Notícias”, no qual, o senhor vereador do pelouro da Fiscalização, Sampaio Pimentel, referiu que a mesma ia para a Avenida de Cartes.
Pensei, logo na altura, que o pior que poderia acontecer à zona Cartes/Cerco do Porto – que já tem uma feira ao domingo de manhã e que já causa alguns transtornos –, seria ter uma feira com a especificidade da Vandoma também num bairro específico como é o do Cerco”. Palavras de Ernesto Santos que, ao ter conhecimento da ideia, outra ideia teve…

ernesto santos - 01 - 01nov15

“Pensei, então, que, se a Vandoma tinha de mudar das Fontainhas e tinha de vir para Campanhã, o melhor local na freguesia era a Avenida 25 de Abril, que liga a Praça das Flores à Corujeira, e isto porque permite que o trânsito circule sem condicionalismos no sentido descendente, e permite também que o mesmo circule da Corujeira para a Praça das Flores pela Rua de S. Roque da Lameira”.
Pensei nisto, escrevi, então, a minha proposta em altura da discussão pública, entreguei-a em envelope fechado ao senhor vereador dando-lhe a possibilidade de a tornar pública, caso ele assim o entende-se. Fiz tudo com a máxima das lisuras. Com seriedade, frontalidade e responsabilidade”, referiu o autarca de Campanhã.

Avenida 25 de Abril
Avenida 25 de Abril

Estava dado o mote para uma nova discussão, a qual, pelos vistos, acabou por ser quase consensual. A Avenida 25 de Abril, por certo a única do país sem residentes, iria – como vai – acolher a Feira da Vandoma.
“O facto da Avenida 25 de Abril não ter residentes, pelo menos nesta fase – não quer dizer que, num futuro próximo, se possa construir nas suas margens –, é, por si só, extremamente positivo, porque, assim, ninguém ficará incomodado com a presença da Feira no local. Certo, é que a Vandoma trará milhares de pessoas a Campanhã.”
E quando fala em “incómodos” para os residentes, Ernesto Santos sabe do que diz:
“Fui várias vezes, anonimamente, à Feira da Vandoma, nas Fontainhas, e concordo que aquilo é um pesadelo1 Nas condições atuais é um pesadelo! Ou tiravam metade das pessoas, que até dizem, que estão ilegais, e aí talvez aquilo funcionasse, ou então para comportar toda aquela gente, só um local. Largo e com transportes, como, neste caso, o é a Avenida 25 de Abril, em Campanhã.” E para lá vai a Feira!

avenida 25 abril - 02

“Feira da Vandoma não traz mais-valia financeira para a Junta”

Será que a Feira trará transtornos, ou obrigará a algumas transformações na área? Ernesto Santos é perentório: diz que não! Mas, o pior é o resto…
“Não haverá alterações de maior. A Avenida já tem recebido alguns eventos, como por exemplo o do escorrega aquático, e etc. Quanto aos lixos que a Vandoma originará, o senhor presidente da Câmara prometeu, em Assembleia, que ninguém se iria arrepender com a melhoria de condições que a Feira iria ter em relação à existente.
Para a freguesia de Campanhã, tirando as pessoas que aqui virão com a Vandoma, a Feira não traz nenhuma mais-valia financeira para a Junta. As licenças são pagas à Câmara! A junta não recebe nem uma pequena percentagem das mesmas… recebe: nada!”

Mais: “Ao contrário do que acontece em outros concelhos, aqui nada se recebe. Por exemplo, a Junta de Custóias gere a feira local; a Feira da Senhora da Hora, ao sábado de manhã, é também gerida pela Junta de Freguesia local, o mesmo acontece com a Feira de Campo, em Valongo, e com a dos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia. Mas, por cá, a Feira do Cerco do Porto não é gerida pela Junta de Campanhã, tal como acontecerá, dentro de meses, com a Feira da Vandoma”, disse Ernesto Santos

ernesto santos - 02 - 01nov15

“É com o licenciamento dos vendedores de artigos desportivos que a Junta ainda vai buscar algum dinheiro…”

Para colmatar a “ausência potencial de receitas”, outras há que “tranquilizam” (mas não muito, diga-se de passagem) o presidente da Junta de Freguesia de Campanhã.
“A única coisa que a Junta faz é o licenciamento de vendedores ambulantes; vendedores de castanhas – de cinco lugares disponíveis apenas licenciamos dois. Neste último caso, se não fosse o apoio da Câmara até teríamos prejuízo. O apoio camarário consiste no pagamento do Edital.
O que ainda nos vai trazendo alguma mais-valia financeira é o licenciamento dos vendedores de artigos desportivos, aliás, só a Junta de Campanhã, praticamente, é que os tem, isto devido ao facto de cá se situar o Estádio do Dragão. É nisso que ainda vamos buscar algum dinheiro, de resto, não! As juntas de freguesia continuam a ser os parentes pobres das autarquias!”

ernesto santos - 03 - 01nov15

De regresso ao tema “Vandoma”, Ernesto Santos relembra as causas que o levaram a colocar a proposta da Avenida 25 de Abril e não a de Cartes para receber a Feira.
“Na Vandoma receberemos, por certo, milhares de visitantes, e quase duas centenas de vendedores, tal como acontece na Alameda das Fontainhas, onde eles já não só se concentram nesse local, que faz parte da freguesia do Bonfim, estendendo-se para a Sé – Centro Histórico. Daí a minha preocupação inicial, quando a Câmara queria levar a Feira da Vandoma para a Avenida de Cartes, ou seja, levar uma feira problemática para junto de um bairro problemático, e daí a minha proposta sensata, séria, e solidária em levar para a Feira para Avenida 25 de Abril. Essa foi a única proposta que chegou à Câmara, segundo revelou o próprio presidente Rui Moreira.”

RECUPERAÇÃO DA CASA DA MITRA

O trabalho do executivo liderado por Ernesto Santos, tem também outras preocupações, outros trabalhos e outras metas a atingir. A meio do mandato (está no segundo de quatro anos), o presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, realça (e, pelos visto, não é pouco) o que se está a ser feito quanto à recuperação da centenária Casa da Mitra.

“As obras na Casa da Mitra estão a correr lindamente. Este trata-se de um investimento com alguns custos, mas que vai evitar que a Casa se desmorone. Até este momento já devemos ter investido cerca de 25 mil euros”.
O processo, segundo o autarca de Campanhã, vai ser, porém, algo mais moroso que o desejável.
“Iniciei essas obras a meu do meu mandato, mas, com certeza, que precisará de um outro mandato para a recuperar. Quero dizer com isto, que só daqui a cincou ou seis anos é que a Casa da Mitra estará recuperada, isto se tivermos em conta, única e simplesmente, o investimento da Junta de Campanhã”.

Espera-se assim, um apoio da edilidade portuense, que para já, resume-se – ainda a ter em conta – a uma única contrapartida…
A única contrapartida que a Câmara Municipal do Porto dá, através do pelouro do Urbanismo, são os projetos na especialidade. A recuperação do telhado não precisou de projeto, porque era o mesmo telhado… a mesma estrutura. Mas, quando se fizerem obras no interior, aí sim, são precisos os tais projetos na especialidade e aí a Câmara dá-nos apoio.”

ernesto santos - 04 - 01nov15

“O presidente da Câmara diz que tem vontade em mudar Campanhã. Acredito! Mas, eu sou como o S. Tomé…”

Querer mudar Campanhã e ter uma atenção especial por toda a zona oriental da cidade que, durante muitos anos, foi, assumidamente, esquecida pelo anterior executivo camarário, é uma das muitas promessas de Rui Moreira. Ernesto Santos acredita, espera que as mesmas se concretizem, mas…

“O senhor presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, tem dito muitas vezes – e eu acredito piamente – que tem vontade em mudar Campanhã. Eu também tenho! Mas, eu sou um bocado como o S. Tomé: ver para crer. O senhor presidente da Câmara tem um, dois ou três porquês para demonstrara a vontade que tem em mudar Campanhã. A Câmara tem-no feito, nomeadamente com o Matadouro, onde se realizado atividades engraçadas, as quais até poderão atrair investidores privados para concretizar as ideias da autarquia. A Câmara tem ainda demonstrado, através de protocolos com o Governo para o Interface de Campanhã, é também algo que vai revolucionar a zona adjacente à estação da CP, junto ao campo Rui Navega. Falta o resto…”

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CENTRO DE RECOLHA DA STCP AO ABANDONO

Um “resto” que poderia passar pelo antigo Centro de Recolha de autocarros da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP). A dois passos do estádio do Dragão. Um vasto espaço que se encontra ao abandono e que poderia ter muita utilidade. Ernesto Santos tem ideias…

“Esses terrenos são pertença da STCP! Não sei até que ponto a STCP, um dia que queira vender aquilo, o poderá fazer? Suponho que aqueles terrenos, outrora, eram da Câmara e foram cedidos, então, “ao” e não “à” STCP para que ali se fizesse o centro de recolha. Se os terrenos forem camarários – não sei!? – acho que a edilidade está no pleno direito de tirar esses terrenos à STCP, porque, para a empresa, já não têm utilidade alguma”.

Para o nosso entrevistado, “o terreno, assim como está, dava uma receita brutal à Junta de Freguesia! Nos dias de grandes jogos no estádio do Dragão, aquele espaço podia ser utilizado para parque de estacionamento pago. A dois euros por viatura, com garantia de segurança, isso dava umas massas do diabo.”

ernesto santos - 05- 01nov15

“A Câmara tem feito um excelente trabalho”

Independentemente de muitos “mas”, a verdade é que Ernesto Santos não deixa de elogiar o trabalho que tem sido feito pelo atual executivo camarário.
“É muito complicado nós lutarmos contra moinhos de vento. As relações com a Câmara têm sido ótimas. Dentro do que é possível, acho que esta Câmara – coligação independentes / PS – tem feito um excelente trabalho. Veja bem: eu já tive mais que o dobro de vezes na Câmara em dois anos do que esteve o meu antecessor durante onze anos…isto é sintomático!”

ernesto santos - 06 - 01nov15

RECANDIDATURA

E, pronto. Será que o socialista Ernesto Santos, daqui a sensivelmente, dois anos se recandidatará à presidência da Junta de Freguesia de Campanhã?
“Tenho 68 anos. Daqui a um ano, se calhar, terei essa decisão tomada. Se me encontrar com a presença pujança física, com a mesma vontade de trabalhar, garanto que sim… que me recandidatarei à presidência da Junta de Freguesia de Campanhã, tudo para completar aquilo que não consegui! Isto sempre com a ressalva que, nós Homens, quando temos alguma idade também temos que pensar e não fazer planos a tão longo prazo. Não queria continuar nesta Junta, nem em coisa nenhuma na minha vida, se não puder estar a cem por cento!” Está dito!

Texto/Entrevista: José Gonçalves
Fotos: Pedro N Silva e Érico Santos (Arquivo)
Mistura de imagens (destaque): Pedro N Silva

01nov15

1 Comment

  1. Manuel Pinheiro Santos

    A feira da Vandoma mudou de local para favorecer interesses económicos de investidores particulares ligados ao Turismo: isso mesmo foi dito por uma fiscal da CMP

    “os moradores locais se mostrarem afetados pelo ruído provocado e pelas ocupações abusivas do espaço público”.
    Então, este argumento já não é válido para os moradores das ruas envolventes à Av. 25 de Abril ???

    Este presidente de Junta decepcionou-me. Não volto a votar nele

    Gosto · Responder · Agora mesmo

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