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Ovar: AZULEJARIA CAI das fachadas… mas ganha forma de TAPETE em pavimentos da cidade

O esforço para contrariar a degradação do património arquitetónico de Ovar, que representa a diversificada padronagem de azulejaria nas antigas ruas da área urbana da cidade de Ovar, tem representado uma longa corrida contra o tempo, tal é o estado de ruinas das fachadas de muitas das casas que há mais de um século foram revestidas com este tipo de material cerâmico, cuja urgência de preservação e restauro há muito aguardam intervenção que dignifique o titulo de “Cidade Museu do Azulejo”.

Com as obras de restauro por parte do Ateliê de Conservação e Restauro de Azulejo do município, que já valorizaram várias fachadas de diferentes padrões de azulejo, a não corresponderem ao ritmo das verdadeiras necessidades de intervenção, agravado pelos elevados custos que são exigidos aos proprietários.

Só mesmo a novidade de tapetes de azulejo na Praça da República, Largo Mouzinho de Albuquerque e Largo Família Soares Pinto, sugerindo direções e percursos, acabam por contrastar e fazer desviar as atenções das fachadas em plena urbe da cidade, cuja recuperação dos quadradinhos de azulejo há alguns anos aguardam solução e acordo para o seu restauro, enquanto em várias outras fachadas estes pedaços de arte cerâmica vão caindo e desaparecendo, empobrecendo este património, ainda que, este projeto do azulejo em pavimentos de espaços públicos se insira numa estratégia irónica que se propõe tornar Ovar ainda mais conhecido através do azulejo que curiosamente, nas fachadas da cidade já muitos exemplares da vasta diversidade de padronagem deixaram de poder ser contemplados nesta cidade “Museu do Azulejo”.

azulejaria ovar - tapete 01

Apresentado como o primeiro tapete de azulejo do mundo, esta intervenção urbana da Câmara Municipal de Ovar, através do projeto inovador “Rua do Azulejo”, teve a particularidade de despoletar alguma polémica nas redes sociais, havendo quem não se reveja neste tipo de gestão que envolveu o ateliê de arquitetura FAT – Future Architecture Thinking (Lisboa) em detrimento dos especialistas com ateliês em Ovar, que, em alguns casos, se formaram na área da cerâmica influenciados exatamente pela importância do azulejo no património arquitetónico de Ovar.

Imagem do projeto das ruas com azulejo em Ovar
Imagem do projeto das ruas com azulejo em Ovar

Sobre o conceito da “Rua do Azulejo”, particularmente considero uma ideia interessante e válida, não nos moldes em que o projeto foi concretizado, ou seja, ao contrário dos motivos dos azulejos, que neste caso são tijoleira para pavimento, que na memória descritiva do projeto era suposto estarem associados às fachadas dos edifícios envolventes, nomeadamente na Praça da República, o resultado prático é pouco coerente.

Ficam assim dúvidas sobre os padrões de azulejo aplicados no pavimento para dar forma ao designado “tapete” que vai ainda ter esplanadas no âmbito do projeto que procurando valorizar um elemento característico como o azulejo, pretende também dinamizar o comércio local.

Texto e fotos: José Lopes (*)

(*)Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar

01nov15

 

 

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