Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado. Assina…
Cunha e Freitas (*)
“Já aqui temos referido, por várias vezes, que nas inquirições ordenadas por D. Afonso III, em 1258, se menciona uma estrada velha (a estrada romana, o “Itinerário” de Antonino?) que na margem direita do rio Douro, tinha seu início no “lugar que chamam Arraba”.
O topónimo de Arrábida remonta, portanto, a tempos anteriores ao século XIII, provavelmente muito mais antigo, porque é um dos poucos nomes de origem árabe a norte do rio.
O clássico Frei João de Sousa, nos seus “Vestígios da Língua Arábica”, dá-lhe o significado de “habitação de gado”. O Prof. David Lopes, uma das maiores autoridades no assunto, impugnando tal opinião, e baseado num texto do historiador Edrici, ensina-nos que Arrábida, Arrabita, em espanhol la Rabida, significa “quartel onde estão as guardas do caminho” e ainda “convento” ou “eremitério”, “lugar onde alguém se retira longe do mundo, para só se entregar a obras de devoção”.
A mesma origem de Arrábida tem o nome Rebate, primitivamente quartel fortificado que se construía nas fronteiras, e onde também viviam homens piedosos, dedicados à oração, mas que serviam como soldados em caso de necessidade.
O topónimo repete-se entre nós, ora num sentido, ora noutro. Na serra da Arrábida, junto a Setúbal, era convento ou eremitério. No Porto, porque se situava à margem de uma estrada e na sua passagem de uma para a outra margem do Douro, seria antes “quartel onde estão os guardas do caminho”, como definiu o árabe Edrici.”
(*) Artigo publicado em “O Primeiro de Janeiro”, na rubrica “Toponímia Portuense”, de 02-12-1972
Fotos: Pesquisa Google
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01nov15
