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Vícios…

Carla Ribeiro

Ouvimos falar tantas vezes em vícios. Mas o que é afinal um vício?

Atrevi-me a ir ao dicionário e ver o que lá se define sobre esta palavra “vício”. Assim diz: “Dependência física ou psicológica que faz alguém buscar o consumo excessivo de uma substância, geralmente alcoólica ou entorpecente: vício de fumar. P. ext. Mania; costume de fazer sempre a mesma coisa. Defeito; incorreção observada em algo ou alguém: vício de formação. Toda a alteração que prejudica o funcionamento de alguma coisa. Depravação; tendência para provocar o mal ou ter ações contrárias à moral.”

E tantas seriam as definições que poderíamos encontrar.

Ouvi recentemente uma reportagem e esta frase ficou-me gravada no pensamento: “… agora, o vício é uma desordem cerebral crônica e não simplesmente um problema de comportamento que pode envolver álcool, drogas, jogos de azar ou sexo.”

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Não estou de todo preocupada com a definição que queiram dar a esta palavra, mas sim ao flagelo que a mesma pode provocar nas nossas vidas e na nossa sociedade.

Tantas são as vezes que nas ruas nos cruzamos com um jovem, e percebemos o seu estado alcoolizado, ou mesmo drogado. O seu ar esgazeado, a euforia na sua voz, ou os tremores de um ressaque qualquer?

Quantos de nós já não assistimos na rua a cenas degradantes mas reais, às quais se torna bem mais fácil viras a cara do que enfrentar e estender uma ajuda.

Quantos de nós não sabemos que temos um vizinho, um amigo, ou seja lá o que for, pois não importa aqui o grau de afinidade, mas sim a situação em que se encontra, que chega embriagado e mal trata verbal e fisicamente a sua família.

Quantas vezes, já não viram caídas na rua, alguém a quem o vício fez perder a racionalidade e atirou na desgraça e na solidão de ruas repletas de gente e de vida.

Tantos e cada vez mais são os vícios da nossa sociedade, a nova sociedade ou aquela que a cada dia apenas deixamos que nos destrua?

Falamos de vício e logo pensamos em droga, álcool e tabaco.

Mas serão só estes os vícios da nossa sociedade?

E então, onde colocamos os outros vícios, o sexo, o jogo, as redes sociais, a alimentação, a violência, e tantos, tantos, outros que poderia enumerar…

Não são também estes distúrbios, que se tornam vícios?

Não são também eles, um flagelo que se instala a cada dia que passa mais e mais preocupante na nossa sociedade?

E os novos viciados, os que apenas começam agora a entrar no vício, alguém já parou para pensar no que os para lá os atirou?

Terá sido uma simples distúrbio, como agora a medicina decidiu chamar-lhe ou será muito mais do que isso?

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Não deveríamos analisar todos estes vícios, e todas estas Pessoas pela raíz, e não apenas pela rama.

Será que não vamos encontrar em todos eles recalcamentos de processos evolutivos que foram ao longo do tempo alvo de algum recalcamento, que nunca se enfrentou e se resolveu no íntimo e no Ser de cada um.

Não se nasce violento, nem drogado, nem alcoólico, nem seja lá que vício queiramos referir.

Isso não faz parte das nossas caraterísticas genéticas, nem do nosso ADN.

São comportamentos que se adquirem, fruto de sentimentos, vivências, que ficaram mal resolvidas, as quais metemos em uma caixa que fica dentro de nós.

Quantos de nós já parou para refletir, porque tem uma ou outra atitude menos correta com alguma frequência.

Não será ela fruto de um comportamento sintomático e generalizado de uma atitude inata que se aprendeu durante uma fase da nossa vida?

Não estou a desvalorizar os vícios nem muitos menos os viciados, mas, sim, a querer que os passemos a olhar com olhos de ver e não com pena, como se tratassem de pobres coitados, sem eira nem beira. São Seres humanos, que necessitam da nossa ajuda, mas essencialmente do nosso Amor.

Sim! Eles destroem as suas vidas, às vezes a das suas famílias, pois arrastam com eles que os rodeia, até que um dia ficam numa imensa solidão, entregues apenas aos seus vícios e aos seus estados de alucinação que os mesmos lhes provocam.

O que lhes faz o vício?

Destrói-lhes a vida, rouba-lhes a identidade, e passam a ser apenas vegetais na nossa sociedade, ou o lixo que atirado a rua, nela permanecem, até que um dia uma dose fatal os faça partir.

E aquele que se fecham na sua solidão e dela se alimentam diariamente?

Alguns nem perceberam ainda que necessitam de ajuda, sem que a não da mesma se lhes seja estendida.

Vamos reequilibrar as energias, enfrentar os medos, abrir as caixas do passado e resolver os problemas que outrora não se enfrentaram, para podermos perceber onde começa o vício a tomar conta de cada um.

Vamos ajuda-los a recomeçar, a escrever uma nova historia, pois só com Amor podemos mudar e ajuda-los a mudar.

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O que te faz esse vício

O que te faz esse vício

Que não consegues largar,

Que a cada dia te destrói.

Ao longe um vulto

Em passo apressado.

Fiquei a olhar, pois de repente não te reconheci.

O que te faz esse vício,

Que te alimenta

Que te destrói.

– “Stora, boa noite”.

Ah… mas que saudades,

Eu tinha desta expressão.

Mas dentro de mim

Um aperto, bem fundo, no meu coração.

Que te faz esse vício

Que ao longe não te reconheci,

E no fundo do meu peito,

Crava agora uma dor,

Que sufoca lágrimas de dor.

Abriste os braços,

Pedias um abraço.

Há mas como eu senti o carinho

Do teu abraço,

Que no meu,

Procurava a calma,

O colo,

As palavras.

Ficamos a conversa

Mas no meu peito uma dor

Que dentro de mim, lágrimas sufoca.

Que te faz esse vício,

Que outrora me pediste ajuda para o largar.

Mas agora voltaste para ele.

Abre os braços

Pede-me um abraço.

Abre o coração

E pede-me ajuda.

Sabes que estou aqui

Para sempre te ajudar.

Vamos juntos escalar esse desfiladeiro

Sair da sombra,

Voltar a ver o sol brilhar.

É imprescindível que sejas tu a querer,

Tens que ser tu a querer vencer,

Esse vício que te destrói.z

Abre os braços

Sente a força que tenho para te dar.

Grita bem alto

Eu sou capaz, eu vou vencer

E deixa-me mais uma vez ajudar-te

A vencer

Esse vício que te destrói.

Deixa o azul do teu olhar brilhar

O sol aquecer o teu coração

E diz não

A esse vício que te destrói.

O que te faz esse vício…

Que te tirou o brilho

E te arrasta na sombra.

O que te faz esse vício

(Autora: Carla Ribeiro)

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Vamos deixar de ter pena destas pessoas que se entregaram ao vício, e vamos sim dar-lhe e mostrar-lhe que existe um novo caminho que podem percorrer.

Vamos ajudá-los a Despertar para um novo caminho.

Vamos dar-lhe ferramentas para se poderem Transformar, para que possam acreditar que é possível Realizar um novo caminho e um novo começar.

Eles necessitam apenas Acreditar que são capazes de voltar a Amar.

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A todos, um simples até já.

A todos sem igual,

Obrigada

Até breve com novos “sentir, novos “amar”…

Fotos: Pesquisa Google

01nov15

 

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9 Comments

  1. Jorge

    olá Carla
    Sem dúvida este tema, cai-te como uma luva, tu que lidas junto dos teus sem abrigo com tantas fobias e vicios.
    mas vicios todos temos, mesmo que não lhes chamemos vicios, basta olharmos para nós mesmo e vamos deescobrir os tais “disturbios” de que fala a nova definição de vício.
    É um prazer , sempre ler a tua Coluna, os temas que nos ofereces e o Amor com que sempre escreves, pois até o maus fica mais leve na nossa leitura.
    Beijinhos Amiga, conhecida ou simplesmente…

  2. Goreti

    Carla
    li hoje a tua coluna Relatos e fui ler outras, dos emses anteriores.
    Gostei muito da tua escrita.
    tem um enorme potencial,quer na prosa, quer na poesia.
    Nunca desistas Carla, gosto de te ler, nas duas vertentes
    e ouvir-te ler Poesia, é encantador.
    Beijinhos Carla
    e sempre a crescer.

  3. "Tó"

    Vícios,
    vícios tos temos,
    Eu tenho e revi-me nessa destruição de que fala no seu texto.
    Obrigada por este texto
    Espero acordar aindaa tempo de um dia mudar

  4. FA

    Mimalha,
    A cada mês que passa, e leio, estes teus relatos, te sinto ainda mais e mais MULHER.
    A tua escrita está cada vez mais exponencial, há uma escalada progressiva e cheia de sentimento, como Tu, um ser de Amor, e sem esse Amor não sabes viver, pois ele transborda em ti.
    Cada vez mais é para mim um gosto, pois prazer dizem os entendidos ser outra coisa, ser teu Amigo e ter-te conhecido.
    Nunca te vi baixar os braços, e a cada pedra que apanhas pelo caminho, ficas mais e mais forte.
    Mais uma vez, fico a espera de um livro teu, penso que já esta na hora…
    Um enorme beijinho, e contínua essa Mimalha linda que és MULHER

  5. Antonio

    Cara Carla
    Falar de vício, um tema tão presente e tão intimista, pois quantos não temos vícios que nem nos apercebemos, ou pior ainda que não admitimos.
    Gostei da forma como sente este tema e esta problemática, cada vez mais presente nesta sociedade alienada de sentimentos e de responsabilidades sociais.
    Parabéns por mais um excelente texto.
    Fico sempre expetante sobre qual será o seu proximo tema…
    Obrigado, por tão belos momentos que me proporcina, pois mesmo sem a conhecer, quase diria sem perigo de errar que se trata de uma Mulher com um enorme Amor para dar sem estar a espera de receber nada em troca.
    Parabén pela Pessoa que é, pelas suas partilhase pela sua sensibilidade.
    Permita-me que lhe deixe um forte abraço.
    Namasté

  6. Afonso

    Boa tarde menina Carla
    é sempre um gosto ler os seus texto.
    Permita-me que lhe diga que cada mês que passa gosto mais dos seus relatos, a quem me atreveria quase a chamar em muitos casos de perfeitos testemunhos da sua Vida.
    Parece-me uma Mulher Guerreira, plena de vitalidade e muito Amor para dar.
    Parabéns por essa sua força e garra de viver.
    Nunca desista, pois parece-me que esta é uma palavra que não faz de todo, parte do seu vocabulário e muito menos da sua forma de estar na vida .
    Nuca deixe de nos presentear com os seus Relatos que sempre nos trazem tanta vida.
    Obrigado, pelas suas palavras e pela coragem das suas partilhas maravilhoras.
    Cumprimentos Afonso

  7. Andreia

    Vícios, e quem não tem vícios…
    Grata pela partilha, pois lemos nos seus textos palavras sempre tão sentidas, e temas com uma enorme importancia.
    grata pelas suas partilhas.
    Namasté

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