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Um grito meu…

Carla Ribeiro

São 12 horas, de domingo, dia 15 de Novembro de 2015, estou a acordar agora. Sim estou, mas não por preguiça, mas por um imenso cansaço, pois até cerca das 4h30 da manhã, andei nas ruas da cidade a levar alimento, agasalhos e matar momentos de solidão aos que nela dormem, num qualquer portal de uma loja, ou de um prédio. Esta é a solidão que vejo, nas ruas do Porto, em que cada vez são mais os rostos, de vergonha e dor que nela habitam.

A pobreza, sim a pobreza, quer de alimento, mas uma enorme riqueza de sentimentos. Necessitam apenas de atenção, de um simples abraço que fiques ali apenas, uns minutos de conversa com eles. Mais grave é ouvir nas notícias que estamos a retirar idosos de lares para neles se colocarem refugiados.

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E então, porque não se retiraram estas idosas, se fizeram as obras e não se retomou a este local esta “família” que já vivia em comunidade?

Mas foi mais fácil assim, destroçar esta “Família”, quebrar os laços, e leva-las. Temos todos direito a vida, mas não estaremos nós a baralhar tudo?

Não deveríamos pensar primeiro nas vidas e nos problemas que temos na nossa sociedade para resolver?

Todos temos direito a uma vida condigna, não importa, a raça, a cor ou a religião, nem mesmo a condição ou a idade, mas no real, sabemos bem que não é assim…

Que venham os refugiados, e que no meio deles venham terrorista também, somos um povo solidário e de brandos costumes. Há, mas quase já nem se lembram, que eu disse, que se estão a tirar idosos de lares, para receber refugiados.

E então, para onde vão os nossos idosos que estavam nestes lares?

Já alguém parou para pensar que estes idosos poderiam ser o pai ou a mãe de qualquer um de nós.

E para onde irão os mesmos ser atirados?

Sim foram atiradas em outros lares, pois as obras que neste espaço se faz são para acolher refugiados e não para manter estas idosas, esta “Família”, pois era assim que já elas se sentiam, uma família…

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Afinal, meus amigos, houve dinheiro para obras… mas não para melhorar as parcas condições destas idosas, mas sim para receber os povos refugiados.

E volto a dizer todos temos direito a vida, a começar e a recomeçar, só não podemos colocar estes interesses num patamar superior ao de darmos condições iguais ao nosso povo.

Lamento profundamente o que aconteceu no passado dia 13 de Novembro em França, assim como lamento o que aconteceu já há alguns anos a 11 de Setembro de 2001 com as tão famosas e emblemáticas torres gémeas.

Assim como lamento, todas as guerrilhas que por este nosso Mundo fora a tantos anos se alimentam de guerrilhas alimentadas por fundamentos e religiosidades que ninguém consegue travar. Lamento todas as calamidades que por este mundo fora acontecem, como a tragédia de 11 de Março de 2004 em Madrid, como tantas outras guerras e guerrilhas que se vivem por este mundo fora, peso de um passado que ainda o carregamos nos dias de hoje.

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Pergunto-me apenas, porque nestas todas, nunca ninguém se vestui com as bandeiras destes países, e de um momento para o outro estamos inundados de cores, as cores de França, nas fotos dos perfis das redes sociais.

E então as outras calamidades, deixaram de ter valor?

E porque não se veste a Bandeira de Portugal, pela crise que cá se vive?

Seremos assim tão hipócritas e insensíveis?

Queremos continuar a virar as costas aos nossos próprios problemas?

Até quando?

Somos portugueses, não somos fantoches.

Está noite enquanto percorria as ruas gélidas da nossa cidade, fiquei estupefacta, pois no Teatro Rivoli, onde ainda está semana se realizou o velório de um Homem da nossa cidade, da cultura da mesma, vejo na sua fachada as luzes da bandeira de França reproduzidas.
Haja respeito, pois tanto nos pedem sacrifícios e cortes e mais sacrifícios, mas…

Onde está então, o respeito pelo nosso nobre povo…

Onde está o respeito, pelas pessoas que moram nas ruas da nossa cidade?

Onde esta o respeito, pelas famílias que passam fome?

Onde está o respeito, pelos nossos idosos?

Onde está o respeito por nós mesmos?

Onde está o respeito pela nossa História?

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Desculpem-me mas, ser solidário é muito mais que uma bandeira, que nem sequer é nossa…
Ser solidário é ter a capacidade de sentir, de Amar, de caminhar nas estradas da dor e sentir, sentir essa dor…

Desculpem-me mas então agora ninguém coloca bandeiras do Quénia?

Onde está a solidariedade com este povo, onde numa universidade colocaram barbaramente uma bomba e já morreram centenas de estudantes?

Qual será o próximo?

Sim, pergunto qual será o próximo ataque?

Que bandeira, querem vocês colocar nas fotos do vosso perfil da vossa Rede Social?

Desculpem-me, mas nem desculpa vos vou pedir, pois ainda estou num país livre de expressão…

A todos, um simples até já.

E Como apenas nos vamos voltar a ver em 2016, não posso deixar de vos desejar um Feliz Natal, e que 2016 vos traga, um mundo novo para descobrir… Deixo-vos um poema, um simples poema, e um até já.

Despedi-me

Despedi-me de ti.

Passamos bons momentos juntos.

Rimos, corremos, saltamos.

Abri portas, fechei portas,

E sempre contigo eu caminhei.

Chorei lágrimas, partilhei sorrisos,

Recebi abraços, partilhei abraços.

Contigo eu chorei, contigo eu sorri,

Contigo eu caminhei…

E foi contigo que caminhei todos estes dias.

Tive momentos em que me apeteceu desistir,

Outros em que senti vontade de fugir,

Mas foi em TI que sempre eu encontrei apoio,

As palavras de incentivo, a força que me faltava.

Sim foi em TI que és meu Amigo de verdade,

Que comigo choraste, que comigo sorriste,

E, que a meu lado caminhaste.

Mas esta na hora de me despedir,

E começar uma nova caminhada.

De fechar esta porta, e uma nova abrir.

Foram 365 dia que juntos passamos,

Que tudo partilhamos,

Dias de sol, dias de chuva,

Dias de calor, dias de frio.

Juntos aprendemos, juntos ensinamos,

Juntos partilhamos, e, sempre no meu rosto,

Tu viste o brilho do meu olhar, e a candura do meu sorriso,

Até as minhas camoesas.

Sorriso rasgado, olhar brilhante.

Carinho, mimo, até Amor,

Sempre muito Amor…

Mas hoje chegou a hora de nos despedirmos.

Fizemos a nossa caminhada,

365 Dias que juntos passamos.

Mas hoje despedimo-nos.

Esta na hora de brindarmos.

Quero festejar todos os momentos, que juntos passamos.

Adeus 2015, fui feliz contigo.

E sempre a sorrir, quero agora receber,

2016 que não sei bem ainda, o que trás para me oferecer.

Sei que brindo, Brindo a TI de quem me despeço,

E a TI 2016 a quem recebo.

Despedi-me, mas continuo a sorrir…

(Carla Ribeiro)

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A todos sem igual,

Obrigada

Até breve com novos “sentir”, novos “amar”…

 Fotos: Pesquisa Google

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9 Comments

  1. Américo

    Bonito, na tristeza que mostra..o dia a dia dos nossos desamparados!! Hoje eles, quem sabe amanha??’
    Gratooo…FELIZ NATAL!!

  2. Alice Teixeira

    Adorei amiga Carla, o texto e o poema que nos revela a tua nobreza de sentimentos.
    Beijinho de luz com o desejo de um feliz 2016

  3. jorge

    Bom dia Carla
    Ler estas suas palavras , são sempre momentos de enorme prazer.
    Sem dúvida um “grito”, repleto de sentimentos e de verdades, que somente nos permitimos calar e não falar.
    Parabéns pelo seu grito, que aleado ao tanto que faz com os mais carenciados, é sem qualquer dúvida um grito sentido com o coração.
    Obrigado, pelas suas partilhas, pelo seu amor e pela grande Mulher que transparece ser.
    Permita-me que lhe agradeça , deixando-lhe um forte abraço e um Beijo de carinho.

  4. Ricardo AP

    Retirado do Facebook:
    Faço das tuas palavras minhas Carla !! Parabéns pela pessoa que és e ajudas pessoas que precisam temos de ser solidários e postar bandeiras não chega !! que importa eu pôr uma foto aqui no face do meu cão se vejo outro na rua e dou lhe um pontapé !!

  5. Anónimo

    Retirado do Facebook
    APL
    “a Carla lida com os esquecidos. Nós, respeitavelmente, le,brámo-nos das pessoas que nos são queridas, estando longe ou perto. O meritório trabalho desenvolvido por ela e por outros ressente-se quando o Estado confere regalias absurdas a pessoas, que embora fugindo de conflito, não são diferentes dos NOSSOS miseráveis. Será estúpido dizer que, primeiramente, teremos que ajudar os nossos mais-que-pobres ou, igualitariamente, dar-lhes o mesmo apoio que aos refugiados?????? Chor)ando ou não por Paris, ou pela França, ou até por Portugal (lembrem-se que morreu um português) estámos a cair no paroxismo mediático. Aconteceu e vai acontecer outra vez. Seremos os próximos?”

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