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“À Palavra” com FERNANDO SOBRAL: “Hoje temos muita informação, mas falta a memória…”

A mais recente edição do À Palavra no Museu de Ovar contou com a participação do jornalista e escritor, Fernando Sobral, para uma sessão moderada por Carlos Nuno Granja, que durante as habituais duas horas de tertúlia, na noite do dia 15 de janeiro, foi introduzindo pistas sobre alguns dos livros do escritor convidado, que lhe foram dando o mote, para, atuais e incisivos temas que o convidado foi explanando nesta conversa com leitores, numa cidade em que a oferta deste tipo de eventos literários se vão agora multiplicando e dispersando.

Quase quatro décadas depois, de ter estado em Ovar por motivos profissionais, como jornalista, Fernando Sobral dedicou as suas primeiras palavras ao Museu de Ovar, afirmando que, “tem uma riqueza natural que não se faz ideia”, acrescentando que, “viver em Lisboa, perde-se o pulso do país real”, deixando a promessa de voltar a esta terra.

Fernando Sobral, à esquerda
Fernando Sobral, à esquerda

Fernando Sobral, jornalista no Jornal de Negócios, em que assina diariamente a coluna de opinião política “O Pulo do Gato” e uma análise semanal sobre, a atualidade da Ásia e do Médio Oriente. É autor de livros, como: As Jóias de Goa; O Segredo do Hidroavião; A Teia do Poder; Os Mais Poderosos da Economia Portuguesa; L. Ville; Ela Cantava Fados; George – De Washington a Bush; O Navio do Ópio; A Torre de Papel; Os Anos de Sócrates ou Barings, este em coautoria com Paula Alexandre Cordeiro. Obras literárias que vão do romance ao policial ou de carácter histórico, politico e económico. Temas inevitáveis neste À Palavra em que o escritor e jornalista, a propósito do livro Barings, sobre a história do banco britânico que salvou Portugal, em que faz o paralelismo entre o estado do país de hoje e de há 200 anos, que estava à beira da falência, para o qual foi fundamental um empréstimo já naquela época, concluíndo que, “o défice do Estado e a dívida externa são a história das finanças portuguesas”. Por isso, afirmou, “para mim é impagável” e acrescentou, “a divida condiciona qualquer governo”, precionado pela União Europeia, que Fernando Sobral vê como “um colete de forças”.

Os meandros da comunicação social que bem conhece, foram outro estimulante momento desta conversa, em que o escritor e jornalista convidado, assumiu com a frontalidade que lhe é reconhecida, que, “o poder económico é que domina a sociedade!”. As televisões “não podem pôr em causa as audiências” e daí, a falta de “debates sérios e cultura”, para o que, em sua opinião, “a sociedade está preparada para esta realidade”.

fernando sobral - 02

A longa e diversificada experiencia jornalística de Fernando Sobral, que se iniciou no jornalismo no “DN/Jovem” do Diário de Notícias, e trabalhou em outros órgãos de comunicação social, na TV, Rádio ou jornais, como o Semanário, O Independente e Diário Económico, tendo sido chefe de redação do Se7e. Levou ainda o escritor convidado a afirmar, que, “hoje temos muita informação, mas falta a memória” ou, “temos muita informação, mas, vermos nas entrelinhas é difícil hoje”.

Texto e fotos: José Lopes (*)

(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro

01fev16

 

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