Dos três principais desfiles do Carnaval de Ovar para apresentarem os projetos carnavalescos, as coreografias das passerelles e os enredos sambistas, que resultam de muitos meses de trabalho, que, como é já tradição se prolonga numa grande azáfama em que se misturam, momentos de ansiedade, alegria, choro, cooperação e convívio entre grupos, agora concentrados na Aldeia de Carnaval. Só se chegou a realizar o corso do domingo (7 fevereiro), perante uma impressionante massa humana que se estendia ao longo da Avenida Sá Carneiro, incluíndo o percurso das bancadas lotadas, em que cada grupo carnavalesco, passarelle ou escola de samba, dá tudo por tudo para convencer os respetivos membros dos juris das diferentes categorias a prémio.
Mais de 2000 figurantes foliões participantes neste desfile, saíram assim à rua depois de na noite anterior ter sido cancelado pelo terceiro ano consecutivo o desfile das escolas de samba na sequência do mau tempo que se fez sentir. O cortejo de domingo também acabaria molhado, mas a chuva que apanhou parte do desfile na rua e obrigou a uma gigante cobertura de guarda-chuvas até ao final, não conseguiu apagar o brilho, nem quebrar a alegria e o ritmo de uma massa de foliões que são a marca de qualidade do Carnaval de Ovar.
Neste único desfile, que desafiou o mau tempo, as quatro escolas de samba intercaladamente com grupos e passerelles iam mostrando os seus enredos sambistas, previamente apresentados no ambiente carnavalesco que se vive na cidade ainda antes de cada ano terminar, em que se ficaram as conhecer temas como: Charanguinha, “Tudo o Que Pedimos é Para Viver em Paz”; Juventude Vareira, “A Chama Que Arde No Peito é Amor é Emoção… É Fogo”; Kan-Kans, “Desafio África”; e Costa de Prata, “O Olho Que Tudo Vê.
Por entre ritmo de samba e os ritmos musicais mais adequados aos grupos passerelles que estão justamente a conquistar um lugar cada vez mais preponderante e atrativo no Carnaval de Ovar, em que se estão a operar grandes transformações na disputa das classificações desta área, ao ponto das “Barulhentas” terem brilhado de forma tão vibrante para o público, mas não convenceram o júri num ano em que os “Bailarinos” voltaram a vencer, com a novidade de terem como concorrente mais próximo os “Levados do Diabo”. A matriz mais próxima das caraterísticas do Carnaval de Ovar neste último meio século, é representada com muita imaginação pelos grupos carnavalescos, que no geral têm a particularidade de não influenciarem o estilo de vida dos seus elementos e fundamentalmente os jovens em função da folia, já que Ovar tem muitas outras vertentes culturais a merecerem a adesão das várias gerações ovarenses.
Mais do que ritmos e coreografias que vão desfilando apressadamente, os grupos carnavalescos que mais interagem com o público, e que, em alguns casos são verdadeiras oficinas e escolas de formação profissional na utilização de diferentes tipos de materiais, que dão forma aos carros alegóricos e todos os elementos alusivos aos temas trabalhados.
Deram forma a ratos traquinas dos Catitas, Gepetto e os Pinóquios dos Vampiros, as asas dos Xáxas, conto de histórias dos Marados, eleição papal e Guarda Suiça dos Zuzucas, as “malucas” dos Marroquinos animadas pelo Rancho Folclórico da Ribeira, homens Lego dos Não Precisa, lavadeiras dos Pierrots, Hippies calceteiros ou marchas populares, bailarinos, carteiros dos Carrucas e transmutação dos Garimpeiros. Com a noite acompanhar o final do cortejo, os gladiadores dos Pinguins e seus leões mesmo na cauda do desfile acabariam por vencer obstáculos e arrecadar com o tema “O Bicho que virou bicha”, mais um primeiro lugar no seu já vasto palmarès.
Esse domingo seria afinal o único ponto alto do Carnaval organizado que os foliões tiveram para dar largas a toda a sua energia carnavalesca, depois das últimas noites a trabalhar intensamente para terminar pormenores e adereços que formam todo o conjunto multicolor que já não se repetiu na terça-feira devido à chuva que em quase todo o país fez o Carnaval saber a pouco, e em Ovar foi mesmo oportunidade para o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, declarar à comunicação social a possibilidade de um espaço coberto para o desfile de Carnaval não depender das condições climatéricas, ideia apresentada no calor do momento, que já mereceu da oposição de direita a acusação de “folclore, de populismo fácil e demagogia”.
Classificações
Escolas de Samba
1.º Costa de Prata / 82
2.º Charanguinha / 78,5
3.º Juventude Vareira / 67,5
4.º Kan kans / 63
Passerelle
1.º Bailarinos / 82,5 pts
2.º Levados do Diabo / 80,5 pts
3.º Melindrosas / 75,5 pts
4.º Palhacinhas / 75 pts
5.º Joanas do Arco da Velha / 74,5 pts
6.ºBarulhentas / 71,5 pts
Carnavalesco
1.º Pinguins / 377 pts
2º. Pindéricus / 366,5 pts
3.º Hippies / 363,5 pts
4.º Marados / 362 pts
5.º Xaxas / 355 pts
6.º Vampiros / 347 pts
7.º Zuzucas / 339 pts
8.º Carrucas / 299 pts
9.º Marroquinos / 296,5 pts
10.º Catitas / 291 pts
11º. Não Precisa / 283,5 pts
12.º Pierrots / 275 pts
13º Garimpeiros / 249,5 pts
14.º Condores / 233 pts
Do Carnaval das Crianças à Noite Mágica…

Também com muita gente, milhares de pessoas na rua e sem chuva, foram muitas as ofertas no programa do Carnaval de Ovar para diferentes envolvências da população e comunidade foliona, desde logo a partir das escolas. Foram quase dois mil figurantes que desfilaram no domingo (31 janeiro) no centro da cidade, em que as crianças representaram as várias comunidades escolares do concelho de Ovar, escolas, jardins-de-infância, associações e instituições.


Banho de multidão é também a garantia que há 28 anos dá a presença de Quim Barreiros na quinta-feira de Carnaval que decorreu no designado Espaço Folião que no dia seguinte recebeu o tradicional espetáculo do grupo carnavalesco Axu-Mal na noite da “Farrapada”. Uma novidade que surpreendeu pela adesão de foliões que foram a garantia de sucesso desta nova iniciativa carnavalesca em Ovar. Um sucesso que de certa forma vem na linha de um outro, como é a Caminhada Noturna de Carnaval com quase 2000 participantes a percorrerem cerca de 6 Km pela zona urbana de Ovar.
Ainda que cada vez mais questionada por alguns exageros praticados madrugada a dentro, incluindo o que já foi considerado nas redes sociais como “forma lamentavelmente abrupta e violenta como terminou” a “Noite Mágica”, incidentes com as forças policiais ainda por esclarecer, este evento carnavalesco há vários anos conquistou um lugar muito próprio na oferta da folia em Ovar, atraindo muitos milhares de visitantes do norte e centro que obrigam a viagens especiais de comboio, originando uma corrente humana na direção do centro da cidade, num transe que dura toda a madrugada.
Durante a época carnavalesca são ainda vários os palcos que reúnem multidões de foliões, destacando-se a Aldeia do Carnaval como espaço privilegiado atualmente em que o espirito carnavalesco é partilhado por quem representa a verdadeira alma e espirito do Carnaval de Ovar.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro
01mar16










