A Área Metropolitana do Porto, ainda que considerada, no contexto nacional, uma região segura e longe da realidade que se vive, por exemplo, em Lisboa, ela não deixa, mesmo assim, de registar um significativo número de crimes, a maioria dos quais de “pequena monta”. Nada de alarmante, é verdade (!), mas algo a ter em atenção.
O aumento do fluxo turístico, principalmente o verificado, nas cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia, e a crescente “movida” noturna no centro histórico da Invicta, poderão ter, entre outros casos, potenciado o número de crimes na região, mas, ainda são as zonas socialmente críticas (aglomerados habitacionais onde residem famílias com graves carências económicas) que merecem uma especial atenção por parte da Polícia de Segurança Pública (PSP), até porque, por essas bandas, os crimes são frequentes, com especial destaque para os de tráfico de estupefacientes.
Mesmo com dificuldades estruturais (materiais e humanas), muitas delas já denunciadas pelos organismos sindicais da Polícia, a verdade, é que o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela PSP é considerado positivo, se bem que, e para que se chegue a essa conclusão, seja de salientar o redobrado esforço em termos de intervenção direta ou indireta, de agentes e dos seus responsáveis.
Sabe-se, por exemplo, que, no que concerne ao “parque auto policial”, há viaturas que já devem alguns anos à sucata, e que o número de efetivos está muito aquém do exigível, e logo, quando nos contextualizamos numa área metropolitana que é só a segunda mais populosa do País.
Média supera as 25 detenções diárias
Para que o(a) leitor(a) possa ter uma ideia real da atividade dos agentes do Comando Metropolitano do Porto da PSP, podemos reportar-nos ao número de detidos, no âmbito do combate à criminalidade, relativo pretérito mês de fevereiro.
Num espaço de 21 dias, registaram-se 546 detenções, ou seja, uma média de 26 por dia, isto de acordo com números oficiais enviados pelo referido Comando.
O pico registou-se logo no dia 01, altura em que foram detidas, nada mais nada menos, 87 pessoas, sendo que quatro por tráfico de estupefacientes (Porto e Matosinhos) e um por violência doméstica (Gaia).
Refira-se, enfatizando, que é o tráfico de estupefacientes que lidera a lista de crimes na Área Metropolitana do Porto, se bem que, e não muito atrás, surja a apreensão de armas ilegais.
Outro dia, do mês passado, que esteve em destaque na atividade de combate à criminalidade, foi a 22, com 76 indivíduos detidos, 12 dos quais no âmbito de uma operação de prevenção criminal e fiscalização rodoviária, no Porto.
Além dos, já referidos, dia 01 e 22 de fevereiro, a “agenda criminal” teve outros protagonistas em diferentes dias, e casos específicos a ter em conta. De salientar, entretanto, a operação realizada pela PSP no dia 10, a qual teve resultados surpreendentes.
Vamos, então, à verdade dos factos:
02fev16: 17 detidos.
03fev16: 18 detidos. Dois, no combate do crime de tráfico de estupefacientes, sendo de realçar a apreensão de 3.500 doses individuais, no Bairro do Aleixo.
04fev16: 28 detidos. Dois, por furto no interior de um estabelecimento comercial, no Porto. E sete por tráfico de estupefacientes.
05fev16: 21 detidos. Três, por crime de tráfico de estupefacientes.
06fev16: 23 detidos. Operação policial nas cidades do Porto, Maia e Póvoa de Varzim, onde foi apreendida uma caçadeira de canos serrados.
08fev16: 68 detidos. Dois dos quais por tráfico de estupefacientes e um por posse de armas proibidas.
09fev16: 17 detidos. Treze no resultado de operação policial desenvolvida nos principais eixos rodoviários do Porto e Matosinhos. Dois (18 e 27 anos) por roubo, no Porto. E outro por furto em estabelecimento.
10fev16: 23 detidos. Operação de combate ao crime de tráfico de estupefacientes em Porto e Gaia, que resultou na apreensão de mais de 7 mil doses individuais, armas de fogo, nove viaturas e 66 mil euros em notas do BCE.
12fev16: 18 detidos. Nove em operação de prevenção criminal na baixa do Porto.
15fev16: 28 detidos. Um, dos quais, por arma proibida, e dois por prática de jogo de fortuna ou azar, em Gaia.
16fev16: 12 detidos. Um dos quais por uso e furto de veículo automóvel, em S. Mamede Infesta. Outro por crime de condução sem habilitação legal, em Matosinhos, e ainda outro, mas este por posse de estupefacientes.
17fev16: 14 detidos. Um deles, de 50 anos, no Bairro do Viso (Porto), por suspeita de tráfico de estupefacientes.
18fev16: 12 detidos. Dois foram detidos durante uma operação policial desenvolvida no âmbito do combate aos crimes de tráfico de estupefacientes e de furto, no Porto. Outros três foram detidos numa operação criminal desenvolvida na baixa do Porto.
19fev16: 11 detidos.
23fev16: 14 detidos.
24fev16: 17 detidos. Três por furto de carteiras, no Porto. Quatro por tráfico de estupefacientes (Porto e Matosinhos).
25fev16: 19 detidos. Um por tentativa de furto no interior de um estabelecimento de ensino na Maia. Outro, pelo tráfico de estupefacientes, no Bairro Dr. Nuno Pinheiro Torres, no Porto. Neste dia, oitenta e quatro vigilantes foram fiscalizados no curso de 31 ações de fiscalização desenvolvidas no âmbito do exercício de segurança privada, no Porto.
26fev16: 13 detidos.
27fev16: 10 detidos
Avisos e alertas
A atividade da PSP, no Porto, ou no resto do País, é de reconhecido valor, mas os cidadãos continuam a pedir mais ação de proximidade. Diz-se (escrevendo) que é raro ver-se um polícia nas artérias citadinas e muitos nas secretárias das esquadras.
Este problema já se arrasta há anos, pelo que o cidadão comum – por rápido estudo feito pelo nossos jornal na Internet – pede mais segurança nas ruas e também em locais de potencial concentração de pessoas (estações de metro, correios, centros de saúde, bancos e etc).
A verdade, porém, é que na secretaria, os agentes da PSP, e seus responsáveis, vão também desenvolvendo um trabalho digno de registo, se bem que a sua presença dissuasora nas ruas seja, extremamente importante e uma pecha a ser resolvida.
O tal trabalho de secretária, e principalmente o ligado aos crimes praticados através das novas tecnologias – com especial destaque para as redes sociais -, tendo sido frutuoso, tão útil quanto o conselho / alerta da PSP para um falso email – e relevamos um só exemplo – que por aí circula e coloca em causa a instituição policial induzindo em erro muitas pessoas.
A ler… o aviso:
“É frequente os utilizadores de email receberem informações, tidas como factuais, que ao serem erradamente explicadas podem levar a situações de insegurança que cumpre à PSP precaver. Assim, a PSP alerta para um email que se encontra a circular por diversas caixas de correio eletrónico cujo pressuposto é totalmente falso. Nada de errado se passou em Coimbra e em qualquer sala de espetáculos daquela cidade, ou no Porto com os contornos relatados no texto, que tenha tido origem num roubo levado a cabo por uma rede organizada de cidadãos estrangeiros. Também é falso que a PSP possua algum Comando Central ou eventualmente algum Oficial com a graduação de Tenente.
Por esse motivo, alertamos todos os cidadãos que, quando confrontados com missivas do género, questionem as autoridades para a veracidade das histórias antes de as reencaminhar, pois não só contribuem para a descoberta da verdade, como previnem um sentimento de insegurança. Podem e devem utilizar preferencialmente o email contacto@psp.pt ou telefone: 218111049.
O “falso” email
“AVISO DA PSP COM PEDIDO DE RETRANSMISSÃO
Cuidado com os ucranianos que estão nos sinais em Braga, Porto, Coimbra, Lisboa – Máfias de Leste. Há dias 10 indivíduos deram um concerto de Musica sinfónica em apoio aos emigrantes de leste no teatro Gil Vicente em Coimbra. Depois de se apagarem as luzes para se dar inicio ao concerto, um deles sacou de uma metralhadora, enquanto os outros faziam a colecta dos bens e dinheiro transportado pelos espectadores (…) Tranquem sempre as portas e fechem os vidros quando eles se aproximarem e desconfiem do aspecto simpático, pois normalmente são perigosos criminosos.
Divulguem este e-mail o mais que puderem e ajudem-nos a combater esta praga, porque amanhã pode ser um de nós.
Tenente António Santos Alonso
Comando Central da PSP Porto”.
Fica, aqui, o alerta. Atenção a este falso e-mail…
Sindicato dos Profissionais de Polícia critica “OE 2016”
Entretanto, e tendo em conta o Orçamento de Estado para o corrente ano, que está – à data – a ser discutido na especialidade na Assembleia da República, o Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) “repudiou”, o “congelamento da passagem dos elementos das forças de segurança à reserva e à pré-aposentação e aponta para a diminuição das verbas afetas ao Ministério da Administração Interna (MAI), o que, caso se confirme, se traduzirá inevitavelmente numa diminuição dos meios humanos e materiais da PSP”, lê-se em comunicado.
“De facto”, e segundo o referido sindicato, “no artigo 37º do Orçamento de Estado para este ano, lê-se que “ficam suspensas, durante o ano de 2016, as passagens às situações de reserva, pré-aposentação ou disponibilidade, nos termos estatutariamente previstos, da GNR, de pessoal com funções policiais da PSP, do SEF, da PJ, da Polícia Marítima e de outro pessoal militarizado e de pessoal do corpo da Guarda Prisional”.
Ficam excluídos desta suspensão, segundo o documento, “quem precisar passar a este estatuto por razões de doença, limite de idade, quando haja exclusão de promoções ou quem já tenha reunido as condições necessárias para passar à reserva”. Trata-se de uma decisão que o SPP não pode aceitar, uma vez que discrimina a PSP em detrimento dos Militares e coloca em causa o urgente e necessário rejuvenescimento da PSP, existindo sérios riscos de que a segurança dos cidadãos passe a ser garantida por polícias cuja idade já não lhes permite dar resposta cabal aos cada vez mais complexos desafios que a atual criminalidade lhes coloca”.
Mais: “O SPP salienta que entregou, este mês, um caderno reivindicativo à ministra da Administração Interna, onde constam as principais medidas que devem ser seguidas pelo Governo para o bom desenvolvimento da atividade policial na PSP durante o ano de 2016, sendo que o cumprimento integral do Estatuto é uma das nossas exigências prioritárias”.
“Certo é que, ao congelar as passagens à reserva e à pré-aposentação, o cumprimento de um Estatuto que entrou recentemente em vigor está já a ser posto em causa, o que é inaceitável num Estado de Direito. Acresce que também não está previsto o aumento das verbas afetas ao MAI, antes sim a sua ligeira diminuição, pelo que poderão estar igualmente em causa as admissões de novos elementos para a PSP previstas para este ano, até porque se preconiza que para a saída de dois funcionários dos quadros do Estado apenas entre um, quando na PSP é imperioso que suceda o contrário.”
Para o SPP, “este corte nas verbas do MAI é ainda mais incompreensível se atendermos ao facto de as receitas obtidas pelo Estado e provenientes da atividade policial (multas, coimas, licenças de uso e porte de arma, etc) ultrapassaram largamente as verbas previstas para o ano 2015.”
Assim sendo, o SPP “vai desenvolver esforços no sentido de sensibilizar quer o Governo, quer os Grupos Parlamentares, para que, no debate na especialidade do Orçamento, este passe a respeitar o nosso Estatuto e tenha em conta a principal missão da PSP, que é garantir a segurança pública. Para proteger devidamente todos os cidadãos, Portugal não pode ter uma Polícia envelhecida e sem meios humanos e materiais. “
Reivindicações a ter em conta pelos governantes, depois de, pela primeira vez, desde o 25 de abril, um OE ter sido aprovado, na generalidade, pelos partidos de esquerda parlamentar que apoiam o Governo (PS,BE,PCP e PEV)
Será que as exigências das Polícias e, consequentemente, dos polícias vai discutido e resolvido de forma consensual? A ver vamos…
Texto: José Gonçalves
Fotos: PSP / Pesquisa Google
Fontes: PSP
01mar16






