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Europa RIP

José Luís Montero

A Poesia não existe; quatro gandulos e meia dúzia de sacristãos do mundo da economia ceifaram os versos no espaço Europa. Inglaterra, como sempre, é a mão que autoriza a piratagem que o mundo das Finanças provocou na pobreza. Querem direitos especiais. Querem direitos exclusivos; erva de manjedoura com piripiri de privilégios.

Europa sem ideia de Europa não existe; talvez nunca tenha existido porque desde o primeiro passo deram-se asas à visão económica e nem deixaram crescer uma pequena flor que emanasse o perfume das ideias.

Agora, com o Sul em crise, com a chamada e procura de profissionais qualificados em Espanha e Portugal chamam-lhe “imigrantes”. Mas, então não existe Europa como um todo?.. Não, não existe; só criaram gebos andantes que viajam a Bruxelas para forjar lucros e mais lucros para os que sempre nadaram em riqueza. Europa é um morto-vivo e os países do sul pagarão todas as crises para salvar os seus sistemas bancários e os alheios. É triste. É uma pena que estejamos eternamente comandados por vampiros.

Mas sempre existem Passos Coelhos que nunca pisaram o campo, a mata que discursem sobre os benefícios do tojo. Falam e quanto mais falam, mais aparecem mais negócios bancários para ser decifrados. Aparecem mais performances do Governador do Banco de Portugal que se somam a uma demissão adiada. E como o coro dos tribunais era sonoro aparece Victor Bento a falar da conveniência da nacionalização do Banco Novo ou Novo Banco…

lua cheia com oculos de sol

O circo do passado-recente tem cada vez mais atrações. O passado-recente assemelha-se ao anódino de viver uma Lua Cheia como óculos de Sol. São os ceifeiros do verso latino; os aniquiladores do mundo mediterrânico.

O Sistema pode inventar novos líderes; novos-velhos discursos inspirados numa noite de vinho carrascão, mas, apanham o comboio ou o aeroplano para Bruxelas e encontram-se com os “príncipes” dos Cameron; da Merkel e o seu poder medonho paralisa ideias, projetos e vontades.

O bom e barato tem dono e o dono é, em cada caso, o latifundiário eterno. Europa está morta e morrerá da forma mais calamitosa que convenha ao grande Poder. Com a ironia que carateriza este mau fado jacobino, respondem às necessidades: “ se queres mais dinheiro; se queres acordos particulares, privatiza o sistema de Saúde; a Educação ou os bocadinhos de mar onde se possam abrigar barcos…” Miséria.

Compram; vendem consciências. Transformam o feio em belo e servem ração generalizada de batatas cruas nos almoços domingueiros. A sociedade civil que normalmente alimenta ideias de impulso está tão cercada que nem se ouve, nem pensa em ser ouvida. A rutura anunciada nas últimas legislativas – em Portugal ou em Espanha – atua, só e exclusivamente – no que diz respeito à legislação que não implica alteração económico-financeira.

E a Cultura e o seu ministério aplicará grande parte do seu orçamento na Televisão… Espero, pelo menos, que façam muitas séries com casalinhos felizes nas suas intrigas – cheias de paixões camilianas – e com os sovacos perfumados com livros.

O ministro João Soares – sempre a lembrar a sua condição de esquerda e outros orientes – quando se resignou à situação de financiador da Televisão poderia ter dito: “mas, atenção: serão programados espaços de promoção da cotovia como atração turística. “

chorar pela europa

A crise também manda na Cultura; também manda, capando-a. Um livro, como sempre se disse, é bem mais poderoso que um exército, por isso, temem o exército da palavra escrita; do violino; do pincel que transforma telas em branco. Perceberam que tudo chega pela cultura e pela formação cultural e os senhores das novas Arcas de Noé que em vez de animais levam ouro, preferem o brilho dos diamantes que experimentar o mundo que abre um livro.

Choro pela Europa do cidadão que nunca deixaram flutuar porque a minha pátria é o Mundo e Europa é também o passado que abriu o Mundo. Agora fecha-o porque a matam e fica o mundo onde se discute se se devem levar armas para as aulas. Fica a barbárie escriturada pelo mundo anglo-saxão. Fica o ridículo de uma monarquia com pechisbeques imperiais a chorar os romances de uma princesa ou a comentar as infidelidades de um príncipe. Fica o ridículo marcado pelas religiões e o seu absurdo.

Ai sonho meu!.. Criança minha que abriu os olhos quando o Maio de 1968 encheu de flores as cloacas do mundo… Tudo se perdeu ainda que se a morte é transformação, tudo aparecerá; brotará novamente entre os paralelepípedos das calçadas para que o mundo seja o que é: um jardim de sonhos.

Mas, Europa jaz entre fatos de alpaca e cadeirões almofadados. Deus- apesar de estar na moda – também morreu, mas deus é uma ideia e um conceito e jaz na mente das pessoas e da cultura. Pobre Europa; triste cidadão europeu que te querem negar a existência.

Fotos: Pesquisa Google

01mar16

 

 

 

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2 Comments

  1. Fernanda Lança

    Nada na Europa pode subsistir quando se cilindram os valores que nos são inerentes em função dos lucros pornográficos do sistema financeiro. Não há quem se oponha porque os que são colocados no poder, são escolhidos a dedo para que cumpram a missão a que estão destinados: vender tudo o que seja identidade dos povos em benefício dos lucros do sector bancário

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