Marcelo Rebelo de Sousa. Presidente da República. No Porto. No “Cerco”, bairro socialmente “problemático”. No “cerco” da amizade, do diálogo, do contacto pessoal, dos abraços, dos beijos, de tudo, ou quase tudo. No Largo dos Afetos, que é largo com “Cerco”, mas sem “cerco” lá no bairro. Afetos…e que afetos! Uma “multidão” de afetos.
Dia 11 de março de 2016. Data para relembrar. O último de dois dias de “Festa” (descentralizada) depois da tomada de posse, no passado dia 09, como o mais alto magistrado da nação.
“Marcelo! Marcelo!” Ouviu-se. Cantou-se. Deu-se passos de “dança”. Estava por lá – por um bairro, situado na zona oriental do Porto, durante vários anos desprezado – o Presidente da República.
Bandeiras de Portugal nas janelas e varandas; cachecóis do clube do sítio… braços no ar… alegria, algumas lágrimas, muitos e muitos aplausos. E ouve-se, uma vez mais, “Marcelo! Marcelo!”
Nesta altura, o recém-empossado Presidente da República, estava prestes a deixar a Invicta. Antes, ouviu, e deu perninha, em palco, – juntamente com Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto- à dança de um “hip hop” dos OUPA, um grupo formado por cinco jovens residentes no bairro (Cerco), que, com a música, vão intervindo, construtivamente, para integração de rapazes e raparigas em “risco” na sociedade, isto pela “mão” de uma nobre Gisela, pessoa que conhecerá, dentro em breve, em entrevista a ser publicada (vídeo-gravada), em exclusivo, no seu jornal…. Este!
E “este”, este seu jornal, acompanhou a par e passo a caminhada do Presidente Marcelo. Com ele, centenas de jornalistas quase ao atropelo.
Antes do atropelo, Marcelo Rebelo de Sousa chegou à Câmara Municipal do Porto (11h05), sendo recebido pelo presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, com honras militares

Rui Moreira: “Erga a sua voz em defesa de um Portugal menos centralista!”
Já nos Paços do Concelho e depois de momento musical, pela Orquestra Juvenil da Bonjóia (11h15), intervém… Rui Moreira:
“Com a sua voz e a sua autoridade, peço-lhe que lute contra a desigualdade e injustiça. Erga também a sua voz em defesa de um Portugal menos centralista, um Portugal que deixe enfim respirar os que querem ousar, arriscar, fazer mais e melhor. Estamos a falar de muito mais do que um centralismo de interesses. Estamos a falar de mentalidades e da sua necessária mudança”.
“Portugal está mais assimétrico e, desgraçadamente, mais desigual”, porque o país “são todos os portugueses, mas são ainda muito diferentes as condições em que vivem e aquilo a que podem aceder”.
“Portugal é plural e diverso e, sabe-o muito como poucos. É muito mais do que o Palácio de Belém e outras sedes de órgãos de soberania. Os portugueses são das cidades, são do litoral e do interior. Os portugueses são os algarvios, são os transmontanos, os minhotos e os portuenses”.
“Hoje é um dia de festa (…). Ao longo do dia, irá sentir que esta cidade, liberal e aberta, tolerante e abrangente, está próxima de si. O Porto saberá sempre acolhê-lo e incitá-lo a continuar na jornada de todos unir”. Disse.

Marcelo Rebelo de Sousa: “Aqui, no Porto, é impossível não acreditar em Portugal!”
Eis a intervenção (na íntegra) do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
“Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto. Aqui vir e aqui estar hoje a terminar as cerimónias de posse iniciada em Lisboa é, a dois títulos simbólico. É simbólico como homenagem ao Porto, ao seu passado, ao seu presente e ao seu futuro. É simbólico como sublinhado de virtudes nacionais num tempo atreito a desânimos, desilusões e desavenças.
Antes do mais, homenagem ao Porto. À sua História. De inventiva e autonomia. Desde o Bispo insubmisso ao Infante D. Henrique e à burguesia cosmopolita que estabeleceu os laços que perduram com o nosso mais antigo aliado. De resistência ao poder absoluto, também. Da Revolução de 1820 ao heroísmo na vitória sob o Cerco em plena Guerra Civil e à perene evocação de D. Pedro, exemplo da junção de duas Nações em tempo de sua separação definitiva.
E, depois, História precursora da República em 1891, incansável batalhadora pela liberdade e pela Democracia, da militância intelectual e associativa e laboral ao magistério religioso e à pujança económica. Numa palavra o Porto, é de algum modo como berço da Liberdade e da Democracia.
Mas, se este passado enche o Porto de glória, o presente continua a defini-lo como terra de gente de caráter, de liberdade, de trabalho, de convivência aquém e além-fronteiras.
O Porto é terra geradora de elites em todos os domínios. No mundo da economia como na universidade, na Cultura como nas Artes e no Desporto. São património imperecível do Porto, Manuel de Oliveira e Agustina, Souto Moura e Siza Vieira, Rui Veloso e Pedro Abrunhosa, Vasco graça Moura e Daniel Serrão entre muitos outros.
E, por isso, – olhando para todos eles e para a vitalidade que deles emana – como não adivinhar para o Porto um futuro de grandeza?
As start-ups de hoje a prefigurarem a criatividade de amanhã, artistas de todas as idades a fazerem chegar a arte a outras latitudes e longitudes, os invictos a exigirem de si próprios mais espaço para afirmarem mais longe ainda a sua vocação universal.
Tudo isto, afinal, expressão ou matriz de uma maneira de ser que não se esbateu com o tempo, antes se reforçou ganhando as camadas da nobre pátina que só o tempo, o verdadeiro tempo histórico sabe conceber.
Dizia, com a autoridade das raízes, Sophia de Mello Breyner “Esta gente cujo rosto (…) faz renascer o meu gosto de luta e de combate”. Reconhecia o insuspeito transmontano Miguel Torga: “Quem morre pela liberdade todos os séculos, e trabalha desta maneira, há-de por força estar bem no Portugal que se quer”.
Amor à Liberdade, exemplo de trabalho e gosto de luta e de combate. Virtudes ancestrais num Porto que nunca cedeu ao desalento, ao pessimismo, ao derrotismo. Como é essencial para todos nós, este sublinhado de virtudes; assumido sem complexos e com desassombro. É que dos nossos defeitos falamos nós e falam outros por nós, em demasia.
Portugal precisa de quem recorde a coragem e a tenacidade dos Portugueses. O que nos divide e diminui conhecemos todos, das ideias aos factos, ao comprazimento com as previsões erradas ou que vão errar, com os caminhos outrora sem saída ou que a não terão no futuro, com o júbilo perante as agruras ou os insucessos dos adversários.
É tempo de falar menos do que nos deprecia, e falar mais daquilo que nos valoriza. Neste Porto em que “rudeza e virtude são muitas vezes companheiras”, como escrevia Alexandre Herculano, deixem-me ser saudavelmente rude.
Para formular aos Portuenses dois pedidos; o primeiro, de que jamais troquem a sua liberdade, o seu rigor no trabalho, os seus gestos de luta e de coragem por qualquer promessa de sebastianismo político ou económico. O futuro é obra de todos não é dádiva de ninguém.
O outro, de que nunca se rendam à ideia errada de que quase nove séculos de história são obra do acaso, que é uma fatalidade que Portugal esteja votado a ser pobre, dependente, injusto, a não ter lugar para a vontade dos Portugueses.
Temos de acreditar em nós próprios e no que valemos e podemos. Para que as crises deixem de ser o único horizonte possível. Para que seja possível, ao menos de, quando em vez, abrir caminho ao sonho. Aqui, no Porto, é impossível não acreditar em Portugal!”
Cristal…ino
Depois de assinar o Livro de Honra da CM Poto e de apresentar cumprimentos aos participantes na cerimónia, isto na Sala D. Maria, o Presidente da República, acompanhado por Rui Moreira – e a seu convite -, partiu para a Casa do Roseiral, onde o edil ofereceu um almoço. Desconhecemos as iguarias, mas que o PR saiu de lá satisfeito… Saiu… saiu!
E saiu (satisfeito), caminhando pela Avenida das Tílias (Palácio de Cristal) rumo à Galeria Municipal Almeida Garrett, para visitar a exposição “P.-Uma Homenagem a Paulo Cunha e Silva, por extenso”, que o nosso jornal dará mais pormenores na rubrica “Cartaz” na próxima edição (01abr16).
Um bairro “cercado”
Deixando o “Palácio”, Marcelo, o Presidente, regressou ao convívio com o povo! Destino: Bairro do Cerco do Porto. Freguesia de Campanhã. Na “Invicta”… está claro. E tanto que era o povo!
Para que se saiba, o Bairro do Cerco do Porto foi inaugurado em 1963, e está situado na freguesia de Campanhã, zona oriental do Porto. Conta com 34 Blocos, representando 892 casas, nas quais residem 835 famílias. Ao todo: 2.074 habitantes. Atenção: destes (2.074), 650 não têm rendimentos laborais, e 354 declaram um rendimento mensal inferior ao salário mínimo. Isto fora os que vivem “à custa” do Rendimento Social de Inserção, e outros, que a nada disso têm direito. Uma vergonha!
OUPA! Oupa com a comunidade cigana no local. Oupa! Com os jovens que fazem parte do Centro Social. Oupa! Com os “oupas” que o Presidente da República conheceu, “brincou”… crianças de um outro “Oupa”, e que brindaram o Presidente com uma canção do “Chapéu para o Céu”.
Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente, recebeu lembranças, algumas das quais oferecidas pelo presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, Ernesto Santos.
A mais inesperada veio, contudo, de Tino de Rans – candidato nas últimas “Presidenciais” que ofereceu, a Marcelo, dois pares de sapatos (tamanho 41), de uma empresa de Guimarães, isto na qualidade de trabalhador da Câmara Municipal do Porto (calceteiro), pois como disse: ”Junto, com isto, o calçado à calçada para promover aquilo que se faz no País”. Tino aproveitou a ocasião para formalizar um convite ao Presidente da República para visitar – como tinha prometido –Rans, em Penafiel.
Marcelo, O Presidente da República, viu, e sentiu, o entusiasmo das pessoas, a sua alegria e disse: “As pessoas estão à espera de mais esperança. Nela, as pessoas têm de acreditar. É importante olhar para o futuro com confiança!” Antes, e em palco de hip hop, foi mais longe: Onde está a nossa gente… está o Presidente!” Está dito!
Texto: José Gonçalves
Fotos: Pedro N. Silva
Fontes/Apoios: Lusa / Público
12mar16











Amigo Zé, bem dizias tu que ia ser publicado um artigo sobre a visita ao Porto por Marcelo, eu digo mais: um excelente artigo bem como excelentes fotos! Parabéns por ambos! Forte abraço Amigo!
Mário de Sousa
Excelente Reportagem
Um brilhante momento na nossa cidade e que tão bem ficou aqui relatada.
Excelente reportagem
Muito bom(bom trabalho do diretor e da equipa os meus parabens)Agora e so esperar para ver o que acontece!!!!!@