José Manuel Castro / Tribuna Livre
A intenção dos donos da TAP (após privatização), de suprimirem, a partir de 27 de Março, voos para Barcelona, Milão, Roma e Bruxelas, de concentrarem todas as rotas para Estados Unidos, Venezuela ou Brasil em Lisboa e estabelecerem uma nova ligação Vigo-Lisboa esvaziando o tráfego proveniente da Galiza, constitui um enorme ataque ao aeroporto do Porto, à economia e ao turismo da região Norte.
Não é de agora o desrespeito dos gestores da TAP pelo aeroporto do Porto, mas após a entrega à pressa e ao desbarato pelo governo PSD/CDS-PP desta companhia aérea a empresários privados, a desconsideração pelos interesses da região ficou mais acentuada.
Também em resultado da desastrosa privatização dos aeroportos nacionais em Setembro de 2013, não param de aumentar as taxas do aeroporto do Porto sob gestão da Vinci. Em Janeiro de 2016 ocorreu o sexto aumento, as taxas a cobrar subiram 1,7%, com a agravante de incidirem mais fortemente nos serviços utilizados apenas pelas companhias aéreas “full service” (ou de bandeira): pontes telescópicas (2,79€ por minuto) e sobretaxa de estacionamento (47,95€ por 15 minutos). E qualquer aeroporto dominado por companhias “de baixo custo” está condenado ao declínio.
O aumento sistemático dos preços no aeroporto do Porto é a dramática confirmação das afirmações de Giovanni Bisignani, antigo presidente executivo da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo): “sempre que se privatizou uma gestora aeroportuária, foi um desastre”. Os crescentes valores das taxas aeroportuários decorrem da lógica da gestão privada de obter o lucro máximo para os mais de 500 fundos de investimento que são acionistas da Vinci. Quanto mais passageiros se movimentarem no aeroporto do Porto, mais as taxas são aumentadas…
Pela gravidade da situação, a Assembleia Municipal do Porto reunida em 1 de Fevereiro de 2016, não podendo ficar indiferente às consequências dos aumentos das taxas aeroportuárias, do abandono dos voos de longo curso a partir do aeroporto do Porto, do fim de carreiras para a Europa e do desvio de passageiros da Galiza, aprovou com 31 votos a favor, 11 contra e 3 abstenções a seguinte deliberação proposta pelo Bloco de Esquerda, e que será enviada ao Governo, Assembleia da República e Grupos Parlamentares:
“ – manifestar a sua discordância pelos sucessivos aumentos de taxas e pela deliberada diminuição dos voos a partir do aeroporto do Porto;
– reclamar a intervenção do governo e das entidades responsáveis pela aviação civil, para que adotem as medidas necessárias para assegurar o desenvolvimento do aeroporto do Porto e das suas ligações intercontinentais .”
Foto: Pesquisa Google
01mar16
