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Olhe, troque-me aqui a chouriça!

Miguel Correia

Fui educado para (entre muitas coisas) respeitar os mais velhos. Os anciãos, com décadas de aventuras vividas, e sempre com uma palavra amiga para nós, ainda maçaricos desta vida! Mas, os que eu conheço são rabugentos, implicativos e com graves dificuldades ao nível da audição!

No “Pingo Doce”, em Matosinhos (publicidade grátis, hã?) um simpático avozinho, resolveu, depois de ter pago e arrumado as compras, na sua própria saca, pois esta malta do supermercado cobra dois cêntimos, regressar à caixa, com a chouriça na mão e sem mais demoras interrompeu o funcionário, gritando (o gritar é normal devido à surdez!) que este se tinha enganado: “A minha chouriça não está bem! Falta o desconto!”.

O funcionário tentou ajudar para não enervar mais o pobre senhor. Perguntou se tinha a certeza sobre o tipo de chouriça que tinha na mão, e claro, levou a merecida resposta: “Tenho, tenho! Até estive à procura dela com o seu colega!”.

Para confirmar o preço, pegou na revista promocional, mas não encontrou a promoção da maldita chouriça! De repente ouviu-se do caixa ao lado: “Olha que essa revista é da semana passada!”.

Já um pouco enervado, pegou na revista correta e eis que o mistério se resolveu!

A promoção era para a chouriça cozida em forno a lenha e não para a que o pobre idoso tinha na mão! O preço estava correto! Depois disto, e perante uma abismal diferença de 25 cêntimos, o cliente disse cheio de razão: “Afinal, fique lá com a porcaria da chouriça! Já não a quero para nada! Quero o dinheiro!”.

O cliente tem sempre razão…

As cronicas Tugas - livro

01mar16

 

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