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Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871) – Júlio Dinis

Joaquim Guilherme Gomes Coelho, mais conhecido pelo pseudónimo “Júlio Dinis” é uma personalidade emblemática, intimamente ligada ao Porto. Nasceu nesta cidade a 14 de Novembro de 1839, sendo baptizado na igreja de S. Nicolau.

Era filho de um médico-cirurgião, natural de Ovar e de Ana Constança Potter Pereira Gomes Coelho, de ascendência britânica, morrendo esta quando Júlio Dinis contava apenas seis anos de idade, vitimada pela tuberculose.

A sua infância foi vivida em Miragaia, numa casa situada na rua do Reguinho, casa e rua desaparecidas aquando da abertura da Rua Nova da Alfândega, em meados do século XIX.

Foi também na zona de Miragaia que Júlio Dinis frequentou a escola primária. Mais tarde, fez estudos secundários e cursou depois medicina, na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Aliou a profissão de médico à de escritor e de professor, exercendo a docência na mesma instituição de ensino onde se formou.

Clara e Margarida - "As Pupilas do Senhor Reitor"
Clara e Margarida – “As Pupilas do Senhor Reitor”

Da sua obra destacam-se poesias, peças de teatro e, sobretudo, romances. Em pouco mais de trinta e dois anos de vida, deixou uma produção original e inovadora, especialmente com os romances de cariz rural, em que retratou personagens com base no conhecimento de pessoas com as quais convivia no seu quotidiano. Descreveu com grande mestria diferentes tipos humanos e a vida simples e laboriosa no campo, sempre com o propósito de relatar hábitos e costumes, numa tentativa de registar as tradições identitárias do povo português. As suas obras, nomeadamente, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “A Morgadinha dos Canaviais”, “Serões da Província”, “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, ou “Uma Família Inglesa”, são peças literárias de inestimável valor para conhecer a realidade do séc. XIX português.

Devido à doença de que padecia, a tuberculose, viu-se forçado a uma quase reclusão rural, em busca de melhoras, vivendo em Ovar (em casa de uma tia), em Grijó e na Madeira (Funchal), sempre esperançado na cura. Passou também uma temporada em Fânzeres (Gondomar), onde se supõe que se tenha inspirado para elaborar a sua obra “Os Fidalgos da Casa Mourisca”. Foi nestes ambientes rurais que contactou com a vida das pessoas do campo, captando características, vivências e problemas sociais que, depois, retratou na sua obra.

julio dinis - 02

Júlio Dinis deixou-nos uma reflexão sobre esse seu isolamento em meios rurais que lhe despertaram um apego à vida simples do campo:

“Nos hábitos monótonos da minha vida actual encontro certo prazer porque não me tentam já as emoções das vidas agitadas. Esta separação em que estou do mundo quadra-se bastante com as exigências do meu espírito.”

Aquele que, segundo Eça de Queirós “viveu de leve, escreveu de leve, morreu de leve”, morreu da mesma doença que vitimou a mãe e os seus oito irmãos. Faleceu com 32 anos, na Rua Costa Cabral na casa de uns primos (casa que já não existe), a 12 de Setembro de 1871, encontrando-se sepultado num jazigo de família, com o n.º 58, no cemitério privado da Ordem Terceira de S. Francisco, em Agramonte, no Porto.

Texto: Maximina Girão Ribeiro

Fotos: Pesquisa Google

Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

01abr16

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