Ainda que integrada no vasto programa das comemorações do 40.º aniversário da Cooperativa de Habitação Habitovar (12/03/2016), a recriação da Procissão dos Terceiros em miniatura, da autoria de José Maria Costa, em época de vivência pascal com tradições na cidade de Ovar através das majestosas Procissões Quaresmais, acabou por expressar através desta arte popular, o mistério da Cruz com um surpreendente rigor, não só na componente religiosa, mas também nas típicas fachadas que caraterizam a Praça da República da cidade e o seu património arquitetónico.

O projeto de recriação da Procissão dos Terceiros, é o resultado de cerca de quatro meses de trabalho minucioso na elaboração dos bonecos e todos os adereços em miniatura, incluindo a ordem de saída à rua dos catorze andores para uma tal representação, com a dignidade com que a Paixão de Cristo é vivida através da envolvência humana e a encenação proporcionada pelo rico património arquitetónico, cultural e religioso, que fazem parte integrante desta manifestação de fé.
A obra de José Maria, na linha de uma conhecida relação da família “Costinhas”, com este tipo de arte de miniaturas, nomeadamente por parte do seu pai, José Costa, tem representadas as imagens de todos os Santos que compõem esta primeira Procissão organizada pela Ordem Terceira de São Francisco no calendário da Quaresma, tais como: Bem Casados, Santa Margarida de Cortona, Santo Ivo, Santo António de Lisboa, Santa Isabel, Santa Clara de Assis, São Roque, São Luís Rei de França, Santa Rosa de Viterbo, Andor da Ordem, São Francisco lançado às silvas, São Francisco abraçado a Cristo, Santa Isabel da Hungria e Imaculada Conceição.
Segundo o artesão, que surpreendeu de forma tão espontânea os visitantes, esta recriação ainda não está completa, faltando a tradicional banda de música na cauda da Procissão.
Um pormenor que quase passa despercebido no conjunto de elementos desta representação do Culto da Cruz em Ovar que José Maria garante concluir e disponibilizar a seguir à mostra que esteve patente na Habitovar para poder ser apreciada numa nova exposição que merecia a disponibilidade de um espaço público, como mais um motivo de interesse cultural na cidade que vive a Quaresma e a devoção à Paixão e Morte de Cristo.
Outros projetos de recriação em miniaturas estão já nos planos de trabalho artesanal deste cidadão de Ovar, que depois de se ter afirmado durante várias décadas, sobretudo na arte carnavalesca, depois de concluir também com rigor a Banda de Música, quer dedicar o seu tempo livre ao cenário da pesca artesanal da Arte Xávega, representando o tempo em que os barcos e as redes eram puxados por juntas de bois na praia do Furadouro.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro
01abr16


