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D. António Ferreira Gomes (1906 – 1989)

Aquele que viria a ser Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, nasceu a 10 de Maio de 1906, portanto, há 110 anos. Foi um dos nove filhos de um casal de abastados agricultores, residentes na freguesia de S. Martinho de Milhundos, no concelho de Penafiel.

Iniciou os seus estudos no Seminário do Porto, em 1916, vindo a concluir o Curso Teológico, em 1925. Frequentou depois a Universidade Gregoriana de Roma, doutorando-se em Filosofia.

Depois de várias funções desempenhadas ao serviço da Igreja Católica, nomeadamente a de bispo de Portalegre, tornou-se bispo do Porto, em 1952.

Homem de elevada cultura, publicou uma vasta obra de reflexão e ensaio interessando-se, sobretudo, por questões religiosas, históricas e problemas sociais, na linha de orientação da doutrina social da Igreja Católica. Sensível aos problemas sociais e à miséria em que vivia o povo português foi um acérrimo defensor dos direitos humanos.

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Em 1958, cerca de um mês depois das eleições presidenciais às quais o General Humberto Delgado tinha concorrido, D. António Ferreira Gomes redigiu um documento, conhecido como “pró-memória”, dirigido ao Dr. Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros, salientando a situação político-social e religiosa que se vivia no País e pedindo “com toda a nitidez e firmeza, o respeito, a liberdade e a não-discriminação devidos ao cidadão honesto em qualquer sociedade civil.” As observações apresentadas a Salazar transformaram-no numa figura incómoda e polémica.

Assim, a sua frontalidade e a corajosa denúncia sobre o regime ditatorial, valeram-lhe o exílio por dez anos (1959-1969). Durante esse tempo de afastamento, residiu em Espanha, na República Federal Alemã e em França e, por nomeação do Papa João XXIII, foi membro da Comissão Pontifícia de Estudos Ecuménicos para a preparação do Concílio Vaticano II. António só regressou a Portugal em 1969, durante a “primavera marcelista”, quando a “ala liberal” começava a fazer ouvir a sua voz tendo, nessa altura, retomado as suas funções na diocese portucalense.

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Esta figura da Igreja Católica ficará para sempre perpetuada, não só pela justeza de carácter e pela abnegação à missão religiosa que preencheu toda sua vida, mas também como um Homem de grande coragem na defesa da liberdade e da justiça.

O Porto homenageou-o já de várias formas, incluindo com uma estátua do escultor Arlindo Rocha que se encontra colocada junto da Torre dos Clérigos.
O exercício do seu magistério episcopal foi norteado pelo lema «De joelhos diante de Deus, de pé diante dos homens».

Pensador ilustre, fez da cultura o grande instrumento da sua acção pastoral.

Esta figura, uma das maiores da Igreja do século XX, faleceu em 1989, estando sepultado na sua terra natal, S. Martinho de Milhundos, onde também foi erigida uma estátua da autoria de Irene Vilar.

Texto: Maximina Girão Ribeiro

Fotos: Pesquisa Google

Obs: Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

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