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E.

Benigno de Sousa / Tribuna Livre

Eu… Entalado… Ele… Explora… Estado… Envergonhado. Executor. Escravo expõe estrategicamente enxada exsuada.

Entra aqui a vida e a morte e vulgar quotidiano espantado! E aqui não andam só os vivos – também andam na memória os mortos – estatuetas espelhadas.

Eclodiram revoluções com sangue mas a nossa foi de cravos. Expressão livre e agora censura à estalada. Existencial saudade da cultura-ética, e não o mal-educado entronizado na irmandade entrudada.

Em que tempo estamos? Primavera! E chilram andorinhas voando no destino lançado em Abril de águas mil. O povo unido jamais é vencido!

Todos sonhos para serem reais têm de sentir e de pensar o âmbito e o ambiente; é sentir sonhos ausentes que se tornaram futuros e presentes das liberdades excelentes!

Em 25 de Abril de 1974: acreditar em nova vida e vida nova e fraterna igual oportunidade ao bem-estar e estar-bem; abraçando com alegria o bom momento e sentir pluralidade. E do facto quem não gostar, o diz: – “mas que raio teve de acontecer, é eutanásia ao capitalismo!?” Ele não quer os demais fato-macaco frequentando mesma panela, e que por tal ousadia quer vingança elitista.

25 abril 74

E o Ser é sempre o mesmo barro e os mesmos despeitos e rancores. Da luta sai esfarrapado perguntando baixinho a si mesmo: – Valeu a pena? Saudade do barro como parte do seu ser. Tudo se lhe afigura sob novo aspeto e surpreende-se consigo mesmo rindo. A razão guiava e andava tateando agora é inconsciente e fartada em dúvidas. Pelo pensamento é capaz de hecatombes. O Ser tem duas figuras: uma crê a outra não crê. Uma é capaz de todas as cobardias, outra é capaz de todas as audácias, uma pronta para maiores rasgos, a outra analisa e comenta. Uma está calada, a outra olha e estremecemos.

E negra Gaia, ingrata, detritos, rocha, é vida séria; diante do Universo é menos que o caco; pobre coração usado pela dor mas têm é saudade da vida. Não nos compreendemos nem aos outros. Isto nos parece inútil e agarramo-nos desesperados ao fio da vida. Nem sabemos o que é vida e chamamos vida ao elo; é instante em tropel que há-de se realizar no mundo como grito, para encontrarmos harmonia no turbilhão infinito. E nada de imensidade que nos absorve mas talvez o mundo não exista, ou, seja alma dolorosa e totalmente desconhecida com nervos ligados à dor e consciência expressada.

E nenhum grito é inútil para que o sonho viva e ande pelo seu pé como alma desesperada que procura mas erra no universo ensanguentado; e a cada grito um esplêndido magnético fluído que mescla as cóleras e as paixões esvaziadas!

E multidões sôfregas avançam no mesmo rugido a exigir dignidade. É preciso aqui uma árvore que não dê pecado. Pouco a pouco a ternura voltou à supuração e não ouve e não pensa no mesmo, para contar uma história de morte no mar Egeu.

É trabalho da vida persistente oculto e gasto como pedra sobre pedra e não é só por fora que se criam as rugas por dentro existe usura imensa, e cada vez é pior. É hora de cumprir sublime União Europeia!

falsidades

E por muito que nos acusem já temos acusado muito mais. Estateladas mil e uma mentiras, mil e uma hipocrisias, e todas falsidades em que é feita vida. Soou a hora absurda e descobrimos que atrás disto só existe interesse, mil bocas a falarem ao mesmo tempo no céu e no inferno que chegam ao fundo de nós mesmo; ponto de que não podemos discernir o bem do mal, e não separamos a tragédia do grotesco. Perdemo-nos por inutilidades para nos engrandecermos; admiramos nossos escrúpulos e damos importância às nossas teias, uma série de transigências secretas, nossa vida é aparência de serenidade, talvez um pouco de lógica, acaso e mais nada. E ninguém consegue encarar-se a si próprio nem ver-se a fundo. Tudo isto pareceu sonho monstruoso sem nexo e, por vezes, dou comigo a pensar: – Endoideci!

Fotos: Pesquisa Google

01mai16

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