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Rua do Monte da Lapa

Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado. Assina…

Cunha e Freitas (*)

“O Monte da Lapa, antes Monte de Germalde, era uma grande pedreira que em 1800 a Junta de Obras Públicas expressamente excluía do terreno doado à Irmandade da Lapa, para nele fazer a sua alameda ou passeio, onde hoje está o hospital.

A rua actual era um caminho que se tornou em ladeira quando em 1842-43 se rebaixou a Calçada da Lapa, que principiava junto da capela do Senhor do Olho Vivo, dando acesso ao telégrafo óptico que ali funcionou até 3 de Dezembro de 1859, instalado numa pequena casa junto ao moinho de vento.

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Esta capela do Senhor do Olho Vivo já existia, junto do Padrão Velho de Santo Ovídio, em 1755, quando se começou a edificar a Igreja da Lapa. Sob o altar-mor desta capela está ou esteve um cruzeiro datado de 1622, com as imagens de Cristo e de Sant´Iago, que dizem ter sido padrão levantado por peregrino indo a Compostela. Seria talvez o referido Padrão Velho de Santo Ovídio.

Segundo a tradição, recolhida pelo nosso bom amigo Horácio Marçal, a curiosa denominação de Senhor do Olho Vivo, derivava de se recomendar aos caminhantes que tivessem “olho vivo” para se defenderem dos ladrões que se acoitavam nas traseiras da capela, nesse lugar então solitário.

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O falecido engenheiro Monteiro de Andrade atribuía ao topónimo outra origem: “existia aqui uma casa onde esteve instalado um telégrafo óptico, por tal motivo chamavam-lhe sugestivamente o local do “olho-vivo”. Se este telégrafo remontava ao século XVIII, do que não temos notícia, esta explicação parece-nos mais natural do que a etimologia popular.

O Olho Vivo foi o nome dado a todo o local da Lapa e a Rua de Antero de Quental, antes Rua da Rainha (pelo menos desde 1814), em homenagem à Rainha Dona Maria I; Rua do Senhor do Olho Vivo, acima da capela de Nossa Senhora da Lapa – lemos em registos paroquiais de Santo Ildefonso, de 1784 e 1799. Em princípios do nosso século (XX), passou a denominar-se a capela do Senhor do Socorro”.

(*) Artigo publicado em “O Primeiro de Janeiro”, na rubrica “Toponímia Portuense”, de 21-02-1975

Foto: Pesquisa Google

Na próxima edição de “RUAS” DO PORTO destaque para a “RUA DO MONTE PEDRAL

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