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Fragmentos como verdades

Benigno de Sousa / Tribuna Livre

Quem espera desespera mas também alcança. Quiçá, é na espera e no alcançar que há esperança. E quem não espera é o tempo e se julgamos que ele nos espera ficamos nessa era e já fora tempo.

Mas o pássaro voou e o homem chorou e sorriu de si mesmo. Aí está à nossa frente ridículos, maníacos, pueris nesta marcha desordenada de sonho e com eles hipocrisias e explicações confusas, leis, regras, hábitos que servem para encobrir realidades de que não nos podemos libertar; e com suas filosofias, seus livros, suas teorias, no fundo é tudo instintos.

Temos aqui só bichos à frente da necessidade fatal, verdade iniludível, olhos abertos de espantados e bocas murchas de mentir, são grotescos e gritam desesperados. Isto contém ânsia de puerilidade, constituindo-se seres adormecidos pelos anarcas capitalistas.

Mas se a vida fosse só isso não valia a pena vivê-la. A vida é maior pelo sonho do que pela realidade. Sonham baixar o défice mas há mais além disto.

ladroes banqueiros

Exportações não param de aumentar e não é só pastéis de Belém nem galos de Barcelos, também arquitetos, engenheiros, enfermeiros; e por cá ficam os ladrões banqueiros.

O Presidente da República disse que há otimismo irritante. Mas será que ele queria pessimismo do Passos Coelho e do Paulinho das feiras?

Neste País de Fé esperamos que passe o nevoeiro para vermos o dragão montado no leão a comer a águia orelhuda e a beber cerveja do museu.

E se não fosse a mui nobre invicta que deu o nome a este País, também não existia fado e marinheiro da doca seca nos Paços do Terreiro.

É o drama desta Europa que nos vai precipitar num trágico abismo. E, assim, nunca se cumprirá Portugal em grandioso destino.

Vivam as francesinhas, o bacalhau à Gomes de Sá, as tripas à moda do Porto, e o Infante D. Henrique que abriu o mundo além-mar.

Contudo, de tudo que se sabe nada sabemos como verdades.

 Foto: Pesquisa Google

01jul16

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